O acesso à educação é um direito de todos: esse é um fato previsto na Constituição Federal do Brasil, que institui tal questão como um dever do Estado. Sendo assim, instituições públicas estão presentes em todas as cidades pelo país para garantir que as pessoas tenham a oportunidade de frequentar espaços de ensino e aprendizado. Nesse sentido, a cidade de Bauru se destaca, especialmente no campo do Ensino Superior. Por aqui, temos a presença de universidades de referência em território nacional e também no âmbito internacional. E a Universidade Estadual Paulista, a Unesp, é uma delas.

Para conhecer mais detalhes e entender de que maneira essa universidade se relaciona com a comunidade bauruense, conversamos com a Professora Doutora Fernanda Henriques, presidente do Grupo Administrativo do Campus de Bauru da Unesp, diretora da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (FAAC), docente e pesquisadora da Graduação e do Programa de Pós-Graduação em Design.

Portaria 1 da Unesp. "A cidade de Bauru precisa defender a Unesp", diz a professora Fernanda Henriques
Unesp Bauru – Portaria 1 (Foto: Divulgação)

Unesp Bauru: uma gigante do interior

Existem três universidades mantidas pelo Estado de São Paulo: a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp). Fundada em 1976, a mais nova entre elas, “a Unesp veio com a missão específica de fomentar a ciência, a cultura e a formação de pessoas no interior paulista. E, assim, está em 23 municípios atualmente, o que é muito interessante, porque, se você andar em linha reta no Estado de São Paulo, a cada 100 km tem uma Unesp. Tem na praia, nas divisas, no interior e na capital”, informa Fernanda.

Dessa maneira, a professora ressalta que em Bauru existem oportunidades singulares. “No interior paulista, apenas a Unesp oferece a graduação em jornalismo. Se você quiser um curso público, em uma universidade pública e gratuita, ou você vai para a capital ou vem para Bauru. O campus da cidade também é o único lugar que oferece Design, Relações Públicas e Rádio, Televisão e Internet”, explica.

Na Unesp Bauru, são três faculdades ou unidades universitárias: a Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (FAAC), a Faculdade de Ciências (FC) e a Faculdade de Engenharia (FEB). As três juntas mais a administração geral formam quatro unidades.

“Nós estamos falando de uma coisa gigantesca que é a Universidade Estadual Paulista, e nós temos um campus em Bauru que é o maior deles. A gente tem floresta aqui dentro! Em tempos normais, sem pandemia, seis mil pessoas frequentam nosso campus por dia. É muita gente! Dessas seis mil, mais ou menos 4.500 pessoas são estudantes, entre graduação e pós-graduação. Tudo é grandioso quando falamos em Bauru!“, salienta Fernanda Henriques.

A professora acrescenta que essa grandiosidade não se restringe ao número de pessoas, mas em possibilidades de formação, pela quantidade de cursos, e em estrutura, uma vez que a Unesp de Bauru tem o maior auditório, com capacidade de receber mil pessoas (o Guilhermão), além de outros pequenos auditórios e uma grande área de educação física que oferece atividades por meio do curso de educação física (graduação e pós-graduação), bem como por meio de atividades de extensão.

A presidente do campus e diretora da FAAC reforça: “É importante dizer que nossa universidade é gratuita, laica e inclusiva. Aqui também foi a primeira universidade no Estado de São Paulo a ter um sistema de reserva de vagas. Muita gente não entende direito, mas é o seguinte: 50% dos nossos alunos vieram de escolas públicas. Entre os alunos de escolas públicas, temos 70% para pretos, pardos e indígenas. Então, primeiro temos a situação socioeconômica, que é a escola pública, e, depois, quem tem menos privilégios, historicamente, por tudo o que foi feito aqui no Brasil com relação à escravidão e a todo preconceito que existe até hoje. Pretos e pardos passam por um sistema de averiguação da autodeclaração, e indígenas entram com atestado da Funai”.

A universidade e a comunidade bauruense

Para Fernanda, existem iniciativas e projetos da Unesp que são pouco conhecidos pela sociedade no geral.

De acordo com a professora, os cursinhos populares de preparação para os vestibulares são exemplos de troca com a população de Bauru. “São três, o Principia, o Ferradura e o Primeiro de Maio, cada faculdade tem um. Nós precisamos falar sobre e valorizar! Eles são mantidos pela universidade, com alunos da Unesp que recebem bolsa para dar aula. Logo, os discentes estão próximos dos estudantes. Os cursinhos são gratuitos e trabalham com o sistema de reserva de vagas. A gente tem histórias lindíssimas! Nesse sentido, entendemos que são possibilidades que podem modificar a vida das pessoas”, avalia.

Outra estrutura da Unesp que, na opinião de Fernanda Henriques, é uma joia do campus, é o Colégio Técnico Industrial, o CTI. “Todo mundo que é de Bauru conhece o CTI, considerado o melhor colégio da cidade. Trata-se de uma escola pública, gratuita, e é da Unesp. É mantido pela FEB, isso quer dizer que a Faculdade de Engenharia custeia de professores a servidores. Entretanto, muita gente não sabe disso. A gente tem aqui uma riqueza incrível”, analisa a presidente do grupo administrativo do campus.

“TODO MUNDO QUE É DE BAURU CONHECE O CTI, CONSIDERADO O MELHOR COLÉGIO DA CIDADE. TRATA-SE DE UMA ESCOLA PÚBLICA, GRATUITA, E É DA UNESP. ENTRETANTO, MUITA GENTE NÃO SABE DISSO. A GENTE TEM AQUI UMA RIQUEZA INCRÍVEL”

Fernanda Henriques, presidente do Grupo Administrativo do Campus de Bauru, diretora da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (FAAC), professora e pesquisadora da Graduação e do Programa de Pós-Graduação em Design da Unesp de Bauru
Professora Doutora Fernanda Henriques (Foto: Reprodução)

Na leitura da professora, por muito tempo, havia um “certo constrangimento” ao falar da universidade, exemplo que percebeu em situações como a de um grande projeto com o Jardim Botânico, com trilha e mobiliário, que não leva o nome da Unesp. Isso, para ela, é porque, como se trata de uma instituição que recebe recursos públicos, existe o pensamento: “não fazem mais do que a obrigação”. “Então, por que eu vou me gabar de algo que, na verdade, é minha obrigação? No entanto, o que acontece é que isso acabou criando uma situação de que as pessoas não conhecem o que existe aqui e não sabem valorizar. Por isso, eu acho que a cidade de Bauru precisa defender a Unesp. Não é fácil manter uma estrutura dessa, tanto em termos de gestão quanto no âmbito logístico e financeiro. Mas é um motivo de orgulho para a cidade ter uma Unesp, oferecendo todos esses cursos”, afirma.

Ademais, a presença dos estudantes no município é citada como uma contribuição no que diz respeito a recursos de comércio, de consumo de bens e serviços e do mercado imobiliário, fatores que impactam na situação financeira da cidade. “Tirar os alunos também é um prejuízo para Bauru. Além de formar os profissionais, a Unesp retorna para a cidade nesse sentido: os alunos vão morar, comer, gastar, sair, ter uma vida social. Isso tudo também traz recursos”, observa.

A diretora da FAAC analisa que, às vezes, “as pessoas não sabem que é uma universidade pública, não sabem que está aqui, não sabem da qualidade e vão buscar em outro lugar. Eu acho nós precisamos perder a timidez. Eu sempre falo tudo o que tem de bom na Unesp porque a gente precisa mostrar para a sociedade como esse espaço é importante em todos os sentidos”.

“Eu sempre falo tudo o que tem de bom na Unesp porque a gente precisa mostrar para a sociedade como esse espaço é importante em todos os sentidos”

Fernanda Henriques, presidente do Grupo Administrativo do Campus de Bauru, diretora da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (FAAC), professora e pesquisadora da Graduação e do Programa de Pós-Graduação em Design da Unesp de Bauru

A professora pondera que, a partir todos os cursos disponíveis na Unesp, há uma geração de conhecimento da qual todos podem se beneficiar e, caso não se perceba a importância da universidade diretamente, “se não é o seu filho se formando aqui”, a pessoa formada vai garantir que circule na sociedade o que foi aprendido. “Todo mundo é favorecido. Você se beneficia de alguém que se formou na engenharia, você se beneficia quando alguém inventa uma vacina, quando alguém desenvolve um sistema novo para que uma pessoa com deficiência possa se locomover ou quando existem várias informações no mundo e alguém seleciona e mostra aquela que se deve entender (e estou falando de jornalismo, de relações públicas, do design). A gente se beneficia com cultura, com artes e de maneira geral”, destaca.

Nesse sentido, além dos cursos de graduação, existe a pós-graduação, com mestrados e doutorados. “Na formação da graduação, você tem que ensinar e formar profissionais que vão atuar a partir de conhecimentos já sedimentados, testados e em funcionamento. Eles vão trabalhar e aplicar tudo isso que está assimilado pela sociedade. Na pós-graduação, há a busca de novos conhecimentos. Você vai descobrir outros jeitos de fazer, outras possibilidades para se reinventar na área, na profissão e enquanto sociedade. Nós buscamos fazer pesquisas que beneficiem a sociedade. E aqui a gente faz, vou usar um termo um pouco estranho, mas sem ‘rabo preso’. Nós não temos nenhuma empresa bancando nossas pesquisas, então podemos fazer algo que, de fato, seja para a sociedade e somente para ela”, finaliza Fernanda Henriques.

"A cidade de Bauru precisa defender a Unesp", diz a professora Fernanda Henriques
Professora Doutora Fernanda Henriques em entrevista a Solutudo Bauru. (Foto: Solutudo Bauru)

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