Estilistas de Bauru vem ganhando visibilidade no mercado de moda regional ao carregar o conceito da diversidade em suas peças. É o caso de Renan Vital, estilista e ex-aluno do Técnico em Produção de Moda do Senac Bauru, que apostou na criação da marca REV e que traz no segmento street wear a moda No Gender (agênero), com roupas que podem ser usadas por ambos os sexos.

Renan explica que a ideia de lançar a REV surgiu na infância e da vontade que tinha de criar peças que tivessem sua “cara”. Ele conta que observava as bonecas da irmã e sentia a necessidade de inventar algo mais fashion, que fosse além dos vestidos de princesas e sereias. Por fim, acabou confeccionando jaquetas a partir de retalhos de jeans. Ao longo dos anos, sua paixão pelo mundo da moda cresceu e, aos 24 anos, se inscreveu no curso do Senac. “Ainda estudando conquistei um emprego em uma confecção de moda fitness de Bauru, entrei como costureiro e cheguei a cargo de assistente de criação, onde pude colocar em prática o que aprendi em sala de aula”.

Segundo o estilista, a qualificação na área foi o passo mais importante para começar a criar a própria coleção e produzir editorias de moda.“A REV surgiu na minha mente ainda criança, mas a coleção nasceu em abril deste ano, com a proposta de unir a moda jovem ao streetwear, além de transmitir minhas vivências como um jovem negro e periférico,que conta com o apoio de amigos de coletivos negros e LGBTQs da cidade”.

Atualmente, as peças de Renan estão à venda pelo Instagram (@rev.street), o que tem gerado uma procura local após o lançamento da marca. Segundo o estilista, a estratégia de atuar nas redes sociais é um modelo inicial do negócio para alavancar a marca e crescer conforme a demanda. “Com a coleção, quero quebrar alguns paradigmas sobre o que é masculino ou feminino e transmitir a mensagem de que a pessoa pode vestir aquilo que se sente bem”, diz Renan.

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Para sustentar a comercialização e valorizar o consumo consciente, Renan adotou o slow fashion, que consiste no descarte correto dos resíduos têxteis. “São atitudes assim que agregam valor para a marca e também para a pessoa que confeccionou a peça, já que torna o processo de trabalho e mão de obra mais justos”.

Victor Hugo Silveira Simões, docente de moda do Senac Bauru, revela que a viabilidade de empreender uma marca agênero, inclusive em Bauru, se dá, não somente pela tendência global de inclusão de minorias e promoção da diversidade, mas pela diluição das barreiras entre consumidor e marca com o advento das redes sociais.

“Mercadologicamente isso constitui um fenômeno da sociedade moderna, quando velhos valores e o sistema de consumo têm sido repensados por todos os níveis, a partir da indústria. E uma vez que não comportam mais as necessidades e anseios do consumidor final, considerando a conectividade digital, há os impactos sociais, como as novas formas de consumo”.


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