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Em artigo anterior, abordei questões da saúde mental do idoso como, alimentação, exercícios físicos, atividades para estimulação do cérebro e outras ações para que a pessoa idosa continue tendo uma vida saudável. São ações importantíssimas, mas uma delas foi, “não deixe o idoso por muito tempo sozinho, evitando doenças emocionais. Fique atento!” E é sobre a questão emocional que quero abordar aproveitando o “Setembro Amarelo – Prevenção ao suicídio”.

Vou iniciar com uma história real de um idoso que faleceu aos 83 anos de idade de causas naturais. Um homem que parou de trabalhar aos 80 anos e dizia que o que mais gostava na vida era trabalhar. Sempre foi muito saudável, comunicativo e alegre.

Quando tinha 73 anos, foi diagnosticado com câncer, e foi aí seu primeiro episódio de depressão. Foi tratado, voltou a trabalhar, mas seu humor nunca mais foi o mesmo. Poucos anos depois, veio o diagnóstico de grave doença de sua esposa – e ele era o principal cuidador dela -, e com o tempo a depressão voltou.

Muito cuidado, acompanhamento com geriatra, medicamentos, carinho e muita conversa. Em um domingo ele disse a seu filho que sua vida não fazia mais sentido, que ele não via mais motivos para viver. Aquilo o deixou arrasado, e aí como filho tentou mostrar ao seu pai o grande homem que ele era, e lhe dar vários motivos para viver, sua importância neste planeta. Talvez, esses motivos faziam sentido para o filho, mas para o pai nem tanto. E é aí que quero chegar.

Seja por perdas ou por inúmeros outros motivos, parcela de idosos já não veem mais motivos para viver… (Foto: Reprodução)

A dor de cada um

Especialistas dizem que o suicida quer matar a sua dor, e acredito que a forma de ajudar é justamente deixá-lo falar dessa dor. Dar um abraço, ouvir sem preconceitos, julgamentos ou menosprezando. Falar que tudo isso é besteira e que tudo vai passar não ajuda! Demonstre que está ao lado dele, que está ali para apoiar. Use muito da empatia.

A pessoa idosa já passou por diversas situações em sua vida, situações de conquistas e perdas de toda a construção de uma vida. Na velhice é comum chegarem novas perdas, como parar de trabalhar, perda financeira, perda da saúde, de amigos e familiares. Perda de papéis que construiu a vida toda, e perda de perspectivas, e com isso acredita que não tem mais “utilidade”. Muitas vezes perde até o seu espaço físico.

Se você convive com algum idoso, observe seu comportamento. Se ele deixar de ter cuidados básicos, negar tratamento medicamentoso, mudanças de humor, isolamento ou tristeza, não espere. Além de ouvi-lo, que é essencial, convide-o para passear, fazer coisas que ele gosta, mostrar o valor que ele tem, encontrar-se com amigos e parentes, mantenha-o ativo, e claro, procure ajuda psicológica e/ou psiquiátrica.

Veja em sua cidade os endereços dos CAPS – Centro de Atenção Psicossocial ou outros centros de atendimento.

(Foto: Reprodução)

Uma séria realidade

A cada 100 mortes no mundo, uma é por suicídio, ficando acima de mortes por câncer de mama, malária, HIV, guerras ou homicídios, segundo dados de 2019 da OMS – Organização Mundial da Saúde.

O assunto é sério e não pode ser negligenciado!

Finalizo o artigo com a dica do filme Ella e John, que retrata a história de um casal de idosos que resolve fazer uma viagem sozinhos.

Se desejar conversar sobre o assunto, será um prazer! Abraços e até a próxima!


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