Você já reparou nos artistas de rua da cidade? Provavelmente, os que mais chamam a atenção são os manobristas de semáforo. Entretanto, há uma figura na cidade que deu uma sumida agora na pandemia. Ela é de uma beleza encantadora e só ela sabe como cativar muito bem quem admira a sua arte. É a Estátua Viva ourinhense. Quem é?

Karina

Karina Zimmermann é a atriz de quem está por trás da estátua. Atriz, educadora, diretora e funcionária pública lecionando aulas de teatro pela Prefeitura Municipal. Na pré-adolescência foi quando o coração começou a bater mais forte pela arte. Na televisão, via as pessoas dançando e queria fazer igual. Aí pediu para a sua mãe matricular ela em alguma escola e foi o primeiro passo da sua carreira artística.

Foto: arquivo pessoal

“Eu entrei e meu mundo mudou. Eu era uma pessoa muito quietinha, não expunha muito. Eu me descobri. Meus professores me estimulavam, principalmente os professores Paulo Correa e Edmar Antônio Soares, que também era coreógrafo muito reconhecido em São Paulo”, conta Karina.

Ao fim, se tornaram um grupo de dança muito conhecido na cidade e que participaram de diversos festivais. O Corpo Livre marcou presença em Joinville, em eventos do Sesc, o Enda e muitos outros.

E a profissão de atriz veio por causa da dança. O coreógrafo e seu instrutor foi a pessoa que mais instigou a iniciar um curso de teatro. Então, em 1990, foi inaugurado o Teatro Municipal de Ourinhos. Era a oportunidade que a Karina agarrou e começou a trilhar seus caminhos no teatro.

Ao mesmo tempo, Karina estava finalizando a sua graduação em Educação Física para ser uma professora de dança. E o amor pelo teatro fez ela ir embora para Curitiba e conquistar o seu título de graduação na área teatral, mas, com o fim do curso, voltou para Ourinhos.

“Ser atriz é ser eu. Eu amo ser atriz, fazer a arte e ensinar a arte. É maravilhoso”, fala Karina.

Karina em atuação na mais recente apresentação teatral, “O Segredo do Natal”. Foto; arquivo pessoal

Estátua Viva

Tudo na vida da Karina foi acontecendo de forma natural e ser uma estátua viva não poderia ser diferente. Em 2000, Sérgio Nunes montou um espetáculo com o nome “A morta” e o pessoal do Soarte, grupo que a Karina fazia parte, foi para um festival em São Paulo com este espetáculo. Uma peça teatral dividida em quatro atos que no último os atores ficavam prateados, menos duas personagens, além do cenário na mesma cor.

Karina era a personagem Dama das Camélias, a sua veste era um vestido que ela ainda tem. Um vestido de noiva que foi reconstruído para a peça teatral. E nesta época, Ourinhos era o centro da atenção do interior paulista com os festivais de música. Neusa Fluery era a secretária de cultura nos anos 2000 e solicitou a Karina ajuda para divulgação do festival.

Sérgio Nunes deu a ideia dela e outras pessoas se vestirem de estátuas vivas com essas roupas utilizadas no espetáculo. Karina pegou gosto por esta forma de fazer arte e sempre que tinha oportunidade ela estava de estátua viva. Já fez para comércio, festas, para a FAPI, divulgação de eventos etc.

Salvo que a receptividade das pessoas com o seu trabalho é diversa. Karina relata que as crianças são as que mais gostam de admirar a estátua viva e se impressionam com o foco do artista no momento. Outros aparecem para testar quem está ali trabalhando.

“Teve uma vez que eu estava em festa de faculdade e um rapaz chegou para me testar com o cigarro dele. Chegava pertinho e para ver se eu tinha medo dele me queimar. Mas não queimou e tinha uma pessoa que sempre cuidava da gente, um produtor que fica de olho para o artista não se machucar. Temos que estar preparados para dar conta do trabalho”, relembra Karina.

E todos os trabalhos para a atriz são especiais. Mas tem uma história que ficou marcada. Em uma época, houve a inauguração de um espaço de artes plásticas, um local com características muito religiosas. Karina estava como estátua viva vestida da Virgem Maria e localizada na entrada do local.

“Quando abriu as portas, estava em cima de uma mesa e as pessoas me olhavam como se eu fosse uma estátua de verdade. Aguentei o meu máximo de tempo e quando comecei a me movimentar as expressões de surpresa das pessoas foram incríveis. Elas começaram a comentar e chamavam outras para ver. Foi maravilhoso”, admite Karina.

Aliás, o amor entrou na vida da atriz durante estes trabalhos como estátua. Ela estava fazendo estátua viva em dias seguidos na FAPI, até que ela e seu marido começaram a se aproximar com conversas pós o evento. Foi a arte que uniu dois corações e estão juntos até hoje.

Pandemia

Desde março de 2020 que Karina não realizou mais nenhum trabalho como estátua viva. A pandemia de coronavírus impediu que a arte estivesse presente, de modo presencial, entre a sociedade. Aos poucos a cultura está voltando a se estabilizar na cidade. Para ela, ainda não é momento de dar vida para a estátua, porque necessita de muito condicionamento físico, mental e zero preocupações.

Futuro

Para o futuro, Karina não sabe como será em relação ao trabalho de estátua. O seu foco profissional é o teatro e, quem sabe, produza um espetáculo só com estátuas vivas. Mas pode surgir um projeto interessante no meio do caminho e a sua estátua viva possa reaparecer na vida dos ourinheses.

Para finalizar, a certeza de ser uma estátua viva é uma só: “é uma delícia, é gosto demais, mesmo que exige muito do corpo. É muito rico, tem a oportunidade de prestar atenção nas pessoas sem olhar para elas, consigo ter uma imersão muito grande me desligando do que acontece ao meu redor. É algo mágico e agradeço muito ao Sérgio Nunes que inventava as maluquices para nós fazermos”, finaliza.


Uma arte que tanto nos inspira!

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