Desde sempre as mulheres precisaram lutar até dizer chega para conquistar seus direitos e seu espaço perante a sociedade. Inclusive, nos dias de hoje ainda é preciso de muita batalha e determinação para a população compreender que a mulher faz o que ela quiser, quando quiser e onde desejar. Josiane Orlandini Sabino, de 40 anos, é uma das mulheres que mostra o seu poder fazendo o que mais gosta: ser caminhoneira.

História

Josiane, ou Josi, nasceu em um sítio de uma cidadezinha pequenina do interior do estado do Paraná e aos dez anos, em 1992, foi para Cambará. Depois de muito tempo se instalou em Ourinhos. Foi mãe muito cedo e com 22 anos separou do marido. Criou seus dois filhos sozinha e após anos embarcou em um novo relacionamento que deu fruto a uma filha. Ao todo são duas meninas, uma de 13 anos e a outra com 25 anos, e um filho de 22 anos. E hoje curte a vida com sua netinha de seis anos.

Josi pelas estradas do Brasil. Foto: arquivo pessoal

Para conseguir sustentar a sua família e se manter em pé, Josi já trabalhou como empregada doméstica, em fábrica de bolacha, servente de pedreiro, em mercado, em padaria, já foi manicure, já foi tratorista e trabalhou com guincho. O seu último emprego que fez ela começar a carreira como caminhoneira.

Motorista de caminhão

Justamente por um dia ter ajudado a guinchar um caminhão da empresa em que trabalha foi como conquistou o serviço de motorista. Logo de cara a Josi não aceitou, acreditando que não daria conta da nova função.

“Mas meu amigo, que já trabalhava no local, ficou insistindo e resolvi conversar com o encarregado que já estava interessado. E eu ainda demorei dois meses para aceitar, estava na dúvida se estaria trocando o certo pelo duvidoso. Em oração, Deus me deu uma resposta e decidi iniciar a vida de caminhoneira. Já tenho um ano neste serviço e sou muito feliz aqui”, explica Josi.

A guerreira garante que gostou sempre da área, sempre se enxergava ser motorista de caminhão com bons olhos. Essa paixão começou quando era servente de pedreiro de uma empresa de pré-moldados e era preciso auxiliar nos descolamentos dos maquinários.

“Aí eu fui gostando cada vez mais. Lembro terem pessoas que me apoiavam, outras queriam me deixar com baixa autoestima. Sempre busquei dar atenção para as palavras boas que eu recebia, as críticas eu deixava de lado.”, relembra a caminhoneira.

A motivação por estar nesta área é por estar fazendo o que gosta, o que tem paixão em trabalhar. Para ela, o gás diário que recebe para se manter firme na profissão é quando pessoas e crianças olham-lhe e dizem ser uma inspiração, um exemplo de vida por quererem também seguir a carreira como motorista de caminhão.

Entretanto, nem tudo são flores nesta vida. E para Josi não seria diferente, simplesmente por ser uma mulher em uma profissão considerada masculina. O preconceito é muito presente, inclusive de outra mulher para com ela. O mais importante é que a caminhoneira não dá atenção para as discriminações e segue firme na profissão que escolheu.

“Eu sempre fui decidida. É isso que eu quero e não vou me permitir ficar para baixo por causa disso. É só mais um obstáculo que devo enfrentar”, constata a motorista.

A profissão e a família

Pela vida não ter sido uma boa amiga com Josi, ela se rotula como mãe e pai simultaneamente.

“Amo meus filhos e eles me apoiam muito. São tudo para mim. O lado ruim é que fico alguns dias longes deles, mas são eles que fortalecem para continuar nesta caminhada”, exalta.

Já sobre a sua família, Josi perdeu sua mãe em abril deste ano, mas, enquanto era viva, ela sempre esteve presente na vida dela, buscava fazer visitas regularmente quando podia. E afirma ser muito presente vida dos filhos e da neta, que recebe um carinhozinho mais docinho de avó.

Da Josi para outras mulheres

Depois de tudo que já passou e ainda enfrenta, o conselho da Josi para outras mulheres é não desistir daquilo que tanto deseja para a vida.

“Palavras negativas sempre vão encontrar, mas não dê ouvidos para ninguém. O segredo é batalhar, correr atrás dos objetivos e sonhos”, adverte.

É como caminhoneira que Josi pretende aposentar. Foto: arquivo pessoal

Futuro

Melhor condição de vida, principalmente na questão financeira, e novas amizades foram as consequências positivas deste trabalho pesado para a Josi. E a meta é cada vez mais se aperfeiçoar no trabalho e se manter como caminhoneira até o fim da vida.

“Se Deus quiser vou continuar nesta profissão e nesta empresa que trabalho. É daqui que eu gosto e não quero sair.”, finaliza Josi.


Uma mulher batalhadora e que inspira muitas pessoas a lutarem pelo seus sonhos e, assim, fazer o que mais amam. É aquele ditado: você não trabalha quando produz o que mais gosta. Incrível!!


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