Você já parou para reparar como as pessoas com quem você convive são diferentes, como o mundo ao seu redor é tão diverso, e por isso tão colorido?

Em um mundo que ainda não está acostumado a conviver com as individualidades de cada um, saber aceitar a outra como ela é, com todas as suas diferenças e potencialidades, talvez seja o melhor presente que uma pessoa pode receber.

A psicóloga jundiaiense Vanessa Sardisco que o diga. Nascida com uma paralisia do lado esquerdo do cérebro, que afetou sua coordenação e fala, Vanessa sentiu na pele, desde bebê, os efeitos da aceitação e da inclusão em sua vida.

vanessa sardisco de pé, em uma espécie de palco, dando uma palestra
Vanessa Sardisco é psicóloga com formação em Abordagem Centrada na Pessoa (ACP). (Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução)

Um olhar diferente

“Meus pais perceberam que havia alguma coisa estranha comigo aos 6 meses. Eu não conseguia engatinhar, eu arrastava o pé. Eles me levaram para o neuro para entender o que tinha.”

Depois de passar por alguns médicos, o olhar atento de um neurologista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, enxergou algo além de uma dificuldade.

“Passei com o Dr. João Radvany. Fiz ressonância e, na consulta, enquanto minha mãe só falava e falava com o médico, ele só olhava pra mim e mostrava uma caneta. Ele perguntou então se eu gostava de desenhar e deu a caneta para mim, sempre me observando”, conta.

Esse simples e discreto detalhe fez toda a diferença no diagnóstico do médico. “Ele então disse para minha mãe que eu era única, que não havia nenhuma Vanessa igual a mim. E foi aí que ele começou a falar com a gente sobre a questão das diferenças.”

Convivendo com as diferenças

O Dr. Radvany ajudou muito os pais de Vanessa na aceitação da dificuldade que a filha possuía. Ele orientou acerca de atividades e até da escola ideal para colocá-la: aquela que se desse bem com ela, e do mesmo modo na que melhor Vanessa se adaptasse e se sentisse bem.

Meus pais tiveram uma cabeça muito aberta, e eu sei que esse meu neuro ensinou muito pra eles. Inclusive, ele falou uma coisa para eles que eu ainda levo pra vida: ‘não tenha expectativas com os filhos, pode ter esperança de que ela melhore, mas expectativa nunca’.

Vanessa explica que expectativa tem a ver apenas com uma pessoa, são os desejos dela refletidos em outra. Já a esperança é diferente, “ela tem a ver com duas pessoas, é uma troca, uma aceitação, um respeito ao limite do outro”.

Desejo de fazer a diferença

Sardisco enxergou na psicologia uma forma de dar um sentido pra vida e, de certa forma, continuar o que ela sempre fez: a diferença.

Um dos exemplos é da época de escola. Na sua turma entrou uma garota surda. Vanessa não fazia ideia do que era a Língua Brasileira de Sinais (Libras), nem a professora, e muito menos a própria garota.

“Ela ficava no canto dela, e eu sempre fui curiosa, queria ajudar, me comunicar. Eu não lembro como, mas ficamos muito amigas. E eu brincava com ela, porque ela lia lábios, e eu falava que o meu ela nunca iria entender porque a minha boca é meio torta”, conta.

Os anos foram se passando, o Ensino Médio terminou e a faculdade deu as caras. Para Vanessa, a decisão foi tranquila por psicologia. “Eu entrei direto depois de terminar a escola, era uma coisa que realmente queria.”

Consultório da psicologa humanista vanessa sardisco.
Local de trabalho, tão sonhado por toda a vida de Vanessa Sardisco. (Foto: Mateus Storti/Solutudo)

Abordagem Centrada na Pessoa

No terceiro ano de faculdade Vanessa quase desistiu, pois não se enxergava nas abordagens apresentadas ao longo do curso. Apesar de nem tudo ter sido flores até o momento dela encontrar um método que combinasse com seus ideais, em seu caminho também existiram alguns momentos que valeram a pena.

Por causa dos estágios da faculdade, fiquei dois anos na instituição Bem-Te-Vi, que dá suporte a pessoas com Síndrome de Down. Esse tempo lá me ajudou muito a ver como eu queria trabalhar com as diferenças.

Faltava-lhe agora um método que valorizasse as pessoas como de fato elas são, que respeitasse suas diferenças e as deixasse livres. E Vanessa enxergou na Abordagem Centrada na Pessoa (ACP) a resposta para todas essas questões.

“São três os critérios facilitadores, que são a base que um terapeuta tem com a pessoa: empatia, aceitação e autenticidade. Aceitar o outro como ele é, sem julgamentos, sem técnicas, aceitar o que ele me traz e o que ele acha importante. Empatia é ver o mundo dela, e não ver o meu mundo refletido nela. Autenticidade é ser eu mesma“, explica.

Desta forma, para Vanessa, a ACP reconhece muito mais os potenciais do que as limitações da pessoa. Carl Rogers, o ‘pai’ dessa abordagem, afirma que aqueles três critérios são apenas a base. Cada psicólogo então trabalhará da sua maneira, do seu jeitinho cada uma delas.

https://www.youtube.com/watch?v=BucqFhQcYyI&feature=emb_title

Diferença que virou livro

Toda a superação, engajamento na inclusão e reconhecimento das diferenças virou livro, que foi lançado em 2018 com depoimentos de familiares e profissionais que fizeram parte da vida de Vanessa Sardisco.

“A ideia do livro foi do Dr. Radvany. Desde a adolescência ele falava que eu precisava fazer um livro. E eu não queria que outros soubessem da minha história, e ele insistia toda vez que ia lá. Até que quando comecei a faculdade ele disse que agora seria a hora, porque teria tudo a ver com a psicologia”.

Terminada a faculdade, foi uma outra psicóloga, terapeuta de Vanessa, que a fez repensar e finalmente fazê-la rascunhar as primeiras páginas. “Ela me disse porque então eu não escrevia como um diário, sem compromisso. Passei então a gostar de falar de mim“, relembra.

Foi então que após um ano coletando os depoimentos que Vanessa lançou a obra ‘…E a borboleta voou’. “Para a capa eu pensei em meu nome: Vanessa é um tipo de borboleta, e eu adoro borboletas. Então queria que tivesse uma na capa, mas não certinha, uma meio louca, sabe? Então foi aí que lembrei de um quadro que fiz. Bati o olho nesse meu quadro, uma borboleta toda estilosa, e pronto, era essa!”

livro e a borboleta voou em uma pequena prateleira no consultório da vanessa sardisco
Livro conta com depoimentos de pessoas que passaram pela vida de Vanessa. (Foto: Mateus Storti/Solutudo)

Outros quadros de Vanessa, produzidos em sua infância e adolescência, ilustram ainda a contracapa e os capítulos do livro.

Eu acredito em uma inclusão para todos e com todos. Inclusão é relação humana, é um processo que nunca acaba, não é um processo que se completa, porque relações sempre mudam. Sempre há novas amizades, novas famílias, novos ambientes, então sempre haverá novos desafios. Para começar, são necessários empatia, aceitação e autenticidade.

Serviço

Vanessa Sardisco – Psicóloga Humanista

  • Endereço: Rua Barão de Teffé, nº 160, Jardim Ana Maria (Edifício Helbor Offices – Sala 1004) – Jundiaí/SP
  • Telefones: (11) 98200-9577 / (11) 98200-9577  
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1 COMENTÁRIO

  1. Ela é simplesmente maravilhosa , já passei em consultas com ela e foi transformador. Já tô atrás do livro. Tem todo meu apoio. São as diferenças que nos tornam iguais.

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