“Sou uma venezuelana que se apaixonou pelo Brasil na busca de um sonho.” Para a estudante de publicidade Maria José Bandre Arraiz, essa seria a forma mais poética de descrever quem de fato ela é. Maria, que já está há 4 anos no Brasil, e é natural de Maracay, cidade localizada ao norte da Venezuela, e que fica a cerca de 80 km da capital Caracas, afirma que é apaixonada pelo Brasil, mesmo antes de sua vinda definitiva para cá. 🥰

Atualmente com 22 anos, Maria conta que tudo começou quando tinha apenas 16 anos e viajou pela primeira vez ao Brasil. Foi na oportunidade que ela conheceu as cidades de Fortaleza e Jundiaí. “Meu primo já morava aqui, e me convidou para vir conhecer. Eu simplesmente adorei! Ver pessoas alegres, experimentar uma comida tão gostosa como a daqui e claro, foi inevitável ver que era um país mais desenvolvido que o meu. Não tem como não fazer essa comparação. Desde essa viagem, decidi que eu queria estudar e morar no Brasil”, explica. 

O começo do sonho

Após retornar à Venezuela, Maria conta que concluiu o Ensino Médio já pensando em voltar ao Brasil – agora, em definitivo. Começou a estudar português, porque até então só sabia falar ‘bom dia’. Para se acostumar com o idioma, a jovem venezuelana escutava sem parar músicas brasileiras. Escutou tanto que acabou virando fã de Luan Santa e Jorge e Mateus. 🎶

“Enquanto começava a faculdade na Venezuela, continuava procurando a oportunidade de algum convênio que me permitisse viajar com o visto de estudante. Mas a situação no meu país começou a ficar pior do que pensava: escassez de comida, de medicamentos, a insegurança, entre outras coisas. A insegurança era tanta que não tínhamos paz na hora de sair de casa. Eu trabalhava e ganhava um pouco mais que o salário mínimo, e não era suficiente para comprar sequer comida.”

Maria afirma que foi nesse momento que decidiu sair de vez da Venezuela. “Minha tia e meus primos, que já moravam em Jundiaí, me animaram e me apoiaram para viajar. Pensar que em um outro país eu poderia ter um bom futuro me enchia de esperança, não só por mim, por minha família também. Meu irmão é o principal motivo, ele é especial, e precisa de medicamentos e cuidados que só conseguiria aqui no Brasil“, conta emocionada.

Não foi uma travessia fácil, tive que começar do zero, aprender uma nova língua, ficar longe da minha família e me adaptar a uma nova cultura. Mas, acreditem: todo o esforço vale a pena.

Vinda para o Brasil

Maria partiu de sua cidade de ônibus, e após 4 dias chegou à fronteira com o Brasil. E, apesar de ter vindo sem os pais e o irmão, Maria não viajou sozinha. Estava junto dela uma outra família de venezuelanos que também estava em busca de uma nova vida. “Lembro que foi uma viagem bem cansativa, e as ânsias eram tantas que nem mais me importava. Parte da viagem foi de carro, até que ele pegou fogo no meio do caminho e tivemos que continuar o trajeto de ônibus. Foi bizarro, mas isso foi o mais engraçado da viagem. Também nesses 4 dias eu só comia pão, porque tentamos poupar o máximo de dinheiro.”

Quando Maria e a família que a acompanhava chegaram em Boa Vista, embarcaram em um avião rumo a Florianópolis. Nos 3 dias em que ficou com a família, aproveitou para conhecer a cidade e, logo após a curta estadia, embarcou em um ônibus para Jundiaí, para se juntar aos tios e primos, que já estavam a esperando. 🥰

“Os primeiros meses foram os mais difíceis, porque tinha muita saudade da minha família e amigos, e também tinha vergonha de falar português, por errar alguma palavra. Mas, pouco a pouco, fui entendendo que para conseguir trabalho e melhorar o idioma tinha que falar, mesmo errando.”

E foi entregando muito currículo que, após 3 meses de procura, Maria conseguiu seu primeiro emprego no país: de vendedora em uma loja de artigos importados, no centro de Jundiaí. “Esse foi o meu melhor curso de português, porque tinha que aprender o nome de cada coisa que tinha na loja, e eles têm de tudo… Lembro que às vezes chegavam clientes pedindo cadarços, cílios postiços ou bonés, e não tinha nem ideia do que falavam. Para minha sorte, todas as pessoas entendiam que eu era estrangeira e me ajudavam, ficávamos fazendo mímica na loja para eu conseguir entender”, se diverte lembrando.

“Eu amo Jundiaí!”

“Jundiaí é uma cidade que eu realmente amo. Eu adoro os parques, a tranquilidade, as pessoas e a coxinha de queijo.” Pois é, após 4 anos morando na cidade, Maria já é praticamente uma jundiaiense raiz! 💪 haha Porém, mesmo em meio a tanto amor, ela tem uma reclamaçãozinha a fazer: o clima! 😅 “Eu ainda não me acostumei, até porque no mesmo dia pode fazer frio, calor ou chover, e nunca acerto a roupa.” 😂

Clima à parte, nossa venezuelana acredita que já conseguiu se adaptar à cultura brasileira: “Sempre falo que o brasileiro tem muita imaginação para criar receitas, gosto de quase tudo: coxinha, cachorro-quente com batata, coisa que confesso que achava muito esquisito, estrogonofe, feijoada, açaí, brigadeiro, paçoca, o churrasco aqui é sensacional, entre muitos outras. As paisagens daqui são muito bonitas, e adoro ver a alegria das pessoas. Quando escuto alguém reclamar daqui, sempre falo que o Brasil poderia estar melhor, mas para mim já é maravilhoso“.

Já adaptada e ambientada em seu novo lar, Maria cursa o quarto e último ano da faculdade de Publicidade e Propaganda, participa de um grupo teatral da cidade e ó, há 1 ano trabalha aqui na Solutudo. 😍👏

Jamais sofri discriminação, ao contrário, todas as pessoas que conheci sempre foram muito amáveis e sempre me ajudavam com alguma palavra que não entendia. Hoje sou muito grata, por ser tão bem acolhida aqui.

Ai ai, os costumes…

Maria conta que acha muito engraçado alguns costumes particularmente brasileiros, como o fato de usarmos chinelo em (quase) toda ocasião. 🤣 “Eu sabia que o Brasil era o país de futebol, mas me surpreendi do quão apaixonado é o brasileiro! O Carnaval aqui é outra coisa, é uma alegria que nunca vi. No meu país comemoramos o carnaval lançando bexigas de água, e as crianças se fantasiam. Não sabia que comemoravam a Páscoa com ovos de chocolate, e eu fiquei bem feliz porque sou chocólatra.” 🍫😋 Olha, depois de tudo isso, ela só pode ter nascido no país errado! 😂

“Também achava que traduzir as palavras que queria falar era o suficiente, mas não é bem assim. No Brasil se usa diferentes expressões e gírias para se expressar. Isso foi uma das coisas mais difíceis: aprender todas a gírias. Tenho como meta aprender no mínimo uma por dia. Engraçado é que às vezes falo coisas nada ver, porque em espanhol usamos uma expressão diferente, aí traduzo e fica esquisito. Sempre passo vergonha, mas já me acostumei.” 🙈🤣

Saudade que fala, né?

Mesmo há 4 anos no Brasil, a única dificuldade que Maria ainda não consegue tirar de letra é a saudade… Saudade da família, dos amigos, do país de origem, que tanto ama! “Por sorte, existem as chamadas de vídeo, então estamos sempre nos falando. É claro que não é a mesma coisa do que estarmos juntos pessoalmente, mas dá para amenizar a saudade. E, embora a crise continue, a Venezuela também é um país lindo, com praias que são maravilhosas, parecem piscinas naturais. As pessoas são maravilhosas, e também temos lá comidas muito gostosas, como a arepa, empanada, cachapa e patacon, além do chocolate venezuelano.” 🤤

Ser imigrante não é fácil, são muitas coisas que deixamos para trás, e nem todo mundo consegue se adaptar. Me sinto muito grata e abençoada por ter o apoio de tantas pessoas que me ajudaram e continuam me ajudando a estar aqui: minha família, amigos e os brasileiros por me acolherem tão bem. Todo esse apoio, quero sempre retribuir a este país, que me abriu suas portas e me deu as oportunidades que tanto sonhava.


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