Nós tentamos planejar a nossa vida a todo instante. Se pudéssemos, o nosso futuro seria planejado nos mínimos detalhes, mas sabemos que tudo na vida, na maioria das vezes, é improvável. E é desta maneira que acontecem coisas incríveis e muito importantes para a vivência social, profissional e familiar.

Sabendo disso, temos certeza de que Miguel José das Neves não imaginava ser professor e muito menos lecionar ao lado daqueles que foram os seus professores durante a graduação. A vida é uma caixinha de surpresas e hoje você vai conhecer a história deste ourinhense.

A vida de Miguel

A vida de Miguel iniciou em Cáceres, no Mato Grosso, sendo onde ele nasceu. Mas ele considera o início de sua vida quando residia no bairro Vila Leopoldina na Lapa de São Paulo, porque é a partir desta época que ele tem lembranças. É a famosa frase do “desde que me lembro por gente”.

Depois passou por Guarulhos, Parelheiros, Interlagos e Ourinhos em 1983. Aqui estudou na escola estadual Domingos Carmelingo Caló e passou no vestibular da universidade de Jacarezinho, no Paraná. As bobeiras da juventude não permitiram que finalizasse a graduação e trancou. Nesta altura do campeonato, Miguel já trabalhava com seu pai, desde os 14 anos, em uma oficina de televisão.

Os 20 anos chegou e com a idade a oportunidade de trabalhar no Bradesco de Ourinhos no setor de seguros. Um ano e meio depois foi para o Bamerindus Seguros e casou-se com Kenia, mulher que conheceu no grupo de jovens da igreja que sempre frequentou, o Santuário Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe.

Anos passaram e Miguel resolveu ser autônomo. Foi trabalhar com venda de seguros sendo o seu próprio patrão e nesta época sua filha nasceu, Juliana, em 1996, que por coincidência é a repórter que vos escreve esta reportagem.

Em 2002, recebeu uma intimação dos irmãos mais novos para fazer a inscrição do vestibular da Fatec Ourinhos. Na época, seria a primeira turma de um novo curso. O mais interessante é que Miguel foi aprovado e os irmãos não. E decidiu ir até o fim da graduação.

Ao término do segundo módulo do curso, os alunos precisavam decidir para que área iriam continuar estudando e Miguel decidiu a Licenciatura em Sistemas de Informação. “A computação sempre teve de minha parte uma atração, pois eu já fizera cursos de computação com aqueles computadores de tela verde”, relembra Miguel.

Aos 33 anos ele se formou, em 2005, e ainda tinha a sua profissão de corretor de seguros e algumas atividades empreendedoras na área de Banco de Dados. Entretanto, o desejo era de iniciar a dar aulas.

A conclusão da graduação e o início da vida profissional.

O professor Miguel

Miguel conseguiu aulas de informática em uma escola técnica na cidade e encarou como uma ação que poderia abrir portas maiores. E foi realmente o que aconteceu. “Para minha surpresa, após um contato na Fatec Ourinhos, fui chamado para dar aulas em substituição de Banco de Dados no início de 2007. Justamente no último lugar que eu pensava que daria aula. Foi o primeiro momento no ensino superior como professor”, conta Miguel.

Um ano anterior já havia começado o seu mestrado na PUC-SP e em 2008 começou a lecionar no Centro Universitário Unifio, na época era chamado Faculdades Integradas de Ourinhos. Em 2009, ficou afastado da Fatec porque não houve concurso para prestar e ser professor efetivo.

No ano seguinte, surgiu a oportunidade de concurso na Fatec Americana. Ele tentou o concurso e foi aprovado. Em 2011, conseguiu outra oportunidade com transferência para Bauru e precisou mudar de cidade. Na Fatec Bauru foi coordenador do curso de Banco de Dados e teve o desafio de transformar um curso avaliado em nota 1 em nota 5.

“A minha vida estava tranquila em Bauru. Mas a necessidade de acompanhar a minha sogra, que morava com o seu esposo de 90 anos-hoje ele é falecido, eu e minha família voltamos para Ourinhos em 2018. Praticamente, voltei no zero em quesito de aulas, estou lutando em processo para conseguir atribuição de uma mudança para a Fatec Ourinhos”, assume o professor.

Autoavaliação

O sentimento é de gratidão por viver na escola que estudou como professor. É um orgulho trabalhar pelo futuro dos jovens e por construir a sua vida na Fatec Ourinhos. Ainda mais trabalhando ao lado daqueles que foram os seus mestres na graduação.

Como professor eu gosto de ir além, ver as necessidades e fazer de tudo para que os jovens tenham sucesso. Sempre me preocupo com o futuro profissional dos alunos, acredito que marco neles a figura de alguém que escuta e reflete, pois, podemos crescer juntos e sermos melhores que nós mesmos ontem”, finaliza Miguel.

E o futuro será sempre de muito aprendizado, de um estudo contínuo para sermos humanos em crescimento individual e em comunidade. Para Miguel, o importante é nunca esquecer que os frutos dos alunos também são dos professores, porque são por causa destes profissionais que outras pessoas são visíveis na sociedade.


Uma história que comprova o quanto o mundo dá voltas e o quanto temos que batalhar para alcançar os nossos objetivos.


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1 COMENTÁRIO

  1. Parabens Miguel pelos objetivos alcançados,
    Bom filho a casa retorna , sucesso sempre !!

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