Estatísticas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o câncer de mama é um dos que mais atinge as mulheres. Em 2019, foi registrado 59.700 novos casos do país, um número que representa 51,29 casos por 10 milhões de mulheres. Bem como é o tipo de câncer que mais causa mortes.

Estima-se que em 2020 foram 2,3 milhões de casos e a previsão para 2021 é de 66.280 casos de câncer de mama. A porcentagem de óbito representa em 15,5% de falecimentos de mulheres por esta tipologia da doença.

É em razão destes números assustadores que, há quatro anos, nasceu o grupo Amigas do Peito na Unidade de Oncologia da Santa Casa de Ourinhos. Os primeiros passos vieram da vontade de mulheres em tratamento se reunirem. O grupo foi tomando proporção que hoje também integra mulheres que não têm a doença.

Amigas do Peito

Cada vez mais o grupo foi aumentando, porque, infelizmente, diariamente alguma mulher é informada sobre estar com doença. Então, o objetivo central do grupo é o acolhimento, é mostrar para a mulher que outras já passaram por esta situação e conseguem enfrentar quaisquer dificuldades. E, claro, não estarão sozinhas durante o tratamento. O foco é dar apoio e ajuda para o próximo.

Os encontros e conversas são realizados em uma sala especial dentro do hospital. Conforme o ativismo ia aumentando, as autoridades hospitalares perceberam a necessidade de o grupo ter um espaço só para elas e cederam uma sala. Espécie de um quarto acolhedor pintado na cor rosa, sofá rosa, almofadas rosas, é tudo rosa que ao entrar já é possível de sentir a energia positiva do local.  

O mais interessante que tudo que está lá vieram de doações. As Amigas do Peito é sem fins lucrativos, sendo assim, tudo que tem e tudo que doam para as mulheres em tratamento são advindos de doações da população ourinhense.

“Nesta sala, trocamos experiências e as mulheres saem daqui com esperança. A verdade é que não temos muito o que fazer. Devemos ser fortes e encarar tudo o que for preciso, nós somos o apoio de cada uma”, fala Wanderlea Gonçalves Ramos, uma das líderes do grupo.

Antes da pandemia, o grupo se reunia todos os dias e sempre promoviam alguns pequenos eventos para dar ânimo à mulherada. Por exemplo, um dia de automaquiagem, um dia de beleza para o cabelo, dia de manicure e pedicure e muitos outros. Tudo na salinha rosa. Mas a pandemia impediu que isso continuasse, então as meninas vão até o hospital quando os médicos avisam que uma paciente foi diagnosticada com a doença para iniciar a ajuda.

Projetos

Os projetos são os empáticos que existem na vida. O primeiro criado tem o nome de “Almofada Terapêutica”, é uma almofada que ajuda no conforto do momento pós cirurgia. A “Prótese Mamária” é para colocar no sutiã, também após a cirurgia de retirada da mama.

O “Café com Amor” é a oferta de um cafezão da manhã com bolos, cafés, chás e outras delícias para a mulherada que está diariamente no hospital fazendo o seu tratamento. Todos os produtos são doados pela população.

A “Mechas com Carinho” é a doação de mechas de cabelos dos cabeleireiros da cidade para a confecção de perucas. É um casal de Salto Grande, estado de São Paulo, que fabricam as perucas de modo solidário, nada é cobrado. As mechas são doações e as perucas também são doações.

A “Arrecadação de Lenços”. As amigas sempre fazem campanha pedindo lenços para confecção de diferentes turbantes, os modelos são fabricados conforme o melhor uso para cada estação do ano. E, por fim, não menos importante, o “Pense Rosa” que mulheres que estão terminando ou finalizou o tratamento são fotografas e as imagens ficam expostas no corredor do hospital.

Todos têm o objetivo de animar as pacientes e são atalhos para que a vida fique mais leve, mais alegre até o final do tratamento. Até o dia de tocar o sino instalado no corredor da Radioterapia e da Quimioterapia no hospital. O som significa vitória contra a doença.

“Não tenham medo. Este é o meu recado para as pacientes. Realizar exames anualmente e descobrir de modo precoce, tudo fica mais “leve” e “fácil” de encarar. Com o tempo as mulheres estão entendendo e procuram se cuidar melhor com mais atenção e carinho consigo mesmas”, fala Wanderlea.

Ourinhos

Os ourinhenses são só amor com as Amigas do Peito. Muitos dizem tirar o chapéu por todo ato voluntário das mulheres com outras pacientes. É uma atitude que faz a diferença na vida das pessoas. Já ouviram de tantas pessoas que é muito difícil um hospital ser acolhedor desta maneira.

“Como não vamos ajudar alguém que precisa depois de tudo que já passamos e sabemos que dá certo? A nossa conversa, o nosso acolhimento é um conforto. E a nossa recompensa é ver as mulheres suportando tudo”, finaliza a líder.

Futuro

O futuro é incerto, justamente pela pandemia, mas a certeza é de que irão encontrar alguma maneira para colocar em prática novos projetos. A intenção é motivar a campanha o ano todo, não somente em outubro.


São por estas atitudes que acreditamos em um mundo melhor no futuro!


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