Boas iniciativas são sempre muito bem-vindas, ainda mais de pessoas como eu e você, não é mesmo? Aqui em Jundiaí, o trabalho realizado há 17 anos pela ACAI (Associação de Combate à AIDS Infantil), atuando no suporte a crianças e seus familiares portadores do vírus HIV, é de encher os olhos – e o coração de esperança.

A fundadora da Associação, Flavia Botelho, afirma que a criação da ACAI veio suprir a carência de algumas instituições que atendiam pacientes portadores de HIV. Flávia conta que 20 anos atrás, quando trabalhou com algumas ONGs de prevenção, voltadas para o grupo de risco do HIV da época (garotas de programa, homossexuais e usuários de droga), já percebia que existia um outro público, formado por mães com crianças portadoras de HIV, que se sentia deslocada nessas ONGs.

A ideia era de acolher essas mães e também alguns pais solteiros que perderam as esposas, e que ao frequentassem a nossa casa elas percebessem que a AIDS é uma doença que requer cuidados sim, mas que poderiam ainda trabalhar, ter filhos, e que as crianças poderiam ter uma vida normal.

contação de história lúdica para crianças atendidas pela associação
A ACAI atende famílias de crianças menores de 12 anos, encaminhadas pelo Ambulatório de Moléstias Contagiosas de Jundiaí. (Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução)

Cuidados

Atendendo cerca de 120 pessoas de diversas cidades de Jundiaí e região, os casos chegam à ACAI por meio do Ambulatório de Moléstias Contagiosas de Jundiaí. “Existe no Ambulatório um grupo de assistentes sociais que avaliam a situação das famílias que passam por lá. Detectados casos que precisam de um apoio social mais atuante, onde o Estado não consegue ajudar, encaminham para nós”, explica Flávia.

O trabalho da ACAI para com a pessoa que sai do Ambulatório com o diagnóstico positivo para HIV, segundo Flávia, vai muito além do acolhimento e orientação. “Fazemos todo um trabalho psicológico com essa pessoa. Procuramos resgatar sua dignidade. Hoje, a AIDS não é uma sentença de morte, então mostramos para elas que este é apenas um dos problemas que elas terão que passar na vida delas, e que nós estamos sempre com ela”.

Transformação de vidas

E o acolhimento realizado não é só para o indivíduo portador do HIV, mas para toda a família. “Um exemplo: nós acolhemos a mãe. A mãe tem 3 filhos, mas ela mora com a avó, que por sua vez tem um neto adolescente. Então no final não é só a pessoa que é dona do prontuário que é atendida, a gente estende o nosso atendimento para toda a sua realidade familiar”, afirma Flávia.

A ACAI também proporciona para as crianças e suas famílias momentos de lazer, com as atividades e passeios promovidos pela ONG Sonhar Acordado. Alimentação saudável, calçados, roupas e brinquedos também são oferecidos às famílias assistidas. “A gente faz no final do ano uma campanha de roupa, calçado e brinquedo pra elas. Esses itens, muitas vezes, serão os únicos que eles vão ter pra passar o ano”, lembra a fundadora.

Independência

Pensando ainda não apenas na independência financeira dessas mães e pais de família, mas sobretudo em seus hábitos alimentares mais saudáveis, a ACAI lançou recentemente um projeto de culinária sustentável.

Formada em gastronomia, e apaixonada por culinária desde criança, o projeto nasceu quando Flávia percebeu que mães e filhos não se alimentavam bem por dois fatores: situação financeira pouco favorável e pela falta de informação acerca da possibilidade de se reaproveitar diversos alimentos.

flavia ao lado de uma mesa com paes e produtos da oficina oferecida pela acai
Flávia Botelho é formada em gastronomia e ministra as oficinas para as mães, pais e avós assistidos pela entidade. (Foto: Márcia Renata/Solutudo)

Pensado em duas etapas, o projeto visa na primeira fase, já em andamento, conscientizar as famílias acerca da importância de cultivar e preparar os alimentos em casa, e de se aproveitar o máximo possível deles.

Percebi que a culinária poderia transformar a alimentação dessas famílias. Existem maneiras de você se alimentar gastando muito pouco. Vai comprar pão? Por que não fazer em casa? Por que não plantar tomate, salsinha em uma garrafa PET, ao invés de gastar dinheiro? Com isso pode-se trabalhar também valores com as crianças, como por exemplo a paciência.

Prevista para o segundo semestre de 2020, a segunda fase do projeto pretende transformar a oficina em fonte de geração de renda. Flávia explica que, passada a teoria nessa primeira fase, para os alunos que tiverem disposição e disponibilidade, a cozinha da entidade estará disponível para que produzam os alimentos e eles mesmos vendam.

pães produzidos na oficina da acai
Pães produzidos nas oficinas oferecidas às famílias. (Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução)

“’Flávia, tenho uma encomenda de 3 pães. Posso ir à ACAI para usar a cozinha?’” Claro que pode! Nosso assistido vem e, sempre com a minha supervisão, seguindo os padrões de higiene e qualidade, a cozinha estará aberta para que eles possam ter sua própria fonte de renda, sem cobrança alguma!”, afirma.

A oficina fará com que essas pessoas tenham a liberdade para escolher o que farão da vida delas e não depender mais de nós. A culinária muda o mundo.

Que bacana, não? Vale a pena conhecer e apoiar ações como essas da ACAI em nossa Jundiaí! Use as informações abaixo para entrar em contato e oferecer o seu apoio à causa! Com certeza você fará a diferença na vida de dezenas de crianças e suas famílias. ?

ACAI – Associação de Combate à Aids Infantil

  • Endereço: Avenida Francisco Pereira de Castro, 318 – Anhangabaú
  • Telefones: (11) 2816-2938
  • Facebook
  • Instagram

Gostou desse conteúdo? Deixe seu comentário no campo abaixo! E se você conhece alguma história bacana de Jundiaí e quer que ela seja contada aqui, entre em contato pelo e-mail: jornalismo.jundiai@solutudo.com.br

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, deixe o seu comentário
Por favor insira o seu nome aqui