Na Cohab 1, margeando a avenida Mário Barberis, a pequena capela de Anna Rosa certamente atrai a atenção pelo seu aspecto simples, com coloração rosa e a história de crime que transformou uma jovem de 20 anos, vítima de um homicídio, em ‘Santa’.

Por conta da fé, por dia a capela recebe de 20 e 30 visitantes. Número que chega a dobrar aos finais de semana. Isso é o que diz o responsável pela manutenção do local, José Caetano, o Gringo.

José Caetano recepciona turistas e visitantes na Capela

“Vem gente de todos os lugares até aqui. Esse último mês recebemos visitantes de Ourinhos, Capão Bonito, Santo André e outras cidades de perto. Certamente, vem gente de todo o Brasil”, diz

Para receber esse fluxo de visitantes o local é tratado como ponto de interesse turístico.

Por essa razão fica aberto para visitação diariamente, em horário comercial. Portanto, vez ou outra os visitantes podem encontrar o portão fechado, mas basta bater palmas que logo o acesso é liberado.

De acordo com Caetano muitos visitantes relatam a conquista de graças e milagres por intermédio da beata (Santa não reconhecida pela Igreja Católica). “Trazem objetos e fotos para deixarem na igreja”, explica.

Com certeza a capela simples é um ponto de referência no turismo religioso da região.

E cabe a Caetano e sua irmã, Sandra Maria Dornel recepcionarem os turistas e contarem a história de Anna Rosa, aos visitantes há mais de 20 anos.

História transmitida de geração para geração

A fama de “santa” também garante à Anna Rosa visitação recorde em seu túmulo no Cemitério Portal das Cruzes, anualmente no Dia de Finados. Enfim relatos de curas e conquistas por intermédio da “santa” percorreu o brasil.

Portanto essa fama não passou em branco e em 1957, a dupla sertaneja Tião Carrero e Pardinho gravou uma música que relata detalhes da tragédia.

Atualmente a história ganha ainda mais projeção através da internet com o filme independente de Davi Franque, postado em 27 de março de 2018

Em meados dos anos 2000 a Cia. De Teatro Notívagos Burlescos adaptou a história para uma peça de teatro e mais recentemente, em fevereiro outro grupo local, os Anônimos da Arte, tambémn adaptaram a tragédia para os palcos.

Nos anos 1990, a história chamou a atenção do memorialista Moacir Bernardo e como resultado decidiu pesquisar documentos de época. Foi então que em 1998 lançou o livro “Anna Rosa – Sua Vida, Sua História”.

Afinal o que aconteceu com Anna Rosa?

Anna Rosa tinha 20 anos quando foi assassinada

Boa parte da história de Anna Rosa é repassada de geração para geração através da tradição oral. Os jornais noticiaram a morte de Anna Rosa no dia 21 de junho de 1885.

Ela foi assassinada pelo marido, o peão machista e cruel Francisco de Carvalho Bastos, conhecido como Chicuta em 1885.

De acordo com os relatos, certamente Rosa sofria nas mãos de Chicuta. Tanto é que um dia procurou refúgio no Cabaré da Fortunata, um bar na região da rua Amando de Barros.

Ao encontrar a casa vazia Chicuta e como resultado ficou irritado. Por consequência disso contratou Antônio da Silva Costa, vulgo Costinha, e Hermenegildo Vieira do Prado, para juntos assassinarem a esposa.

Onde hoje fica a Capela aconteceu o crime. Anna Rosa foi cercada por Chicuta e Costa e acabou sendo morta e esquartejada.

Pouco após sua morte o lugar passou a receber peregrinação de féis de todo o Brasil. O peregrinos quase sempre relatavam milagres e conquistas alcançadas por intermédio de Anna Rosa.

Os criminosos foram julgados e presos, porém acabaram tendo mortes trágicas. Costinha foi esmagado por uma árvore que tentava cortar. Chicuta, ao consertar a carroça teve a cabeça decapitada pelas rodas. Concluindo, Hermenegildo morreu de varíola na prisão.

Você conhece a Capela de Anna Rosa

A cruz negra ao lado da Capela representa, supostamente, o local onde Anna Rosa foi assassinada e mutilada
A singela Capela margeia a Avenida Mário Barberis, na Cohab 1 e permanece aberta para visitação em horário comercial
Interior da Capela é bastante simples e acolhedor. Local perfeito para oração e meditação
Flores e imagens compõem a decoração de fé e devoção da Capela de Anna Rosa

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