A beleza incontestável de Botucatu fica ainda mais evidente quando temos a chance de percorrer nossas praças públicas. Espalhadas pelos quatro cantos da cidade, elas oferecem lazer e diversão e aproximam as pessoas. Além disso, esses espaços ajudam a contar um pouco da nossa história.

Um bom exemplo é a Praça Coronel Moura – também conhecida como Largo do Paratodos -, que faz a ligação entre a Rua Amando de Barros e a Avenida Floriano Peixoto, num dos pontos de maior movimentação na região central.

Para quem não sabe, foi ali que começou o povoamento de Botucatu, numa faixa de terreno que avançava até as margens do Ribeirão Lavapés, onde se concentrava a tribo dos Índios Caiuás. De acordo com o historiador João Carlos Figueiroa, no livro Passeios da Memória, “ali estava o primeiro arranchado de moradores”.

Quando as tropas de mulas chegavam no alto da serra estavam tão cansadas que arranchavam. O pouso de tropeiros que deu origem a Botucatu ficava nas proximidades da Praça Coronel Moura. Nasceu, assim, o arranchamento que fixou os homens no alto da serra, ou Cuesta de Botucatu.


Desenho de pouso na subida da Serra de Botucatu, de autoria do engenheiro Carlos Schimidt, nos anos 1880. Atual descida para o bairro rural de Piapara, em Botucatu.
Crédito: Caderneta de campo do engenheiro Carlos Schimitd, guardada na faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. Acervo do Engenheiro João Fernando Toledo Pizza.

E exatamente onde hoje está o abrigo de ônibus, foi erguida a primeira Igreja Matriz da Cidade, entre os anos 1850 e 1860. Por conta disso, os primeiros moradores logo passaram a chamar o local de Largo da Matriz e/ou Páteo da Matriz.

Tempos depois, com a construção da nova Matriz, entre as avenidas Santana e Dom Lúcio, a antiga igreja foi entregue à Irmandade de São Benedicto. Como não podia deixar de ser, o povo batizou o local como Largo de São Benedicto, que mais tarde também passou a ser chamado de Largo da Liberdade. 


A antiga matriz, que depois tornou-se Igreja de São Benedicto, batizou o local.
Crédito: Acervo do Museu Histórico Francisco Blasi

Até 1904 havia um grande barranco de quase dois metros de altura do lado de baixo, consequência do nivelamento vindo da Avenida Floriano Peixoto. Depois de executadas as obras para aplainar o terreno foi feita a arborização do local. A igreja acabou demolida em 1918.

O batismo atual

Em 20 de julho de 1918, o presidente da Câmara, vereador Antonio Cardoso do Amaral, apresentou indicação denominando o espaço de Praça Cel. Moura numa homenagem ao Coronel Raphael Augusto de Moura Campos, morto no dia 9 de abril daquele ano. Em 1930, na gestão do prefeito Octacilio Nogueira, a praça ganhou um belo jardim.


O belo jardim da Praça Cel. Moura foi entregue em 1930.
Crédito: Acervo do Museu Histórico Francisco Blasi

Em 1937, a cidade comemorava a inauguração de um grande prédio em frente a praça. Era o Cine Paratodos, com capacidade para 800 pessoas. O edifício em estilo art-deco virou um símbolo da cidade e logo a Praça Coronel Moura também passou a ser conhecida como Largo do Paratodos. 


A inauguração do Cine Paratodos foi um marco para a cidade e deu novo charme à praça.
Crédito: Acervo do Museu Histórico Francisco Blasi.

Na década de 1950, a mão de direção era no sentido contrário do que temos nos dias de hoje.
Crédito: Acervo do Museu Histórico Francisco Blasi.

Grandes mudanças

A praça passou por uma mudança radical na década de 1960, durante o governo do prefeito Joaquim Amaral Amando de Barros. O projeto, assinado pelo arquiteto Nadir Cury Mezerani, remodelou todo o jardim e incluiu a construção de uma concha acústica com anfiteatro.


Vista aérea da praça na grande reforma promovida em 1967.
Crédito: Acervo do Museu Histórico Francisco Blasi.

Agora, a Prefeitura acaba de entregar uma nova reforma, que revitalizou toda a praça. Entre as principais novidades estão a construção de praça de alimentação com quiosques, academia ao ar livre, playground, melhorias na acessibilidade e novo paisagismo.

A praça onde Botucatu nasceu está de cara nova. E linda, como sempre!


O busto construído para eternizar a homenagem ao Cel. Raphael Augusto de Moura Campos .
Crédito: Carlos Pessoa

Em julho de 2019, a Prefeitura entregou a praça totalmente revitalizada
Crédito: Carlos Pessoa

Hoje reformada, a concha acústica na década de 1960 ganhou apelido de “repolho” dos estudantes de Medicina.
Crédito: Carlos Pessoa

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