Vamos fazer uma viagem ao tempo para conhecer a história da misteriosa capela que está isolada em um canavial e é o último elemento que restou de uma das fazendas mais poderosas da história da cidade de Lins

Capela São Pedro está localizado em área de plantação de cana, no acesso Lins-Monlevade

Era início do século. Ainda os primeiros colonizadores surgiam na região desbravando o território ainda habitados por índios coroados e os Kaingangs. A estrada de ferro que trouxe a oportunidade do surgimento de Lins, despertava o interesse de famílias para compra e exploração da terra, para produção do café.

Diversas colônias italianas e japonesas começavam a se estabelecerem na região.

Na referida área, antigos moradores testemunham chegarem junto aos compradores das terras que, por razões de sua devoção, a denomina de Fazenda São Pedro. Enquanto era preparada para o cultivo, as madeiras eram vendidas para serem empregadas na construção da ferrovia por onde transitava a Maria Fumaça. Futuramente em algum ponto da região se construiria a estação Monlevade, cujo nome é homenagem a Francisco de Monlevade, engenheiro inspetor da ferrovia.  conforme a foto que mostramos abaixo; tudo leva crer em 1921.

Será imaginariam eles que Lins seria tudo o que se tornou hoje?

A Capela

A capela São Pedro e o coreto onde aconteciam manifestações locais. O coreto foi demolido.

Dada sua grande devoção, construiu-se em honra a São Pedro a capela. Já diversas famílias participavam da fazenda; possuía até mesmo escola.

A escola na Fazenda São Pedro que atendia de 1ª a 4ª série do primário

As atividades na Capela São Pedro

A cada 2 meses, o padre Kondó visitava a fazenda dando assistência religiosas aos moradores e celebrava missas. Nela, vários casamentos aconteceram, primeira comunhão e muitas outras atividades típicas da religião.

Padre Kondó na década de 40

O “espanto” que o Padre Kondó trouxe a comunidade

Todo linense sabe a grande contribuição e prestígio do padre à cidade de Lins, digno de honrarias imensas. Um detalhe interessante, referindo-se à Fazenda São Pedro, é que nela aconteciam grandes festas. Os proprietários da fazenda ofereciam tecidos para que fossem feitas novas roupas aos moradores para participarem da grande festa.

Uma das festas na Fazenda São Pedro

Antigos moradores contam que um episódio foi marcante. Na primeira vez que o padre Kondo compareceu a fazenda, trouxe grande “espanto e admiração”, pois o padre era Japonês, situação nunca presenciada pelos moradores dali. Outro detalhe: o Padre Kondo realizou as suas primeiras missas em Lins, por volta de 1947.

As mudanças da Fazenda

Vista Interna da Capela atualmente. O espaço é utilizado ocasionalmente para rituais religiosos

Vendida, os novos donos arrendaram a área para o plantio de cana, permitindo-se apenas a manutenção da capela, por ser um patrimônio histórico protegido por documentos oficiais, que impedem sua demolição.

Detalhes da fachada da capela atualmente

A curiosa história desta foto

Esta foto foi produzida em 2020 por Josué Reis e Danilo Godoi, em noite de grande escuridão, enquanto se aguardava o nascimento da Lua Cheia

O local é desprovido de iluminação. Desejando fazer uma fotografia que mostrasse a capela com o nascimento da lua cheia, esperamos pela mesma em um “breu absoluto”. Não se via absolutamente nada. Nossa ideia foi aplicar a técnica fotográfica chamada Lightpaint (pintando com luz). Para isso alguém precisava segurar um flash dentro da capela enquanto o outro dispara a fotografia distante da mesma. Seria esta uma situação que mexe com o seu imaginário? Por enquanto, apenas imaginário. Nenhum sinistro foi percebido.

A técnica permite a captura de luzes imperceptíveis ao olhar humano;por isso o céu claro como um amanhecer.

Fizemos uma matéria em que o vídeo produzido para tal, teve a capela como cenário. Veja:

Coisa boa conhecer o contexto dos ambientes que fazem parte da nossa história, não é mesmo? Estamos sempre trazendo informações históricas riquíssimos e são imperdíveis. Nossa dica é pra você ficar sempre ligado em nossas redes sociais. Lá, tudo que é novo, estamos publicando pra você.


Conhece a capela do Monlevade? Já passou por lá? Que tal fazer uma foto e mandar para gente? Esperamos sua participação aqui, nos comentários.

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31 COMENTÁRIOS

  1. Maravilhosa a reportagem sobre a Capelinha de Lins! Minha mãe nasceu num sítio da região de Monlevade! E meu avô levava ela e as irmãs nos bailes da fazenda São Pedro! E a foto da capelinha ficou magnífica! Fico imaginando vcs produzindo a foto, escuridão total, lua cheia e tentando iluminar a capelinha! Ainda bem que não houve “nada” sinistro!!Rs! Parabéns!

  2. Afinal alguém pode me dizer qual foi o “”mistério revelado”” ou é só pra fazer você ler a matéria e perceber que não existe mistério.

    • Olá Maurício. Obrigado pela participação. O “Mistério” é a existência da capela em sí. Como fica isolada, a população da cidade sempre se perguntou o porque disso. Quais eram sua origens e propósitos? Era uma pergunta recorrente e a matéria pôs fim a esta interrogação.

  3. Sempre é interessante e enriquecedor conhecer as histórias das coisas, pessoas e lugares.
    Mas é revoltante e inadmissível em pleno 2022 o uso de termos como “ferozes kaingangues”.
    Jamais na História bexistiram “índios ferozes” e sim etnias indígenas exterminadas, ou perseguidas, escravizadas, expropriadas violentamente de sua dignidade, liberdade e de seus territórios e direitos fundamentais.
    Por obséquio, por consciência e por decência, corrijam essa parte do texto!

    Não é nenhum favor dizer-se sempre a verdade.
    O Brasil real agradece, e as crianças de hoje, adultos de amanhã agradecem ainda mais.

  4. Eu já passei por lá com uma amiga andado de bike não conhecia a história dela sabia que era centenária porque está amiga me contou , Eu morava em Osasco e né mudei pra Lins com os meus pais faz uns 19 anos 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼

  5. Olá Josué!

    Parabéns pela matéria!
    Minha sogra morou nesta fazenda S. Pedro e o pai dela era o motorista na época!
    Ela mora em Curitiba e está com 89 anos e lembrou das fotos e descrições.
    Vamos buscar mais informações e contribuir no histórico!
    Consegue enviar a localização da capela?

  6. Boa tarde

    Texto interessante, história bonita!
    Mas farei uma sugestão:
    Onde tiver a palavra Índio coloque povos nativos e onde ele são “ferozes” por guerreiros defendendo suas terras, seus lares e suas famílias!
    Apenas uma sugestão, apaixonados por história tem dessas coisas

  7. Ola Josué. Sou historiador daqui de Campinas e levantei a história de Barão Geraldo, uma vila que surgiu de uma estação de trem do mesmo nome perto de Campinas. O livro foi lançado mês passado. A HISTÓRIA É MUITO PARECIDA COM A DE LINS E MONLEVADE. Além disso no meu livro comparo a história de Barão com a história de Lins a partir de uma texto escrito pela professora da USP Maria Isaura Pereira de Queiróz em sua pesquisa sobre Lins (“Bairros Rurais Paulistas” o titulo do livro). Gostaria muito que fosse divulgada e conseguisse interessados. Como a capela de Monlevade , temos a Estação que deu origem a Barão onde mora uma família… Como fazer para preserva-la e se possivel recupera-la?? Mas enfim que delicia de Historia que vc contou. Parabens!

  8. Qdo menino cheguei a ir de Lins a Monlevade, saimos já da Estação Nova fora da cidade após o antigo baireo São João. Não conheci essa capela, até hoje não sabia dela. Conheço uma outra no caminho para Gyarantã, Guaimbê, Garça… Seria a capela de Fatima.Tenho em minha sala uma pintura, dela, feita por meu irmão Roberto ja famecido.

  9. É, essas relíquias estão se acabando ,infelizmente muito triste.
    Hoje já não se tem muito patrimônio histórico como esse, que graças a Deus preservaram essa capela .
    Parabéns a vc Josué por está matéria.

  10. Meu amigo!!!!!! Parabéns!!!!!
    Passei muitas vezes de Bike ali.
    Tiramos fotos mas nunca imaginei uma história tão rica e bela como essa.
    EXCELENTE trabalho meu irmão.

  11. Ótima reportagem.
    GUARANTÃ tem uma capela abandonada no o canavial da Fazenda Coqueirao. Gostaria de ver uma reportagem sobre ela.

  12. Eu conheço a capela pois passo sempre lá quando vou à Marília, já assisti uma missa lá, pois meus tios moravam próximo. Nosso bispo emérito Dom Irineu Danelon, tentou reforma-la e não conseguiu. Amei ler a história ,pois tive participação nela

  13. Artigo preconceituoso contra os indígenas da etnia je, da família dos kaingang, referido com plural, já que desconhece a lei que grafa família indígenas sem plural, e tratados como “ferozes” ou seja, selvagens, bárbaros, incivilizados, e que “ainda estavam habitando” como se quando os primeiros colonizadores estavam “desbravando” a área, ou seja deixando de deixar bravo, “índio bravo”, quando que eles foram barbaramente quase exterminados, de forma brutal, cruel, e muito incivilizados, suja, bárbara, estúpida… Existe uma reserva de terra indígena próxima a Araçatuba com menos de 100 habitantes, essa é a menor aldeia desse estado de São Paulo dos quatro estados que ocupam, PR, SC e RS, dessa família que ocupou esses territórios há 3000 anos atrás, numa dissidência de uma etnia que estava onde hoje é o território brasileiro há mais 15 mil anos, os verdadeiros donos dessa terra, e que já tinha problemas com os tupi vindo do Equador há 3 mil anos. Pelo jeito a coleção SAKAI não ensinou nada a está cidade, e espero que ela se mude daí o quanto antes. Povo que não sabe sua história não sabe para onde vai, que não sabe da onde vem, não sabe nem pra onde está indo. Pois com certeza mais de 50% da população dessas regiões tem o sangue kaingang correndo em suas veias, procurem saber da exposição na USP sobre eles, está na sala principal do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, o MAE USP, e mostra como são bons artistas, com lindas cestarias e trançados, com muitos princípios, povo pacífico e que vive em harmonia com a natureza, que tem suas crenças, seu modo de vida, seus hábitos, sua cultura e merece respeito.

    • Parabéns pelo comentário sou descendente de indígenas de Lins e o artigo eh totalmente distorcido o que vc disse sim é a realidade !! Que bom que ainda temos pessoas que não se curvam ao preconceito e as mentiras que contam por aí !

  14. Fiquei surpresa e emocionada ao ver a capelinha de São Pedro onde fiz minha primeira comunhão com o Padre Kondó, pois fui criada nessa fazenda também de nome São Pedro. Meu pai era marceneiro e talvez esse coreto que apareça tenha sido feito por ele. Meu pai também fez os móveis da capela. Fiquei triste pelo abandono em que ela se encontra e nem sabia que ainda existia. A escola que aparece foi onde fiz os quatro primeiros anos e três professoras me marcaram muito: Dona Cartola, Maria de Lurdes Zorman e Enila Fogolin. Uma outra nem quero lembrar pois era muito má. Meu pai fazia os bailes no salão onde também funcionou como escola ou no terreirão de café pois ele também beneficiava café. Acho interessante tentar resgatar memórias que ficam tão esquecidas. Parabéns Josué Reis. Continue suas pesquisas.

  15. Eu ia compartilhar o texto, não fosse o preconceito no corpo do texto em relação aos indígenas. Em meu sangue corre sangue indígena e eu sou moradora de Lins.

  16. Interessante o artigo, mas mto infeliz em seu inicio reproduzindo preconceitos contra os povos originarios de essa região, ferozes sao os que dizimaram os Kaingang para criar igrejas e monoculturas.

  17. Que linda a história da capela um belo mistério de amor a terra, às coisas simples e a raiz muito lindo agradeço por trazer tanta vida do passado para nosso momento atual sensibilidade é tudo me apaixonei!😍

  18. Conheci o padre Kondó: ele foi vigário da igreja Nossa Senhora de Fátima, na entrada da cidade!

  19. Onde se lê “O proprietário oferecia tecido para que as pessoas fizessem roupas para as festas”, deveria ser “O senhor de mentalidade escravagista oferecia tecido para que as pessoas que não ganhavam o suficiente nem para comer decentemente, fossem mais bem vestidos para não ofender os olhares do povo da casa grande”

  20. Excelente matéria Josué, parabéns pela dedicação, era muito comum a construção de capelas desse tipo nas fazendas, em um passado distante, ainda bem que essa foi preservada.

  21. Por favor, preciso levantar os registros da fazenda Monlevade para saber de qual cidade de Portugal , veio meu bisavô. Vc poderia me ajudar como historiador? Saber se tem algum escritório que cuidava da admissão dia imigray portugueses, ou onde estão os registros de batismos da capela, ou ainda as matrículas das criay na escola da fazenda. .qualquer informação será muito bem vinda. Obrigada…etc.

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