No século passado, a Escola Normal de Botucatu era sinônimo de excelência no ensino. Essa condição trouxe para a cidade renomados profissionais que contribuíram com a formação de várias gerações.

Uma dessas figuras foi o professor Alcino Pellegrini, figura destacada do esporte nacional, que na juventude conquistou títulos com a seleção paulista e brasileira de basquete e décadas depois viria a ser o preparador físico do Santos Futebol Clube, no time que bicampeão do mundo com Pelé & Cia.

Nascido em Casa Branca, interior de São Paulo, no dia 21 de setembro de 1917, foi apaixonado por todos os esportes, dedicando-se principalmente ao basquete. Começou jogando no time da ACCP (Associação Casabranquense de Cultura Phisica). Já em São Paulo, como universitário, jogou no Esperia, no São Paulo, no Palestra Itália, na Federação Universitária e integrou a seleção paulista e a seleção brasileira, conquistando títulos importantes.

Formado na Escola Superior de Educação Física, hoje a Faculdade de Educação Física da USP, chegou a Botucatu em 1941. Aprovado em concurso público, o jovem professor assumiu a cadeira de Educação Física na Escola Normal. Depois também viria a lecionar no Ginásio Diocesano.

Seleção botucatuense de bola ao cesto (1943). Alcino Pellegrini é o primeiro da esquerda para direita
(Foto:Arquivo pessoal/Zé Airton)

Por aqui integrou as equipes de basquete, vôlei, tênis e natação, como atleta e como técnico, por mais de 15 anos. Sempre com grande destaque e elevando o patamar do esporte local. Também trabalhou como preparador físico da Associação Atlética Ferroviária, ao lado de jogadores como Cação (ex-Palmeiras) e Ganxuma (ex-Lusa e Palmeiras).

Nos Jogos da Alta Sorocabana, Alcino carregou a “tocha olímpica”
(Foto: Terceiro Tempo)

Zé Airton, um dos grandes nomes do futebol botucatuense, se recorda do convívio com Pellegrini. E diz que ele foi responsável por trazer a primeira bola de futebol de salão para a cidade.

“O professor Alcino foi meu vizinho, amigo e primeiro professor de Educação Física do curso ginasial. Lembro bem de sua primeira aula quando perguntou: quem quer futebol levanta a mão. Todos nós levantamos e ele deu uma física de arrebentar. Na aula seguinte perguntou: vocês querem física ou futebol? Todo mundo respondeu física, professor. E ele então falou: Gostaram, né? Então vai lá… quarenta polichinelos pra começar”.

Alcino, campeão de basquete por Botucatu, nos jogos da Alta Sorocabana disputados na cidade
(Foto: Terceiro Tempo)

Santos de Pelé

A pedido da Secretaria de Educação, em 1956 transferiu-se para Santos, ocupando o cargo de Delegado Regional de Educação Física e Esportes por dois anos. Era frequentemente convocado para dirigir os Jogos Abertos do Interior, em razão de seus profundos conhecimentos de regras e regulamentos de todos os esportes, mas principalmente por sua reconhecida capacidade disciplinadora.

Trabalhou como técnico de basquetebol do time do Santos Futebol Clube. Em 1958, ao lado do técnico Lula e do massagista Macedo, passou a compor a comissão técnica daquele que viria a ser conhecido como o maior time de futebol brasileiro em todos os tempos.

Treinamento do Santos, nos anos 60: o técnico Lula (esq), Alcino Pellegrini, Pelé e Fioti (sentado)
(Foto: Terceiro Tempo)

Pellegrini foi preparador físico do Peixe na Era Pelé, entre 1958 e 1964, período em que colecionou 37 troféus, entre eles o bicampeonato da Libertadores do Mundial de Clubes (1962-1963).

Aliás, do Rei do Futebol, entre outros presentes, ganhou um relógio de prata que usou até morrer, em 29 de janeiro de 2001, aos 83 anos.

Zito (esq.) e Alcino: amizade de toda uma vida, muito além dos campos
(Foto: Terceiro Tempo)

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