O Dia da Consciência Negra faz a população a se conscientizar sobre o respeito que temos que ter com todos os humanos. Ninguém é diferente e todos merecem os mesmos direitos e serem de presença forte na sociedade. É dia de relembrarmos as nossas raízes e exaltar aqueles que buscam fazer a diferença lutando contra o racismo. O grupo Tons Afro utiliza da arte e da cultura para se tornar sinônimo de resistência.

Tons Afro

O grupo é composto por quatro mulheres: Andreisy Natel, 27, musicista, técnica em canto e em enfermagem, Jéssica Prado, 28, musicista e gerente de marketing, Vanessa Monteiro, 28, musicista, trancista e maquiadora, e Vanessa Gomes, 28, musicista, técnica em regência e professora da rede estadual.

Algumas já tinham laços de amizade desde a infância e o encontro de todas foi através da dança em 2014. O principal intuito era produzir músicas que representassem quem elas são, inclusive com a utilização de vertentes musicais que não são populares no interior do estado. O objetivo é fazer arte com liberdade e enaltecer a cultura preta.

“Tons Afro é o encontro de almas, uma irmandade que nos proporciona crescimento dentro da nossa própria maneira de fazer arte, nos trazendo autonomia para nos reconhecer como mulheres pretas e exaltar nossa ancestralidade. O que fortalece cada vez mais nossa união.”, explica Vanessa Gomes.

Militância

As mulheres esclarecem que as pessoas têm um conceito errado do que é ser militante, do que é militar para uma conquista de espaço. A ideia da sociedade é de somente de discursos com palavras de efeitos de determinação e coragem. A verdade é que esta luta não é fácil, ainda mais para as mulheres negras.

A arte e a cultura correm pelas veias das integrantes do grupo. Foto: arquivo pessoal

“Ao contrário do que muitos pensam, a militância não consiste somente em palavras de efeitos e punhos cerrados. Ser mulher é ato de resistência, ser preta é ato de resistência. Fazer arte independente no interior é ato de resistência, entender, estudar e não deixar a história se apagar. É, principalmente, ser feliz no país que vivemos, ser o que somos é um dos maiores atos de resistência e luta. Tudo isso é a base do que fazemos.”, conclui todas as integrantes.

Conquistas

Para elas, a conquista é a partir da redescoberta enquanto mulheres pretas, o autoconhecimento, o reconhecimento de outras pessoas do trabalho do grupo, a profissionalização de cada e a abertura de portas para levarem arte e luta em Ourinhos e região.

E é em razão de toda essa garra, que as mulheres arrasam tanto enquanto Tons Afro. A confirmação se deu quando o grupo foi selecionado para participar de diversos eventos. Entre eles estão o Território SESI-SP de Arte e Cultura Ourinhos 2017, Circuito ComunidArte ProAc Ourinhos 2018, Batalha do Velho Oeste ProAc Assis 2018, Sarau Entrelinhas Embu das Artes-SP 2018 e o convite pela Orquesta da EMMOO Escola Municipal de Música de Ourinhos para o “Pratas da Casa” durante a FAPI 2018. Além de premiações no Festival de Música GSP-Ourinhos 2017, 1° lugar no Festival Music for Soul ProAc Ourinhos 2019, melhor obra na categoria música no Festival Afro Unidad em Los Angeles 2021 e atração no 19° Festival de Música de Ourinhos. E, claro, o Tons Afro marca presença e contribui para os Movimentos Coletivos Negro, MST, universitários e com a comunidade LGBTQIA+.

Salvo que, em breve, o Tons Afro vai iniciar um trabalho com álbum autoral para expandir a arte produzida por elas. O objetivo é concretizar parcerias com outros artistas que elas admiram. É a prioridade do momento.

Alô, sociedade!

Por fim, o recado do grupo para toda a população é certeiro e fundamental.

“Pessoas Pretas não existem somente no mês de novembro!” – Esse mês é uma data especial, com certeza, por tudo que ela representa, mas ainda falta muita consciência e diálogo sobre isso. Chega o mês de novembro e com ele a avalanche de pessoas que nunca nos viram, jamais se interessou ou ouviu algum trabalho nosso fazendo “convites”, que, na verdade, são favores para apresentações e comparecimentos em eventos. É muito necessário que todos entendam, NÃO SOMOS ANIMADORAS GRATUITAS DE FESTAS E EVENTOS, somos artistas, investimos e trabalhamos com arte e queremos ser tratadas como tal. A verdade é que novembro ao invés de ser um mês de exaltação da nossa cultura preta e ancestral, acaba sendo um mês de exploração de artistas que acabam trabalhando gratuitamente em eventos rasos. Estamos aqui o ano todo na luta!”, conclui.


Essas mulheres arrasam e nos dão um baita “soco” em forma de aprendizado e conhecimento para que possamos ter atitudes que melhorem o mundo, não é mesmo? Viva Tons Afro!


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