Os anos 60 e 70 foram marcados em Ourinhos pelos famosos bailinhos durante os finais de semana. Dizem que os lugares dançantes, como boates, da época eram chamados de Palmeirinha, Reunidos, Grêmio, Ourinhense, Terríveis, Centro Comunitário e CSU. Considerados uma opção para os jovens pobres se divertiram entre amigos.

Um deles marcou muito a vida de inúmeras pessoas, o Terríveis. O clube era localizado na rua Antônio Carlos Mori, 399, centro, onde é atualmente uma loja chamada de Casa dos Colchões. Com tantas pesquisas, foi possível encontrar uma nota do jornal O Progresso de Ourinhos, de 1968, que divulgou os nomes dos primeiros presidentes do clube.

“A existência do Clube dos Jovens Terríveis, marca-se no dia 1º de maio de 1968, mas com sua pequena existência, sendo que ainda não é Associação Oficializada, os Terríveis já nos divertiram com algumas brincadeiras dançantes em uma sede provisória, sendo coberta de pleno êxito estas duas noitadas dançantes da “Jovem Guarda”, de nossa cidade se deliciaram.

Agora o Clube dos Jovens Terríveis, já tem sua diretoria, a qual foi eleita domingo p.p., sendo assim constituída.

  • Presidente: Erivaldo Fantinatti
  • 1º Vice-presidente: Reginaldo Ereno
  • 2º Vice-presidente: Antônio Viera (Peró)
  • 1º Secretário: Airton Martins de Oliveira
  • 2º Secretário: Jair Stefani
  • 3º Secretário: Aramis Campos Abreu
  • 1º Tesoureiro: Luiz Lopes
  • 2º Tesoureiro: Alcides Vita
  • 3º Tesoureiro: Norival A. Camargo
  • Diretor Social: Waldomiro Pinheiro
  • Diretor Publicitário: Carlos Roberto da Silva
  • Diretor Esportivo: Claudemir A. Marighe

São jovens que lutam, e muito prometem para nós e devemos também colaborar, para com eles, para que Ourinhos venha a ter mais um clube recreativo”, como divulgado na imprensa.

Nota divulgada no jornal.

José Neto, um cidadão ourinhense, sempre posta em seu perfil de mídia social algumas crônicas de assuntos relacionados a momentos do passado de Ourinhos. Em uma delas, o texto tinha como foco o Terríveis e ele se recorda das vendas de bebidas alcoólicas, como Cuba Libre ou Ponche, para menores de idade pelo motivo de baixo teor alcoólico.

Além das músicas que as mais tocadas eram internacionais, a maioria nem conhecia outro idioma, mas sofria por amor do mesmo jeito e sentia a vibe da música em cada dança como se estivessem compreendo o que estava sendo dito.

Normalmente, as turmas que iam até os Terríveis eram o pessoal de cada escola da época. José Neto conta que os colegas já começavam na quarta-feira a organizar este rolê do final de semana.

“Se a gente conseguisse dançar com a menina pretendida, dançava agarradinho. A gente viajava na canção e ficava falando banalidades no ouvido dela, sonhando o sonho da aceitação. Antes, evidentemente, rolava a paquera e quando a coragem vinha era só chegar e perguntar: quer dançar comigo? No melhor estilo Johnny Rivers: “Do you wanna dance?”, escreveu João em sua crônica.

Carteirinha de José Neto como sócio do clube. Foto: arquivo pessoal

O mais curioso é que havia dois problemas. Como os pais determinavam que o limite da diversão era até às 22h, o baile finalizava neste horário. E se aparecesse no local algumas pessoas de bairros distintos, como a Barra Funda que não podiam aparecer na Vila Perino e moradores da Vila Margarida não podia dar o ar da cara na Boa Esperança, era briga na certa. O pau comia solto.

Inclusive, o próprio José Neto nos contou em entrevista uma história de briga que ele fez parte. “Em uma noite de sábado, em 1978, saiu uma briga generalizada em frente o clube. E eu só queria pegar a minha moto e sair de lá. Quando saio do clube, um sujeito gordo me deu um safanão na cabeça (risos). Jurei ele de morte, guardei uma raiva grande. Depois fui embora da cidade e esse passou, hoje até dou risada e já sei que este rapaz faleceu”, relembra.

Roselei Mobrizi Favoretto, cidadã ourinhense, era frequentadora dos Terríveis e nos contou uma história muito bacana da época. Nos anos 80 ela ia até o clube com o seu namorado, marido nos dias de hoje, e garante que sempre dançou muito bem.

“Um dia eu estava vestida de camisão branco e uma calça cocota e meu marido com calça e camisa social. Começamos a dançar. As pessoas foram se afastando deixando espaço para nós. Praticamente ficamos horas dançando. Quando a gente resolvia parar, batiam palmas e pediam para continuar. Alguns até tentaram dançar como nós. Época boa”, conta Roselei.

O casal em épocas passadas. Foto: arquivo pessoal

Por fim, Silvio Pontara, outro que na juventude aproveitou muito os bailes dos Terríveis, relata que começou a frequentar aos 17 anos. Sua mãe, a Neide, precisou assinar uma autorização para ele estar presente nas festas até completar os 18 anos.

Carteirinha de Silvio. Foto: arquivo pessoal

“Eu trabalhava na Rádio Sentinela até meia-noite, saia do serviço e ia para os Terríveis. No clube eu ficava dançando até cinco horas da manhã e ia abrir a rádio às 05h30, aí trabalhava até o meio-dia. Só depois que eu ia dormir. Passei muito sono, mas aproveitei a minha adolescência”, assume Silvio.


E aí, quem se lembra dos bailes no Terríveis, hein?


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