Com uma bike original Philips holandesa, um rapaz atravessava a Vila Nova com um guidão muito curvo. Um alguém um pouco gordo, de meia-idade, nunca andava depressa e em seu bagageiro sempre tinha uma bolsa de couro escurecida de tanto usar. Ele era o Djorge Mladen, o sapateiro húngaro que morou a vida toda em Ourinhos na rua Quinze de Novembro.

Um cidadão que raramente falava de sua vida e do passado, com exceção apenas para o seu amigo Miguel Janosi. As conversas eram em húngaro ou alemão, idiomas oficiais da Europa Central durante os anos do Império Austro-Húngaro. Mas Djorge nasceu na Sérvia, mais especificamente na cidade Vrsac.

Bandeira da Sérvia. Foto: divulgação

Foram os efeitos da Primeira Guerra Mundial que provocou a imigração de Djorge e de tantas outras pessoas para outros países em busca de uma vida melhor. Com isso, Djorge veio ao Brasil em 1924 e se instalou em Ourinhos anos depois.

Na época, conseguiu fazer um passaporte com a “graça de Deus” e entrou no primeiro trem para Holanda. Em Amsterdam, foi até o consulado brasileiro para conquistar o visto e seguir viagem ao Brasil. Passou em outras cidades antes de chegar na terra do povo de coração de ouro, mas acredita que tenha sido em 1942 por ser a data descrita no bilhete de compra da sua bike Philips.

Aqui foi um sapateiro que pedalava até Jacarezinho, no Paraná, me busca do melhor couro e aproveitava para passear. E consolidou sua família de três pessoas, somente um filho, o Milan, e depois foi avô de três: George, Elizabeth e Rúdolf.

Foi como sapateiro que ele se ergueu na vida em terras brasileiras e ourinhenses.

Figura conhecida da Vila Nova, afinal transitava pelo bairro como se estivesse em transe, curtindo o momento e se caracterizou na mente das pessoas como o homem de bigode com o mesmo tipo de roupa e chapéu. Além dos hábitos e manias típicos dos europeus.

Sua esposa viveu até 1974 e ele faleceu em 1983. Foi um homem honesto e trabalhador até o fim. Sempre será o sapateiro sérvio de Ourinhos.

Fonte: “Ourinhos-Memórias de uma cidade paulista” – Jefferson Del Rios


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