Ourinhos é uma cidade cheia de figuraças, aquelas pessoas que fizeram história ou marcaram a vida de muitas pessoas por alguma atitude do bem. Uma delas é Frederico Hahn, um fotógrafo alemão que esteve presente na cidade na década de 30.

O alemão

Frederico nasceu em Ingolstadt, uma cidade de 10 mil habitantes da região de Munique, estado da Baviera e localizada no sul da Alemanha. Uma cidade rica de preservação cultural, edifícios no estilo gótico e quem está lá tem o privilégio de estar às margens do Rio Danúbio.

Voltando ao assunto! Frederico fotografou a vida de Ourinhos. Todas as famílias que residiam na cidade, nesta época, têm fotos guardadas de casamentos, batismo, primeira comunhão e outros eventos feitas pelo alemão. É garantia de qualidade, de duração e com a nitidez preservada após anos.

A sua vida foi cercada de mistérios, maus entendimentos e, talvez, de uma injustiça. Era um homem calado e passava a imagem de ser alguém ausente. Houve até comentários sobre a sua possível simpatização com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, algo que fez a população apedrejar sua casa na Rua 9 de Julho. Inclusive, ninguém sabe a sua razão por ter se instalado no Brasil.

Uma família. Foto: blog Memórias Ourinhenses

A sua viúva, Olga Reupert, e afilhados dizem que ele estava a caminho da Argentina e o navio se perdeu e resolveu descer nas terras brasileiras. Com isso, passou em Chavantes, cidade vizinha de Ourinhos, e logo percebeu que teria mais oportunidade de crescimento profissional na cidade do povo de coração de ouro.

No dia 24 de fevereiro de 1897 foi quando decidiu trocar, de vez, o rio Danúbio pelo Paranapanema, se instalando em Ourinhos definitivamente. A sua esposa conheceu em uma de suas viagens para São Paulo, gaúcha e filha de alemães.

Ourinhos

O seu hobby era andar pelas praças da cidade vestido de meias e sandália. O seu andar era curvado com as mãos nas costas. Vegetariano, favorável a banhos gelados, não teve filhos e adotou uma criança de um casal vizinho. Seu neto do coração afirma que “ele era bem-humorado, conversava em casa, um avô excepcional”, conta José Vicente.

Quando sua casa foi apedrejada, a viúva relembra as janelas todas quebradas e Frederico utilizou de madeira para tapar os buracos da casa. Pode ser que o fotógrafo tenha defendido a Alemanha como uma forma de pátria, até porque ele chegou ao Brasil antes de Hitler chegar ao poder. E os ânimos estavam à flor da pele quando o país entrou na guerra.

Mas o seu fim chegou e foi no dia 13 de outubro de 1986, faleceu em Ourinhos aos 89 anos. Toda a população sempre, quem é possível de lembrar, se recorda do fotógrafo alemão que registrou a intimidade de muitas pessoas e continua como desconhecido para muitos ourinhenses.

Fonte: “Ourinhos-Memórias de uma cidade paulista” – Jefferson Del Rios


Você sabia dessa história? Para qual outra figura importante Ourinhos foi abrigo de moradia? Conte para nós, se souber!


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