Quem vê a alegria e a disposição dos pacientes do projeto “Parkinson: viva bem com a doença” nem imagina o caminho que eles percorreram para chegar até lá.

O Parkinson é uma doença progressiva, ela começa silenciosa, quase sem que possamos perceber. São pequenos sinais de alerta: tremores leves, maior lentidão nos movimentos, rigidez muscular e alterações na fala e na escrita.

É causada por uma diminuição intensa da dopamina, substância que ajuda na transmissão de mensagens entre as células nervosas.

Os tratamentos atuais conseguem neutralizar os sintomas, mas não são capazes de interferir na evolução natural da doença. Manter o otimismo e continuar levando uma vida normal ajuda, e muito, a controlar os sinais do Parkinson.

Disposição não falta em funcionários e pacientes do projeto (Foto: Flávia Navega)

Vontade de viver é o que não falta nos pacientes do projeto, a iniciativa os motiva a manter corpo e mente trabalhando.

O Projeto

Tudo começou com um trabalho de conclusão de curso de uma aluna de Fisioterapia da Unesp de Marília.

Interessada em trabalhar com pacientes com Parkinson, criou um projeto para avaliar a melhora de pacientes quando em contato com atividades em grupo.

A Coordenadora do projeto e também professora na Unesp de Marília, Flávia Roberta Navega, conta que desde o começo os pacientes gostaram muito de participar.

Resolveram, então, manter o grupo como um projeto de extensão. Dessa forma, poderiam abrir para mais pacientes e ajudar mais pessoas.

Vimos que era legal esse trabalho em grupo. Então todo paciente que vinha procurar a clínica com a doença de Parkinson nós encaminhávamos para o projeto.

Navega explica que o projeto tem duas fases. Primeiro, os pacientes são atendidos individualmente, para avaliar as dificuldades particulares e para fazer uma reabilitação inicial.

Com incidência maior da doença em idosos, o projeto se adaptou às necessidades e delicadezas dos participantes.

Quando já estão melhores, com uma independência maior e mais seguros, começam a participar das atividades em grupo.

Pacientes do projeto durante atividades (Foto: Flávia Navega)

O tratamento é contínuo e possui duas vertentes: as atividades de pesquisa e a rotina em grupo.

Movimentar-se

Dentro da pesquisa, os pacientes participam do que há de mais novo em tratamento de Parkinson. Desde atividades com dança, videogame Xbox, fortalecimento com peso, e até aulas de boxe.

Tentamos manter eles ativos para que a progressão da doença seja mais lenta.

Quem participa não quer saber de parar não! Ansiosos para as próximas pesquisas, os próprios pacientes ficam atentos às novidades e as levam para o projeto.


” Em breve iniciaremos  um projeto com o treino de boxe,  por ser um esporte que movimenta e fortalece o corpo todo. Inclusive,  apareceu um noticiário na televisão e eles já começaram a questionar sobre os benefícios do esporte”

O programa Ciência Sem Limites, da TV Unesp abordou o tema das atividades físicas como tratamento para pacientes com Parkinson

O grupo também é uma fonte de apoio e amizade, um ajuda o outro e aprende que as dificuldades do dia-a-dia podem ser superadas.

Um dos pacientes tem bronquite e, quando ela ataca, ele tem mais dificuldade em acompanhar as atividades, mas mesmo assim não deixa de vir. Ele fala: ‘Venho porque gosto de conversar com meus amigos’.

O lugar é repleto de histórias marcantes e inspiradoras. De um lado, pacientes e familiares felizes com todas as conquistas, mesmo que pequenas. De outro, os resultados são sinais de que os profissionais estão no caminho certo.

É gratificante quando vemos o retorno do paciente e da família. É um carinho enorme.

Como participar

A iniciativa é aberta à comunidade gratuitamente, tudo é feito através do SUS.

Atualmente, são 28 pacientes que frequentam o projeto regularmente, a grande maioria idosos entre 60 e 80 anos.

A Coordenadora do “Parkinson: viva bem com a doença”, Flávia Navega, explica que o atendimento envolve vários níveis da doença, mas que é importante que os pacientes ainda consigam caminhar sozinhos para participar do grupo.

Casos mais graves são encaminhados para uma fisioterapeuta, que cuida do caso individualmente antes de entrar para as atividades.

O atendimento é realizado no Centro Especializado em Reabilitação – CER, no Campus da Unesp de Marília (Avenida Higino Muzzi Filho, 737).

Mais informações através dos números (14) 3414-9527 e (14) 3414-9528.

Centro Especializado em Reabilitação da Unesp Marília.
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