Há dez anos, Lucimara Toyoda Rocha trocou a vida no sítio para trabalhar como caminhoneira no ramo de demolições e terraplenagem, “É difícil ver uma mulher fazendo esse serviço”.

Na correria entre uma obra e outra, Lucimara esbanja energia e é só sorrisos quando começa a contar sobre os desafios de ser uma mulher motorista de caminhão.

Filha de caminhoneiro, Lucimara não teve medo de aprender a dirigir as grandes máquinas. (Foto: Thábata Camargo)

Na boleia dos caminhões

Quando deixaram Tupã para tentar a vida em Marília, Lucimara e João, seu marido, jamais imaginariam que hoje, aos 41 anos, ela é que estaria por trás das grandes máquinas!

Abrimos um terreno e eu comecei a vender materiais de construção usados. Nesse meio tempo, tirei a carta de caminhão, mas nunca tinha pegado pra dirigir mesmo.

Com a queda no setor de vendas da empresa e vendo a dificuldade do marido em conseguir profissionais para manejar os caminhões, Lucimara decidiu se reinventar.

Eu nunca pensei ‘isso é serviço de homem, isso eu não vou fazer’, fui lá e enfrentei.

Há mais de um ano, Lucimara concilia uma jornada tripla de trabalho: o atendimento no escritório da João Demolições, o dia-a-dia nas obras e a profissão de mãe. No começo, conta que o esposo ficou receoso, achava o trabalho bruto para uma mulher.

Sempre fomos muito parceiros, mas ele não queria isso para mim.

Hoje, eu dirijo caminhão para tudo que é lado, opero as máquinas. Até eu estou me surpreendendo!


Do alto, Lucimara já está acostumada a receber olhares de espanto e admiração. (Foto: Thábata Camargo)

Lucimara defende a força feminina na profissão. Por mais bruto que o trabalho possa parecer, a caminhoneira garante que é um exercício que exige muita delicadeza.

Não é fácil dirigir uma máquina, porque ela é muito delicada! O movimento tem que ser suave, com bastante cautela. É um serviço de muita responsabilidade.

Admiração

Admiração. Essa é a reação das pessoas ao verem Lucimara pilotando os caminhões por aí.

Quando eu ando na rua, as pessoas encaram pra ver se é mulher mesmo. Na obra todo mundo para pra olhar.

Apesar de inusitada a presença feminina nas boleias dos caminhões, Lucimara diz que nunca ninguém duvidou de seu trabalho, “No começo é um choque, mas ninguém nunca falou nada”.

A caminhoneira se orgulha do trabalho que faz, trocou sem medo a rotina parada no escritório para se aventurar nas obras.

Nunca pensei em desistir. A gente tem as dificuldades, mas eu sempre encontrei um jeito de resolver.

Hoje, Lucimara vê as ruas do alto, e não pretende descer mais.

Serviço

João Demolições

  • Endereço: Avenida Itu, 315
  • Telefone: (14) 99677-0634

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