A sensação é de estar em um ambiente repleto de arte, criatividade, luta e abrigo. O Estúdio é tudo isso e mais, desde o conceito de seu nome “Nosotras” – que refere-se ao diálogo sobre questões de gênero, do ser mulher e todas as batalhas que isso implica, principalmente para as mulheres latino-americanas –  até na sutileza de se ter um cacto como símbolo, pautando as resistências no dia-a-dia de cada uma de nós.

O projeto foi idealizado pelas irmãs Jaqueline e Yasmin Alves, que sempre se viram envolvidas com movimentos em amparo à juventude na cidade de Marília. Antes do Nosotras, fizeram parte do Coletivo Verbo, onde articulavam campanhas contra a violência e o extermínio de jovens, principalmente por aqueles marginalizados pela sociedade.

Após o fim do Verbo, as irmãs perceberam que era importante dar continuidade às pautas de resistência. E, em setembro de 2017, criaram o Estúdio Nosotras, onde teriam voz e a poderiam expandir de forma artística, urbana e visual.

Dentro do Estúdio coexistem cinco projetos, o Resistências do Cotidiano; a Lojinha, com camisetas, bolsas, cadernos, tudo feito por elas; Oficinas; o Estúdio Aberto e as Rodas de Conversa.

As ideias para o futuro não param. Mas, a dupla deixa claro que não quer perder sua essência. Tudo que planejam mantém o olhar pessoal, é produzido artesanalmente, tem significado e porquê.

Projeto “Resistências do Cotidiano”

Um dos projetos realizados pelas meninas do Estúdio Nosotras é o “Resistências do Cotidiano”. A ideia, segundo Jaqueline, surgiu de um desejo de se aproximar de mulheres que fazem parte do cotidiano da cidade. “Em Marília, por ser uma cidade do interior, a questão da invisibilidade é ainda mais presente. Mas, na verdade, essa cidade é construída por mulheres”, completa Jaqueline.

Ainda, a ideia é trazer em pauta as lutas enfrentadas por mulheres no dia a dia que, muitas vezes, acabam passando despercebidas, mas acabam sendo um grande símbolo de resistência. “Quando pensamos nisso, todas nós lembramos de uma mãe, da tia, da avó… Que são mulheres fortes e que, no dia a dia, estão pautando a resistência”, reforça.

Foto: Reprodução/Facebook
Foto: Reprodução/Facebook

Como forma de ecoar as histórias dessas mulheres, Jaqueline e Yasmin entraram em contato com Luciana Santos, que faz parte da Secretaria de Cultura e é ativa em diversos movimentos sociais. Ela lhes apresentou a Artina Maria. “Foi então que, em parceria com as fotógrafas Paula Mello e Patrícia França, resolvemos produzir um documentário contando a história de luta e resistência de dona Artina”, diz.

Documentário

A primeira parte do documentário fala sobre as violências sofridas por Artina, tanto psicológicas quanto físicas, pelo ex-marido. No entanto, como o intuito é não apenas mostrar o “sofrimento”, mas também as histórias de superação e resistência, o documentário enfatiza o projeto realizado por Artina de apoio a outras mulheres vítimas de violência doméstica.

Foto: Reprodução/Facebook
Foto: Reprodução/Facebook

é não apenas mostrar o “sofrimento”, mas também as histórias de superação e resistência, o documentário enfatiza o projeto realizado por Artina de apoio a outras mulheres vítimas de violência doméstica.

“É claro que o movimento de denúncia é muito importante, mas nós também queremos dar valor ao movimento de anúncio. Ecoar histórias boas, histórias inspiradores de mulheres incríveis”, enfatiza Jaqueline.

Depois de pronto, o documentário foi exibido durante um evento promovido pelo estúdio. Em uma roda de conversa, mulheres debateram a importância do projeto e do tema. Além disso, um projeto de arte com a técnica de stêncil foi feito no local para divulgar o projeto.

Esse foi o primeiro passo, o início do mais novo projeto do Estúdio Nosotras: Resistências do Cotidiano. “Nosso intuito é conseguir produzir mais documentários e contar a história de mais mulheres da cidade. Além disso, também gostaríamos de fazer intervenções artísticas na rua mesmo… Assim como o stêncil”, acrescenta Jaqueline.

Com esse objetivo, o Nosotras segue resistindo e lutando por todas as mulheres, não só de Marília, mas de todo o mundo.

“Que nós possamos ECOAR essas vozes que já existem”, finaliza.

Documentário “Resistências do Cotidiano – Artina Maria”

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