Ah, a quinta-feira! Além de nos trazer o alívio da proximidade do final de semana, é também o dia da semana para relembrar o passado com o famooso TBT. E, para quem curte um cineminha, é o dia reservado para as novidades, as estreias da telona! Como aqui na Solutudo amamos ambas as coisas, que tal fazer aqueeela mistureba e ter um TBT dos cinemas de Jundiaí, hein?

Os saudosos terão históoorias pra contar desse lugar, viu? (Foto: Acervo Prof. Maurício Ferreira/ Sebo Jundiaí/ Reprodução)

Não era coisa de shopping, não

Atualmente, o ‘normal’ quando queremos assistir a um filme no cinema é ir ao shopping e pronto, certo? Agora, não sei se você se lembra ou sabia, mas até uns 30 anos atrás, as salas de cinema estavam espalhadas pela cidade! Era você, por exemplo, andar pelo centro e encontrar entre as lojas o cartaz do filme que estrearia naquela noite. Atravessando para o outro lado do quarteirão, você dava de cara com um outro cartaz com as promoções da bomboniere na semana. Outros tempos, né?

Pra começo de conversa, vamos falar dos queridinhos do centro: os famosíssimos Cine Ipiranga, que imperava na Rua Barão de Jundiaí, e um pouco antes, na Rua do Rosário, o majestoso Cine Marabá. Inaugurados em 1952 e em 1954, respectivamente, eram talvez os mais badalados pelos jundiaienses que ‘iam pra cidade’. ?

Mas, ó, o Centro já era repleto de cinemas mesmo antes desses dois famosões, viu? Parece que tudo começou com um tal de Cine Theatro Petit Bijou, que apesar de não aparecer em muitos registros históricos, sabemos algo sobre ele ter funcionado ali na Rua do Rosário, próximo ao espaço que futuramente seria o Cine Marabá, e que foi provavelmente o precursor do cinema na cidade. E precursor por dois motivos: tanto por ter sido inaugurado em 1887, e por ainda não ter adotado a mesma tecnologia de projeção do cinema que conhecemos – inventado só em 1895. Tecnicamente, portanto, não era um ‘cinema’, o rigor da palavra e de sua definição.

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Cinema, cineema mesmo, só em 1910, com filmes mudos, animados por uma orquestra que acompanhava as cenas. Encabeçando a lista de mais antigos estão o Cine Theatro Rio Branco e o Cine Theatro São José, tendo este último funcionado na região da Praça Rui Barbosa. Em 1912 veio o Cine Rink, na Rua da Padroeira, e em 1919 o Cine Theatro Ideal, que era localizado onde hoje são as piscinas da sede do Grêmio CP.

Da década de 30 até a década de 70 tivemos outros points na cidade: o Cine Cruzada (ou Cine São Bento), inaugurado em 1938 no Salão da Cruzada da Mocidade Católica, no Mosteiro de São Bento, em 1948 o Cine Rosário, no Salão Paroquial Nossa Senhora do Desterro, até chegarmos na década de 70, com o Cine-clube de Esquina, projeto itinerante que era especializado em filmes alternativos. Bacana, hein? ?

Não apenas o Centro

Mas a cidade respirava cinema! Temos registros que eles estavam espalhados por Jundiaí: do Cine Brasil, inaugurado em 1950 no Agapeama na década de 1950, e na Vila Rami o Cine Santa Cecília, que deu lugar ao Cine Vitória nos anos 70, ao Cine Hortolândia, que funcionou ali na famosa rua Itirapina, onde hoje é a Padaria Jarinu, e o Cine São João, que funcionou no salão da Paróquia São João Batista até ser inaugurado seu próprio espaço, mudando o nome para Cine Alvorada, esse bonitão aqui embaixo:

Mas, sem dúvidas, o mais antigo destes é o Cine Theatro República, que foi inaugurado em 1926 ali na Rua Barão do Rio Branco, na Vila Arens. Além das projeções, até a década de 70 o República também recebeu espetáculos e programas de auditório das rádios Difusora e Santos Dumont. Demais, né? ?

Sem dúvidas, o mais famoso

E você pensou que iríamos esquecer dessa joia nossa? Jamaaais! hahaha O Cine Theatro Polytheama, hoje conhecido por todo jundiaiense apenas como Teatro Polytheama, também teve seus momentos de brilhantismo com a telona, viu? Inaugurado em 1911, por diversos anos foi considerado o maior teatro do estado de São Paulo – superando até mesmo o Teatro Municipal de São Paulo.

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A partir de 1950 caiu em decadência, até ser fechado e entregue ao completo abandono. A partir de 1986 teve início sua restauração, sob a chefia da italiana Lina Bo Bardi – arquiteta responsável por projetos memoráveis como do MASP e do Sesc Pompeia, ambos em São Paulo. Em 1996 o Polytheama volta a ser frequentado pelos jundiaienses, contando inclusive com uma galera de arte.

Após tantas décadas, com tantas mudanças, a exemplo do Polytheama, o cinema pode até não se fazer mais presente em nosso centro, em nossos bairros, mas essa nossa grandiosa história nunca poderá ser apagada, destruída ou esquecida. Viva o cinema, viva Jundiaí! ??

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3 COMENTÁRIOS

  1. Moro em Jundiaí e vejo um prédio com cara de cinema antigo mas não é nenhum destes mencionados (com base no local). Fica na Barão de Jundiaí mesmo, em frente ao colégio Conde de Parnaíba.

  2. Muito interessante estava somente a procura de saber quanto era o ingresso do cine Ipiranga e me deparo, com uma historia cultura rica de detalhes de nossa cidade .. nunca imaginei que jundiai teve tantas salas de cinema

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