Há quem diga que o jundiaiense é todo orgulhoso do seu hino, tanto quanto de Jundiaí! As boas línguas falam que todo mundo que é da cidade sai por aí cantarolando “Ó terra querida, Jundiaí, teus filhos amantes são de ti” a torto e a direito. ?

Você, se não é um desses, com certeza já conheceu alguém que é fanzaço do hino! ? Mas, indo além da letra, você conhece a origem do nosso hino e quem o escreveu? ?

Revolução de 1932

Geralmente, a palavra ‘hino’ tem duas definições: tanto a de ser um poema ou cântico de louvor e exaltação, como também a de marcha solene, de honra. E o hino de Jundiaí, desde sua concepção, carrega essas duas características perfeitamente! ?

Composta em 1932 pela professora jundiaiense Haydée Dumangin Mojola, a marcha “Terra Querida, Jundiaí” serviu, primeiramente, para inspirar os soldados jundiaienses que combateram na Revolução Constitucionalista.

Sua letra destaca o amor por essa terra (Teus filhos amantes são de ti/ Saudades mil levam os que passam por aqui), o orgulho, inclusive por ser paulista (De ti me orgulho, pois és bem paulista!), a bravura da gente dessa terra para defendê-la (Teus filhos com devoção marcham pr’a luta como heróis), e claro, suas belezas (Teu jardim, é um paraíso/ Quem poderia imitar o teu céu com tuas cores?/ Só a natureza guiada pelo Criador é que pode pintar esse arrebol!).

Combatentes jundiaienses da Revolução de 1932. Agachado, à esquerda, o médico e ex-prefeito Antenor Soares Gandra. (Foto: Jundiaí Agora/Reprodução)

Reconhecimento

A canção, que fora escrita apenas para a Revolução, foi tão bem recebida pelo povo jundiaiense que foi reconhecida como Hino da cidade pela Lei 868, de 17 de novembro de 1960. Nos pareceres dos vereadores, durante a tramitação do projeto de lei que pedia a oficialização do hino, só haviam elogios à autora e para a obra:

Elogio do vereador Alberto da Costa, relator da Comissão de Justiça e Redação.
Parecer do relator da Comissão de Educação, Cultura, Higiene e Assistência Social, vereador Flávio Ceolin.

Na ocasião da aprovação do projeto de lei, o presidente da Câmara Municipal da época, vereador José Godoy Ferraz, mandou uma carta a Haydée, afirmando que a canção já era tida como um hino pelos jundiaienses, e só faltava mesmo a formalidade da lei:

Jundiaiense Raiz

Haydée Dumangin Mojola nasceu em 21 de março de 1898, aqui mesmo nessa terrinha. Seus pais, Maurício Dumangin e Felisa Iglesias, de origem francesa e espanhola, desembarcaram no Porto de Santos e seguiram para Jundiaí para tentarem uma nova vida. Maurício, que era arquiteto, projetou o primeiro prédio do Hospital São Vicente de Paulo e os escritórios da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, localizados no atual Complexo Fepasa.

Felisa e Mauricio, com as filhas Amélie e Haydée. (Foto: Famille Dumangin/Reprodução)

A música, dança, poesia e a pintura fizeram parte de sua educação desde a infância. Estudou para ser professora e se aperfeiçoou em canto pela Escola Normal de Campinas, participando inclusive do coro da Catedral Nossa Senhora do Desterro. Aproveitando-se de seu talento e influência, frequentemente organizava festivais beneficentes para os mais necessitados da cidade e todo mês, no então ‘Cine Theatro Polytheama’, os festivais de balé e canto, ponto alto do entretenimento na época.

Haydée entre os filhos Mercedes e Mauricio, com a neta Maria Haydée no colo. (Foto: Famille Dumangin/Reprodução)

Ao longo de sua vida, Haydée compôs 142 obras, como os hinos das escolas Conde de Parnaíba e Siqueira de Moraes, e de paróquias como a de Nossa Senhora da Conceição, na Vila Arens, de Santa Teresinha, na Vila Rio Branco, e o Hino de São João, para a paróquia da Ponte. Destaca-se também a composição do Hino de Nossa Senhora do Desterro, padroeira de Jundiaí.

A professora Haydée faleceu no dia 4 de dezembro de 1965 e está sepultada no Cemitério Nossa Senhora do Desterro. Na cidade, ela é homenageada dando nome a uma rua no Jardim do Lago e à EMEB da Vila Hortolândia.

Ó terra querida, Jundiaí!

Aaaah, que melodia… que letra… que hino, minha gente! E nunca é demais ouvi-lo, né? ? E ó, não sei se você sabe, mas nosso hino tem algumas versões. Qual a sua preferida? ?

A versão do Coral Schola Cantorum, acompanhado pela Banda São João Batista:

A versão gravada na década de 60 por Agnaldo Rayol:

A versão cantada mais recente, de 2012:

Ou ainda essa versão instrumental da Orquestra Municipal de Jundiaí:

E aí, você já conhecia todas essas versões? Qual que você mais gostou? Conta pra gente aqui embaixo nos comentários! ☺


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1 COMENTÁRIO

  1. Minha preferida aquela cantada por Agnaldo Rayol !! Me remete à minha infância passada na Ponte São João…

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