Sem dúvidas, um dos cartões-postais de Jundiaí, o Complexo Fepasa é muito mais do que um lugar bonito ou o local onde fica o Poupatempo, viu? 😜 Esse centenário conjunto de prédios cravado em uma das regiões mais antigas de Jundiaí guarda entre suas lindas paredes avermelhadas muita história – literalmente! 🤩

Bora conhecer um pouco sobre as antigas Oficinas da Companhia Paulista, ou aqui, pros mais chegados, simplesmente Complexo Fepasa? 😉🚂

Centro Operacional da CP

Antes de tudo, claro, um pouco de história! Comecemos pela da São Paulo Railway (SPR), a primeira estrada de ferro do estado de São Paulo e a terceira no país a ser construída, foi a grande responsável por escoar boa parte da produção de café aqui da região para o Porto de Santos – por isso também ela ficou conhecida como Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Até aqui, ela não tem nada a ver (ainda) com a Companhia Paulista, tá?

Inaugurada em 1867, e tendo autorização para ter seus trilhos até Campinas, os administradores da SPR decidiram que iriam operar até Jundiaí mesmo. E é aqui que começam as tretas, minha gente. 🙈 Insatisfeitos com tal decisão, fazendeiros de Campinas decidiram fundar em 1872 a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, para continuar os trilhos da SPR até a cidade e, com o crescimento da demanda, até a divisa do estado de São Paulo com Mato Grosso. Olha a extensão dessa linha férrea:

Mapa das linhas com alguma ligação com a Companhia Paulista. (Foto: Acervo do Museu Paulista da USP/ Wikimedia/ Reprodução)

Segundo consta nos registros históricos da própria Companhia Paulista, as primeiras oficinas da estrada de ferro ficavam em Campinas mesmo, até o momento em que o trabalho era tão grande que a estrutura passou a não dar mais conta. Finalmente em 1892 as novas oficinas da Companhia Paulista começam a ser construídas em Jundiaí em um terreno com área total de 111 mil metros quadrados, quase 16 campos de futebol. 😮 E, inauguradas em 1897, as oficinas jundiaienses passaram a cuidar de toda a parte operacional da estrada de ferro.

Projetado por um ilustre jundiaiense

Essa outra curiosidade é demais hein, e é um verdadeiro cruzamento de histórias sobre a cidade: o complexo de Oficinas da Companhia Paulista foi projeto por ninguém menos que Maurício Dumangin, o mesmo arquiteto que projetou, sem cobrar nadinha, o primeiro prédio do Hospital São Vicente, e que era pai da autora do Hino de Jundiaí, a professora Haydée Dumangin Mojola. De origem nobre, Maurício veio da França juntamente com sua esposa Felisa Iglesias, na segunda metade do século XIX, e aqui construiu sua família – e parte da história da cidade.

mauricio dumangin, responsável pelo projeto do complexo fepasa, e familia
Felisa e Mauricio, com as filhas Amélie e Haydée. (Foto: Famille Dumangin/Reprodução)

Aliás, você já ouviu falar sobre o Jayme Cintra?

Muito provavelmente você já ouviu falar por causa do estádio do Paulista, né? 😅 Mas você sabia que o ‘Dr Jayme Cintra‘ foi um engenheiro e presidente da Companhia Paulista? Pois é! Nascido em 1886 em Campinas, Jayme Pinheiro de Ulhôa Cintra se formou como primeiro da turma de Engenharia Civil da Escola Politécnica de São Paulo, brilhantismo que praticamente carimbou seu passaporte de entrada como ‘engenheiro praticante’, em 1908, nas oficinas da Compania Paulista no Complexo Fepasa.

Jayme Cintra é o do centro, 3º a partir da esquerda. (Foto: Facebook/ Reprodução)

Trabalhou na área de engenharia da estrada de ferro até o ano de 1950, quando assumiu por 11 anos a presidência da estrada de ferro. Após seu falecimento em 1962, Jayme Cintra foi homenageado no estádio do Paulista Futebol Clube – que, aliás, foi fundado em 1909 por operários da Companhia Paulista e que foi o primeiro do interior a terminar uma edição do Campeonato Paulista, como já contamos aqui. Legal, né? 💪

Hoje, o Complexo Fepasa guarda a história!

Em seus 34 prédios, o Complexo Fepasa ainda continua a abrigar o desenvolvimento da cidade, seja com a Fatec, o Poupatempo ou com espaços e equipamentos culturais – como a Sala Jundiaí.

Mas, desde 1979, o local passou até mesmo a proteger e divulgar sua própria história, para que os jundiaienses de hoje possam conhecer as glórias de seu passado. Foi nesse ano que passou a funcionar o Museu Ferroviário Barão de Mauá, que além de homenagear Irineu Evangelista de Souza, financiador da primeira estrada de ferro do Brasil, é um verdadeiro centro de preservação da memória da ferrovia e de sua ligação com o desenvolvimento de Jundiaí.

museu presente no complexo fepasa
(Foto: PMJ/ Reprodução)

Mais tarde, em 1995, renomeado como Museu da Companhia Paulista, conta com um vasto acervo, desde réplicas de locomotivas, bandeiras, uniformes e adereços, fotos de colaboradores e de locomotivas, faróis e lampiões, telégrafos, relógios, maquetes, catálogos, prataria dos carros restaurantes, lustres e espelhos de cristal, apitos, buzinas, campainhas, sinos, livro de acionistas, quadros… ufa! E tuudo com acesso gratuito da população!


Que história incrível que tem o Complexo Fepasa, não é? 🤩 Como é bom contar com um baita espaço desses aqui em nossa cidade! Afinal, conhecer o nosso passado, as nossas raízes, ajuda a compreendermos a nós e a nossa própria realidade. Vamos juntos, a cada dia, valorizar e nos orgulhar mais da nossa história? 😊💜

Fontes: Wikipedia (1, 2, 3), Cultura Jundiaí (1 e 2), Turismo Jundiaí (1 e 2)


Gostou desse conteúdo? Deixe seu comentário no campo abaixo! E se você conhece alguma história bacana de Jundiaí e quer que ela seja contada aqui, entre em contato pelo e-mail: jornalismo.jundiai@solutudo.com.br

1 COMENTÁRIO

  1. Olá, Mateus! Parabéns pelo conteúdo. Contudo, a autoria do projeto arquitetônico já foi corrigida em publicações acadêmicas, sendo, em realidade, de Gustavo Adolpho da Silveira, chefe da locomoção. Há, inclusive, uma placa comemorativa na área externa do conjunto que aponta esta informação. Sugiro que dê uma olhada na dissertação da Tainá Silva, que desmistifica e corrige esta história: https://repositorio.unesp.br/handle/11449/190802. Abraços!

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