Você pode até não ser dos tempos do cinema preto e branco, ou mesmo ser fã de filmes de 60 anos atrás, mas também é muito improvável que nunca tenha ouvido falar sobre o Mazzaropi e seus filmes de comédia, verdadeiros sucessos de bilheteria no século passado. ?

Grande ator e cineasta, Amácio Mazzaropi revolucionou o cinema brasileiro com as boas e velhas histórias de caipira. Em 1970, o cineasta declarou em uma entrevista que sempre buscou fazer filmes que não pretendem mais do que “apenas divertir o público, por acreditar que cinema é diversão“.

Cena do filme ‘Casinha Pequenina’ (1963). (Foto: Funarte/ Reprodução)

Início do sucesso em Jundiaí

E, antes de fazer sucesso na telona, foi em Jundiaí que Mazzaropi começou a fazer sucesso nos palcos. Em 1935, enquanto o circo em que trabalhava decidiu recolher a lona e ir embora, após o fracasso de bilheteria por aqui, Mazzaropi resolveu ficar e, hospedado em uma pensão na Rua Baronesa do Japi, em poucos dias conseguiu angariar apoios para seu ‘teatro itinerante’, conhecido como Pavilhão do Mazzaropi.

“Na cidade de Jundiaí, construí meu primeiro pavilhão: a Trupe Companhia Amácio Mazzaropi, ou, simplesmente, Pavilhão Mazzaropi. O teatro era facilmente desmontável. Ficávamos uma média de oito dias em cada lugar e seguíamos em diante. E ‘eta’ povinho que gostava de teatro e anedotas. Nosso pavilhão tinha 20 atores e o melhor deles era mamãe. E o povo ria e chorava como acontece até hoje”, afirmou em outra entrevista.

Plateia e parte da estrutura do Pavilhão. Foto: Museu Mazzaropi/ reprodução)

Sua estreia com o Pavilhão foi na Vila Arens, com a encenação da peça Divino Perfume. Um tremendo sucesso! Certa vez, conta-se, inclusive, que para acomodar bem seus espectadores, Mazzaropi pediu até os bancos de uma das igrejas aqui da cidade para o padre responsável! O final da história é narrado da seguinte maneira: o padre aceitou sem hesitar e ainda fez propaganda do espetáculo, avisando aos fiéis sobre o empréstimo dos bancos e pedindo a presença de todos. ?

Obra-prima em Jundiaí

Desde sua estreia no cinema, em 1952 com o longa Sai da Frente, até sua morte em 1981, Mazzaropi produziu ao todo 32 filmes, tendo o Casinha Pequenina (1963), que tem como temática a libertação dos escravos no Brasil do século XIX, como um de seus maiores sucessos. Com uma bilheteria estimada em 8 milhões de espectadores nos cinemas, de acordo com pesquisa da crítica Maria do Rosário Caetano, o número coloca a produção de 1963 lado a lado com outro aclamado sucesso de Mazzaropi, o filme Jeca Tatu (1959).

Cartaz do filme Casinha Pequenina. (Fonte: Reprodução)

E é também motivo de muito orgulho para nós, jundiaienses, saber que uma das maiores obras já produzidas pelo cinema nacional foi rodada aqui, nessas terras! O cenário, claro, era um dos mais belos que a cidade poderia oferecer: as fazendas Ermida e Ribeirão, ambas ao pé da Serra do Japi, dando um ar colonial perfeito ao filme que se passa nos tempos do Brasil escravocrata.

No caso da Fazenda Ribeirão, foram utilizados além de uma antiga construção presente na propriedade, a própria sede da fazenda, construída há mais de 140 anos! ? Dá só uma olhadinha:

Veja então essa linda vista dos campos e da Serra, ao fundo:

O início nas telonas

Ah, e foi com este filme, em terras jundiaienses, que o ator Tarcísio Meira estreou (em grande estilo, diga-se de passagem) nas telonas. Tarcísio, que começou na televisão em 1959 no teleteatro ‘Noites Brancas‘, da TV Tupi, vive na pele de Nestor, filho de Chico, interpretado por Mazzaropi, seu primeiro personagem no cinema.

Confira um pouco de sua interpretação:

Após Casinha Pequenina, Tarcísio ainda participaria de 22 filmes – e, claro, sem esquecer as quase 80 produções televisivas ao longo de seus 61 anos de carreira como ator. ?

Em breve, em sua TV

E essa aqui ó, é uma ótima notícia – e não apenas para os fãs do Mazzaropi, viu? Os serviços de streaming Looke, Now, Vivo Play e Amazon Prime Video anunciaram que, a partir de 4 de novembro, entrarão em seus catálogos 12 dos 32 filmes do ator, entre eles, Casinha Pequenina! Os outros selecionados são Chofer de Praça (1959), Jeca Tatu (1960), O Vendedor de Linguiça (1962), Meu Japão Brasileiro (1965), O Jeca e a Freira (1968), No Paraíso das Solteironas (1969), Uma Pistola para Djeca (1969), O Grande Xerife (1972), Um Caipira em Bariloche (1973), Jeca e Seu Filho Preto (1978) e A Banda das Velhas Virgens (1979).

Agora, é esperar, né? ? E, enquanto os filmes não são liberados, que tal amenizar a ansiedade com mais este trechinho do Casinha Pequenina? 😉

Pesquisa: TV Tem, TVE Jundiaí, JundiAqui, Jundiaí Agora, Museu Mazzaropi (1, 2, 3 e 4) e Estadão (1 e 2)


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1 COMENTÁRIO

  1. Gostei do comentário sobre Mazzaropi. Sou escritora e já escrevi sobre ele. Tenho contato com uma senhora negra que trabalhou nesse filme. Muito legal!

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