A cidade está repleta das maiores e mais lindas histórias – e nós, sem a menor sombra de dúvidas, amamos isso! ? É maravilhoso saber que, em cada canto, em cada lugar, há uma história para ser conhecida, para ser contada! E haja história, viu! Até lenda tem em um dos símbolos oficiais do município! ?

Pois é, minha gente! Você já reparou naquele índio, que inclusive é maior que as árvores, presente no brasão da cidade? Se você pensa que é apenas uma simples representação dos povos que viviam por essas bandas antes do homem branco, e o tamanho dele foi um erro de desenho, você se engana! Tem muuuito significado, com uma pitada de história, por de trás daquele índio! ?

(Foto: Acervo Prof. Maurício Ferreira/ Sebo Jundiaí/ Reprodução)

Índios em Jundiaí

Para entendermos esse pequenino detalhe entre as árvores de nosso brasão, precisamos voltar láa pros anos de 1600, quando segundo historiadores, a nossa querida Serra do Japi era habitada somente por povos indígenas. Algumas tribos eram nômades, ou seja, pouco tempo ficavam em um mesmo lugar e já se mudavam em busca de mais alimento, uma vez que apenas extraíam da natureza seus alimentos; enquanto outras, geralmente de origem Tupi-Guarani, se fixavam em uma localidade e ali, além de cultivarem a terra, criavam raízes e protegiam sua área.

E, para além de serem guardiães ou ‘proprietários’ do local, esses índios dependiam dessas terras para viverem. Por aqui, cultivavam principalmente milho e mandioca, eram povos guerreiros, bons caçadores e pescadores, e se organizavam em aldeias compostas pelas famosas ocas, aquelas cabanas circulares feitas de troncos e cobertas de palha. Em uma mesma oca era comum morar várias famílias aparentadas entre si, e aquele era um espaço comum de todos.

Rua 11 de Junho, no Centro, nos anos 50. A construção à direita é a sede do Clube Jundiaiense, e em segundo plano, ao fundo, vemos a sempre majestosa Serra do Japi. (Foto: Acervo Prof. Maurício Ferreira/ Sebo Jundiaí/ Reprodução)

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Ao longo dos séculos seguintes, com essas terras sendo cada vez mais povoadas pelo homem branco, e a Serra desbravada por expedições, as aparições – ou ‘lendas’ – acerca de uma certa tribo de índios gigantes, maiores que as árvores, e que faziam a guarda das matas foi ficando cada vez mais forte. Figura presente ‘no imaginário’ dos desbravadores de terras da Amazônia aos Estados Unidos, o índio gigante aqui pelas bandas do Japi ficou conhecido como Curuquim, ou Curuquiã.

Cultura popular

Apesar de não encontrarmos hoje relatos ou pesquisas aprofundadas sobre tais indígenas gigantes, a presença de tal personagem é forte em nossa cultura popular – a pronto de constar, inclusive, no brasão da cidade, o símbolo oficial do município. Em nosso brasão, criado nos anos de 1920 pelo historiador Afonso d´Escragnolle Taunay, o Curuquim tem destaque em meio às árvores, na parte superior do escudo de estilo português. ?

Ainda neste escudo, o castelo faz menção à ideia medieval de fortaleza, e no caso de Jundiaí, junto com a cor vermelha de fundo, a ideia de cidade fortificada, de ‘portal do sertão‘ – no século XVII, Jundiaí marcava o limite entre a civilização e as terras a serem desbravadas. Ainda no castelo, há o ano de início da povoação do vilarejo, em 1615, e a bandeira fincada em sua região superior é a da Ordem da Cruz de Cristo, a segunda bandeira da história do Brasil. Abaixo do castelo há um rio com três peixes, os famosos Jundiás. ?

Na parte de cima, a ‘coroa‘ o brasão é feita toda de pedras, como que uma fortificação, representando a força armada do Conde Monsanto, donatário da Capitania de São Vicente, região portuguesa que abrangia Jundiaí no século XVII. Os seis círculos do escudo pequeno marcam as viagens que o conde fez à Terra Santa, e o ano de 1655 é o da elevação do arraial de Jundiaí à condição de Vila.

‘Segurando’ o escudo, há o desbravador bandeirante, à esquerda, e à direita o oficial de milícias português, força armada do estado na época. Por fim, em torno do escudo, e atrás das figuras dos homens, nota-se a presença das parreiras de uva e dos ramos de café, duas forças agrícolas e econômicas da cidade ao longo de sua história.

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Por fim, a frase em latim “etiam per me Brasilia magna”, escrita em vermelho sobre uma faixa cinza, significa “Também por mim o Brasil é grande”. Os peixes que ocupam o rio, no interior do escudo, explicam o nome da cidade: são os Jundiás, os famosos bagres que foram abundantes nas águas da região, e que inspiraram os indígenas nativos a batizarem o rio de Jundiaí – Jundia = bagre Y = rio, Rio dos Jundiás.


Demais, né? ? Quantos detalhes incríveis estão presentes em um dos principais símbolos de nossa cidade, e que instiga a nos perguntarmos quantos mistérios ainda rondam essas terras em que hoje pisamos, e que muuuitas outras pessoas já pisaram antes de nós! ?? Sem dúvidas, a cidade é rica de significados e histórias! ??

Pesquisa: Fundação Serra do Japi, Já Pra Casa, Sebo Jundiaí/ Professor Maurício Ferreira


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5 COMENTÁRIOS

  1. Olá! Tudo bem? Muito obrigada pelo maravilhoso conteúdo. Amo morar aqui, cheguei a Jundiaí com 17 anos. Fui criada de uma cidade do interior de minas que se chama Poté, mas nasci em Teófilo Otoni, cidade vizinha. O significado do nome ainda divide opiniões, mas meu avô contava que era o nome do cacique da tribo que ali vivia. Assim como Jundiaí também foi um lugar de refúgio para aldeias indígenas, inclusive sou descendente, minha bisavó materna era indígena e constituiu família com o meu bisavô materno que era português, assim conta a minha avó. Um grande abraço!

  2. acho que nunca tinha percebido tanto detalhe nessa imagem e o que tudo isso significava parabéns pela brilhante historia.

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