A cidade está repleta das maiores e mais lindas histórias – e nós, sem a menor sombra de dúvidas, amamos isso! ? É maravilhoso saber que, em cada canto, em cada lugar, há uma história para ser conhecida, para ser contada! E a história da vez é um misto de realização profissional e tecnológica, com pitadas de drama e amor – como é a vida, não é mesmo? Mas, para a surpresa, ou não, do nobre leitor, contaremos tal história de vida sob o olhar da morte – ou melhor dizendo, do lugar de descanso após a vida: de uma sepultura! ⚰

Sim! Conheceremos um pouco mais da história por trás de um dos mais lindos e conhecidos túmulos do Cemitério Nossa Senhora do Desterro, onde descansa o corpo do Dr Leonardo Cavalcanti, influente engenheiro da Companhia Paulista que, falecendo aos 32 anos, deixou muito mais do que importantes feitos e realizações – mas um verdadeiro e grande amor. Ficou curioso? Então embarque conosco nessa! ?

Uma das tantas sepulturas que contam a história de Jundiaí. (Foto: Tribuna de Jundiaí/ Reprodução)

Cavalcanti e a Cia. Paulista

Nascido na cidade de São Paulo em 1892, Leonardo Francisco de Albuquerque Cavalcanti era o segundo filho do médico Francisco de Albuquerque Cavalcanti, o Dr. Cavalcanti, que foi prefeito de nossa cidade de 1930 a 1933, e de Alice Ulhoa Cintra, parente próxima do Dr Jayme Cintra, grande engenheiro e presidente da Companhia Paulista, empresa na qual Leonardo faria carreira em Jundiaí.

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Terminado os estudos em Engenharia no Mackenzie College (hoje, Universidade Presbiteriana Mackenzie), em São Paulo, Leonardo partiu para os Estados Unidos para a pós-graduação na Escola de Engenharia Elétrica da Universidade de Princeton. E, segundo registros históricos, no ano de 1916 ganhou a Medalha Charles Ira Young, que reconhece os pesquisadores que se destacam na área de Engenharia Elétrica.

Antes de retornar ao Brasil em meados de 1920, Leonardo ainda trabalhou em grandes empresas do ramo elétrico dos Estados Unidos, oportunidades que lhe renderam grande relevância no ramo e experiência profissional. Experiência, aliás, que foi muito bem aproveitada em sua volta ao Brasil, quando não por muito tempo trabalhando na Cia. Campineira de Luz e Força foi chamado pelo engenheiro Francisco Paes Leme de Monlevade, então superintendente da Companhia Paulista, para trabalhar no audacioso projeto de eletrificação da rede da Paulista, iniciado em 1916.

Tragédia e Amor eternizado 

E foi trabalhando, já há cerca de 5 anos, naquele que era o ‘projeto dos sonhos’ de qualquer engenheiro elétrico da época, que Leonardo Cavalcanti, aos 32 anos, deixou sua vida – e um grande amor. Na noite de 29 de abril de 1925, o renomado engenheiro tocou em um dos cabos de alta tensão enquanto fazia uma manutenção na rede do pátio de manobras de Campinas, e sua morte foi instantânea. 

Documento da delegacia de polícia de Campinas que atesta o ocorrido na noite de 29 de abril de 1925. (Foto: Facebook ‘Cia. Paulista de Estradas de Ferro – Dr. Jayme Cintra’/ Reprodução)

Conta-se que durante seu enterro, no Cemitério Nossa Senhora do Desterro, Yole Motta, com quem Leonardo havia noivado tempos antes, em um gesto de desespero diante da iminência da despedida de seu amado, teria se lançado sobre o caixão recém-fechado e prometido eterna fidelidade ao rapaz. Ainda segundo a história, Yole veio a falecer 45 anos depois na cidade de São Paulo e, conforme a promessa, solteira.

Tempos depois, tal cena de tão apaixonada promessa foi imortalizada no túmulo do Dr Leonardo Cavalcanti, esculpido no granito bruto e ornado de elementos do estilo Art Nouveau, que vigorou nas décadas de 20 e 30 e que se caracteriza pela transição dos elementos do estilo clássico para formas retas e angulares. E, sobre a rocha, rude e fria, representando a morte, a escultura em bronze de Yole contrasta e torna presente o movimento (sempre trágico) da vida, e o calor (sempre humano) do amor.

Diz uma lenda que a pessoa que depositar flores nas mãos da estátua da mulher apaixonada terá uma ajudinha para encontrar um grande e verdadeiro amor. E aí, quem vai tentar confirmar a veracidade dessa lenda? ?? (Foto: Jundiahy Antiga/ Reprodução)

Pesquisa: Tribuna de JundiaíCompanhia Paulista, Jundiahy Antiga (1 e 2) e FUMAS


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