Imaginem vocês uma construção no centro de Jundiaí que nasceu com o propósito de servir como central de abastecimento da cidade, mas que para além dessa finalidade, ao longo de vários anos serviu também como ponto de encontro de jundiaienses sedentos por alimento e diversão, e que no fim das contas, foi também um verdadeiro marco no desenvolvimento econômico, social e até cultural da cidade. ?

Imaginou? Pois bem, este é um pequeno perfil do Antigo Mercado Municipal de Jundiaí, conhecido desde a década de 80 por quase todo jundiaiense por Centro das Artes – ou, para os mais íntimos, o lugar onde fica a Sala Glória Rocha. ?

Talvez para a maior parte das pessoas a primeira fração dessa história não seja conhecida, e o que fique marcado mesmo seja as belas apresentações realizadas no intimista auditório que homenageia a ilustre jundiaiense. Mas saiba que aquela construção com quase 90 anos de história tem muita coisa a contar – e são coisas que vamos descobrir nas próximas linhas. Vamos juntos? ?

Mercado Municipal em 1934, com 1 ano de existência e prestes a receber a primeira Festa da Uva de Jundiaí. (Foto: Acervo Prof. Maurício Ferreira/ Sebo Jundiaí/ Reprodução)

Abastecimento da cidade

Inaugurado no ano de 1933, o Mercado Municipal foi idealizado primeiramente para suprir as necessidades de abastecimento da cidade, que já naquela primeira metade do século XX contava com uma economia pujante e um acelerado desenvolvimento econômico. À época, Jundiaí contava com certa de 50 mil habitantes, e já tinha passado pela revolução da energia elétrica – como já contamos aquie suas indústrias estavam em pleno vapor.

Com suas bancas de carnes, frutas, verduras e legumes, o Mercado Municipal era o ponto de união entre o jundiaiense que produzia e do ‘jundiaiense urbano’, que já trabalhava nas indústrias da cidade e que precisava consumir. Mas não só para as vendas e as compras que o Mercado vivia, viu?

Mercado Municipal em 1935, época em que os produtores abasteciam as bancas com seus produtos trazidos em carroças. (Foto: Acervo Prof. Maurício Ferreira/ Sebo Jundiaí/ Reprodução)

Cravado no centro de Jundiaí, foi um verdadeiro local para troca de experiências e também de manifestações culturais na cidade: de ponto de encontro para carnavais a festas, acreditem, foi no Mercado Municipal a realização da primeira Festa da Uva! ?

Foi ali a primeira!

Pois é, minha gente! A primeira edição da Festa da Uva de Jundiaí, então conhecida como ‘1ª Exposição Viti-Vinicola do Estado em Jundiahy‘, que se tornaria uma das maiores do país e o principal evento para os produtores da cidade ainda hoje, teve seu início ali no antigo Mercado Municipal, no ano de 1934. Ah, e já contamos aqui um pouco das origens da produção de uvas em Jundiaí e do início da Festa. Vale a pena conferir. ?

Divulgação da primeira Festa da Uva, ainda com o nome de ‘1ª Exposição Viti-Vinicola do Estado em Jundiahy’. (Foto: Jundiahy Antiga/ Reprodução)

Mas só pra contextualizar: apesar de haver registros de cultivo de uvas por aqui datados de 1669, foi em 1933, com a descoberta da Niagara Rosada, espécie surgida aqui em Jundiaí a partir de uma mutação espontânea da Niagara Branca, que tornou a cidade ainda mais forte no cenário nacional de produção de uvas e que motivou a primeira Festa da Uva, em 1934, por iniciativa do então prefeito, Dr. Antenor Soares Gandra.

E assim, de cara, o evento foi um tremendo sucesso: nos dias da festa, passaram por ela mais de 100 mil visitantes. E foi dessa forma que a primeira Festa da Uva de Jundiaí foi realizada: o Mercado Municipal serviu como palco para as exposições dos produtores, e as ruas do Centro, ainda com seus paralelepípedos e portais para receber o público, era a passarela para desfiles e outros tipos de festejo. ?

Com a enorme proporção que a festa ganhou já em sua primeira edição, optou-se por fazê-la nos anos seguintes em outros locais da cidade. Desta forma, a segunda edição, de 1938, foi realizada na Praça Santa Cruz (atual Praça da Bandeira), e em 1947 na Praça da Matriz. A Festa só ganharia um local próprio em 1953, com a inauguração do Parque Comendador Antônio Carbonari, o nosso famooso Parque da Uva. ?

Nova direção

Após ter papel de destaque naquele ano de 1934, nosso bom e velho Mercado Municipal retomou sua pacata função de abastecer o povo jundiaiense. E assim foi por alguns bons anos, até a cidade não comportar mais um empreendimento como aquele em seu coração comercial e financeiro, e já decadente, a administração municipal optar finalmente por seu fechamento definitivo.

O decadente Mercado Municipal, já na década de 70. (Foto: Acervo Prof. Maurício Ferreira/ Sebo Jundiaí/ Reprodução)

Por algum tempo, até a década de 80, o Antigo Mercado Municipal, palco de tantos negócios e encontros na cidade, já não mais recebia em seu interior mercadorias e público, mas servia apenas e simplesmente como um depósito da prefeitura.

Finalmente no final da década de 70, e até o início dos anos 80, o espaço foi recuperado e adaptado para novamente atender ao público, mas com outra finalidade: servindo como o Centro das Artes de Jundiaí, e abrigar um auditório em homenagem a uma das grandes figuras nascidas nesta cidade, a professora e dançarina Glória Rocha.

Presente e futuro

Entre tantas idas e vindas, às portas de completar 80 anos, em 2013 o Centro das Artes foi fechado por não atender aos critérios de segurança do Corpo de Bombeiros. Entre prazos e projetos de revitalização realizados, as obras para a reforma do local foram iniciadas em 2015, mas paralisadas 2 anos depois, quando já tinham avançado cerca de 22% – segundo a atual administração municipal, muito aquém do cronograma.

Em entrevista ao portal Jundiaí Agora no início de outubro, o gestor da Unidade de Cultura Marcelo Peroni afirmou que “em julho de 2017, a empresa responsável pela reforma propôs o distrato amigável do contrato por conta de atrasos nos pagamentos registrados entre 2015 e 2016″.

O gestor afirma também que, atualmente, a prefeitura está em fase final de revisão dos projetos da empresa vencedora da licitação do projeto arquitetônico, “e que a próxima etapa envolve a preparação do edital e do orçamento para abertura da licitação das obras”. Até o fechamento desta matéria, de acordo com o portal Observatório Jundiaí, ainda não houve avanços no processo de licitação das obras no Centro das Artes e da Sala Glória Rocha.

Caminhando para quase 9 décadas de história, que nosso eterno Mercado Municipal, hoje nosso querido Centro das Artes, seja devolvido o mais brevemente a nós, jundiaienses ansiosos não apenas pelo pão, mas pelo alimento da cultura, do entretenimento e da diversão. ?

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