Há algumas décadas existe uma doença que, só de ser pronunciada, causa calafrios em muitas pessoas: o Mal de Alzheimer. Doença neurodegenerativa que, com o tempo, deteriora a memória de curto prazo e a personalidade da pessoa, sua cognição e até a capacidade motora, o Alzheimer acomete, segundo dados de 2019 da Associação Brasileira de Alzheimer, aproximadamente 1,2 milhões de brasileiros com mais de 60 anos. 👵🧓

(Foto: Hypeness/ Reprodução)

E, para além de afetar apenas os idosos, são muitos os filhos, esposos, sobrinhos e netos que acabam convivendo diariamente em suas casas com a doença. Este é o caso da psicóloga Elaine Ninzoli, que nos últimos 5 anos ajudou a cuidar de sua mãe, e que a partir dessa experiência passou a prestar apoio a famílias que passavam pela mesma situação em suas casas.

“Percebi o interesse nessa área acompanhando a minha mãe e participando de um grupo de apoio emocional para cuidadores de Alzheimer. É um campo de trabalho muito gratificante e acredito que continuará crescendo, visto que a população brasileira está cada vez mais velha”, afirma.

Além dos atendimentos realizados de forma voluntária no grupo, Elaine pretende atender, de forma particular, pessoas e famílias que precisem de orientação e apoio na batalha diária contra o Alzheimer.

Elaine Ninzoli é psicóloga e também é a responsável pela We Treinamentos. (Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução)

Realidade vivida na pele

Desde os primeiros sinais de que algo não andava bem com sua mãe, foram 5 anos que Elaine e toda a família conviveram com a doença entre eles. A psicóloga conta que, antes do diagnóstico final de Alzheimer, sua mãe começou a ter alguns comportamentos diferentes dos habituais. “Ela sempre foi ativa, andava de ônibus sozinha e cuidava da casa e, de repente, começou ter dificuldades para andar, com muitas dores nas pernas, e aí foi deixando de sair e de fazer as coisas da casa. Logo em seguida veio o diagnóstico do médico, começaram então os esquecimentos e as mesmas perguntas sempre.”

Após um tempo, a idosa também sofreu com a perda do controle da urina, e passou a usar fraldas. Elaine observa que, sempre que havia evolução de algum sintoma da doença, o quadro de sua mãe ficava estável conforme era medicada. “O início foi rápido e depois ela ficou bastante tempo estável. Mas, infelizmente, não nos preparamos para a doença.” 

(Foto: Reprodução)

À medida que a doença progredia, outros acontecimentos difíceis na família também foram ocorrendo. Em agosto de 2019 o pai de Elaine faleceu, e foi então que a família decidiu colocar a idosa em uma casa de repouso. “Após uma convulsão, ela ficou internada uma semana e deixou de andar de vez. Ficou acamada e em dezembro teve problemas de saúde e várias internações com pneumonia, até que em junho foi internada novamente e pegou Covid-19. O primeiro semestre de 2020 o Alzheimer acelerou de tal forma que foi muito triste, e com a Covid minha mãe faleceu no início de julho.” 

A adaptação com essa situação na família é você lidar com uma coisa diferente a cada semana. Todos nós morremos naturalmente um pouco por dia, mas essa doença mata muito por dia, a família toda, e sem dó. Você precisa viver dia após dia e ter paciência e se preparar para alguma novidade pior naquele dia. 

Os primeiros sinais de cuidado

Os sinais da doença, são bem discretos, e que a família, muitas vezes, não dá a devida atenção, comenta Elaine. Ela acredita que quem convive com um idoso precisa prestar atenção em seu comportamento, ficar atento a qualquer mudança e, principalmente, se já houver casos na família, levar o mais rápido possível ao geriatra ou a um clínico de confiança. “Na família já tive a minha avó, mãe da minha mãe, que teve a mesma doença. Ajudei a cuidar um pouco dela, fazendo companhia.” 

“Precisamos entender que aquela pessoa não é mais a mesma e depende totalmente de seus cuidadores. Que quando ela está agressiva, não é porque ela quer ou porque você fez alguma coisa para ela. É porque faz parte do quadro clínico e você precisa ter muito amor próprio e pela pessoa para suportar e não ‘pirar’. Brigar com ele ou afastar-se só vai piorar para ele e para você”, explica. 

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Durante a doença, também será necessário o desenvolvimento da sua atenção ao suporte necessário para o idoso, tanto material, que vai desde as medicações, fraldas e equipamentos apropriados, como cadeira de rodas, por exemplo, até o suporte emocional e afetivo, como um tempo de qualidade com ele, demonstrações de carinho, e claro, muita paciência. “Muitas vezes me surpreendi com minha mãe com aquele olhar longe e de repente ela falar ‘você está tão bonita, filha’. São segundos de lucidez que ela tinha”, lembra Elaine. 

(Foto: Reprodução)

Veja fotos antigas com o idoso, jogue jogos, hoje existem vários específicos para idosos. Se ele te fizer a mesma pergunta mil vezes, responda as mil vezes. Ele esquece e não sabe que já perguntou aquilo. Sorria para você mesmo e para o seu ente querido!

Por fim, se for o caso de internar o idoso em alguma casa de repouso, Elaine recomenda procurar bem e por referências, e se encontrar alguma, não deixar de ficar próximo do dia a dia do idoso, para saber mesmo como ele está sendo cuidado e, claro pelo próprio idoso também, né? “Oferecer sua presença e carinho como filho, esposo ou esposa, sobrinho, neto, enfim, é muito importante. Você pode terceirizar os cuidados físicos, mas os emocionais nunca“, enfatiza. 

E, claro, para se cuidar

“A maioria dos cuidadores de idosos nem sabem que eles são cuidadores, porque são da família. É o filho, é o marido, é a esposa, a filha… Cada membro que tem um ente na família precisando de cuidados se torna também um cuidador”, aponta Elaine. E, a partir deste pronto, a psicóloga afirma que o cuidador deve entender as fases da doença e se preparar, lendo sobre o assunto e fortalecendo-se emocionalmente com terapia, se for o caso. “Tenha equilíbrio, se proteja emocionalmente, cuide de sua saúde. Pois você só poderá cuidar bem de seu ente querido se você estiver bem. Tenha um tempo só para você, e se necessário, peça ajuda“.

Elaine também lembra que, em certa medida, é normal nesse momento os cuidados acabarem ‘no colo’ somente de uma pessoa. E, se você puder, não deixe isso acontecer: “Você vai se sobrecarregar e ficar doente. Todos os filhos são responsáveis e tem obrigações, inclusive obrigações legais. Conhecer o Estatuto do Idoso é importante. Quem não puder ou não quiser ficar com o idoso tem que ajudar de alguma forma. O cuidador precisa ter momentos para se cuidar, se divertir, fazer exercícios físicos… Infelizmente a realidade não é assim, muitas vezes. Mas de qualquer forma, peça ajuda! É melhor buscar uma boa qualidade de vida antes dos problemas mais graves”.

Serviço

Elaine Ninzoli – apoio a famílias e cuidadores de idosos

  • WhatsApp: (11) 98443-9980
  • E-mail: eninzoli@gmail.com
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