Recordamos no dia 13 de maio a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, que decretou em 1888 a extinção da escravidão no Brasil e a libertação de todos os escravos do país.

O ato, considerado o mais importante após a Independência do Brasil, em setembro de 1822, finalmente escancarava o abominável tratamento dado aos negros no país, e foi o primeiro passo para a correção de séculos de injustiças.

Neste interessante documentário da TV Brasil, produzido em 2015, você pode conferir a vida dos escravos no país e todo o caminho de luta percorrido até o dia 13 de maio de 1888:

A escravidão em Itupeva

Na primeira metade do século XIX, numa época em que a mão de obra mais comum nas fazendas da região era a escrava, quase 1/3 da população de Jundiaí era formada por escravos. Resquícios deste tempo ainda hoje podem ser encontrados no bairro Quilombo, começando pelo próprio nome, e com suas construções antiiigas…

Um dos característicos e históricos casarões do Quilombo. (Foto: Elis Salles/Reprodução)

As teorias para a origem do nome do bairro são duas: a primeira fala sobre a certa liberdade dada, pelo dono da fazenda, aos seus escravos para irem descansar naquela região, como se fosse um refúgio. Por isso do nome. 😉 Ah, e olha que curioso: o proprietário dessas terras era o senhor José Estanislau do Amaral, avô de Tarsila do Amaral, que viveu parte de sua infância em Itupeva.

A segunda teoria é mais direta: ela simplesmente fala que era naquela região que os escravos fugidos das fazendas da região iam se abrigar. A proximidade com o Rio Jundiaí e a abundância de frutas tornava o local perfeito para o refúgio daqueles homens e mulheres. Os poucos documentos que existem apontam mesmo para a existência de um quilombo nesta região, muito provavelmente este mesmo de Itupeva.

Foto de 1934 da Estação Quilombo da Estrada de Ferro Sorocabana (ao fundo) e de parte das residências do bairro. Por conta da produção e escoamento do café até o Porto de Santos, o Quilombo era uma das 3 estações na região de Itupeva. (Foto: Eliana Belo Silva/Reprodução)

Resistência

Em Jundiaí, aqui do lado, se localiza o mais antigo clube negro em funcionamento do estado de São Paulo e o 4º mais antigo do país, oficialmente fundado em 1895. O Clube Beneficente Cultural e Recreativo Jundiaiense 28 de Setembro tem uma rica história, bem como sua origem: seu nome remete à Lei do Ventre Livre, promulgada em 28 de setembro de 1871, homenageado assim o episódio que foi um dos grandes passos para a abolição da escravidão no Brasil, em 1888.

“Na época da fundação do clube, a sociedade ainda era muito dividida. Os nossos antepassados fizeram esse lugar por causa disso: para termos a nossa casa“, explica, orgulhoso, ex-presidente e diretor do Clube, José Carlos Medeiros.

Você também pode conhecer mais sobre a história do Clube 28 de Setembro por aqui: 😊


“Aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo, é o que diz o filósofo espanhol Jorge Agustín Nicolás Ruiz de Santayana y Borrás em uma de suas obras. E datas históricas, como a de hoje, ao mesmo tempo que nos faz lembrar do nosso passado muitas vezes sombrio, também nos mostram que há sim uma luz de esperança na humanidade. 🙏


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