Todo mundo já teve uma paixão em algum momento da vida, aquele amor à primeira vista. No caso das meninas do Felinas da Fronteira, o que fez os olhos delas brilharem desde criança, foram as motos. 

A paixão por moto veio de criança, com meu pai que nos domingos “dava uma voltinha” com as filhas na garupa. Um dia, com 12 anos de idade eu disse que queria pilotar, ele me colocou na moto, me disse que a primeira era para baixo e as outras marchas para cima e me deixou ir sozinha pela cidade. Ali eu soube que queria isso para o resto da minha vida.

-Comentou Rosely Sobral, Presidente do Felinas da Fronteira.

Conversamos com as integrantes do Felinas da Fronteira para conhecer mais a história do primeiro Moto Grupo Feminino de Foz e como toda essa paixão por moto influenciou várias mulheres a se aventurarem pela cidade. 

O Moto Grupo surgiu da vontade de mulheres pilotarem juntas e se aventurarem pelas estradas em 2015. Na época, os grupos da cidade só permitiam homens como membros, e essa carência de grupos femininos, fez Rosely Sobral, presidente das Felinas da Fronteira, juntamente com outras fundadoras criar um Moto Grupo Feminino!   

Mas para criar o clube, não foi tão fácil assim, Rosely precisou pedir autorização para o Moto Clube mais antigo da cidade para formalizar a sua fundação, então foram pedir ao Moto Clube Quatis das Cataratas que não só autorizaram, como também se tornaram os padrinhos das Felinas da Fronteira. 

Atualmente, o grupo feminino já conta com mais de 10 membros oficiais que são denominadas de coletadas e aspirantes. Para fazer parte do grupo, é necessário ser aprovada no processo seletivo que as meninas realizam no WhatsApp. A motociclista acompanha as conversas, participa dos passeios, viagens e reuniões festivas durante um tempo variado, pode demorar seis meses ou um ano para se tornar oficial. 

Havendo o comprometimento, o nome da motociclista é colocado em votação pelo grupo oficial (coletadas e aspirantes) e sendo aprovada ela passa a ser aspirante. As aspirantes têm direito a usar a camiseta com o brasão do Moto Grupo e a participar das reuniões oficiais. Passado, no mínimo, seis meses de avaliação, é escolhida uma coletada para ser madrinha da aspirante, que se responsabiliza pelo comportamento dela no Moto Grupo, de passar as normas e regras a serem seguidas.

-Rosely Sobral

Após boa conduta, o Moto Grupo vota para a efetivação da aspirante para membro oficial, o que lhe dá o direito de usar o colete. Após a aprovação, a integrante tem o tão esperado batismo, o chamado “felinização”. A partir daí, já pode ser considerada parte da equipe e aproveitar a irmandade das meninas do Felinas da Fronteira.  

Como todas integrantes relataram, o grupo é considerado uma família, além das aventuras nas estradas, também estão ali quando uma precisa desabafar um problema, alegria ou conquista. 

Eu sempre falo que somos como família, sempre quando uma de nós precisa de ajuda, damos um jeitinho de apoiar e ajudá-la da melhor forma que podemos.

-Deiva Braga, integrante do grupo.

A paixão que as meninas sentem pelas motos é evidente e transmitida para as máquinas com o sentimento de zelo. Rosely Sobral nomeou a moto de Magali e conta que ela mesma gosta de lavá-la, passar cera, hidratar o couro e também colocar a mão na massa em qualquer cuidado básico que ela consegue fazer, como lubrificar a corrente e calibrar os pneus.

Esse sentimento de acolhimento e liberdade está presente em todas meninas do clube, a sensação de estar viva, amor, dedicação e orgulho de fazer parte de algo.

Representatividade feminina

As motociclistas são sinônimos de representatividade feminina! A vontade de se sentir viva, livre e capaz num espaço que ainda é dominado por homens, fez com que o Moto Grupo se formasse e servisse de exemplo para todas mulheres que podem ser o que quiserem ser. 

Nestes mais de 6 anos de constituição do Moto Grupo, muitos motos clubes aprenderam a respeitar aS mulherES em espaços que antes não eram ocupados. Sempre tivemos mulheres motociclistas na cidade, grandes mulheres com muita história e muita estrada, mas pouquíssimas participando de Moto Clube ou Moto Grupo, justamente porque a maioria dos clubes só permitem membros do sexo masculino. Mostramos que a mulher pode fazer parte, pode se interessar por motos e que nosso lugar é onde quisermos.

-Rosely Sobral

Sem dúvida encorajamos muitas mulheres a realizar o sonho de pilotar, de tornar-se livre e de fazer isso dentro das regras, das leis, do respeito da irmandade que representa o motociclismo. 

-Concluiu Thais Mota, vice-presidente do grupo.

Ação Social

Apesar de toda a adrenalina da estrada, as motociclistas dão uma pausa quando o assunto é solidariedade. O Moto Grupo realiza vários eventos solidários na cidade em prol de causas sociais, o comprometimento sempre é com o Dia das Crianças e variam com outras datas durante o ano. Já fizeram ações na Páscoa, Natal, Outubro Rosa, Dia do Motociclista e Campanha do Agasalho. Esse ano, o grupo se dedicou novamente ao Dia das Crianças com o objetivo de apoiar os alunos do Centro de Educação Infantil Mamãe Carolina.  

Acompanhe as redes do Moto Grupo para ficar por dentro de todas as campanhas sociais realizadas pelas meninas! 

Facebook: Felinas da Fronteira M.G

Instagram: @felinasdafronteira


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