Como forma de homenagear os mestres que comemoram sua data neste dia 15 de outubro resolvemos voltar no tempo e buscar a história do primeiro botucatuense a formar-se professor. Esse privilégio coube a Américo da Silva Veiga.

São poucos os registros a seu respeito. Nasceu em 1866, filho da escrava “Nazasia” com o comerciante português Antonio Ferreira da Silva Veiga, conhecido como Veiga Russo, próspero proprietário de uma casa de ferragens na antiga Rua do Riachuelo (atual Amando de Barros).

Estudou em São Paulo na Escola Normal “Caetano de Campos”. Ao formar-se, em 1889, veio a se tornar o primeiro mestre botucatuense. Professor, poeta, musicista, Américo compôs o primeiro “Hino a Botucatu” de que se tem notícia.

Retornou a sua cidade natal em 1893. Atuou primeiramente como professor isolado e depois passou a lecionar no Grupo Escolar “Dr. Cardoso de Almeida”, fundado em 1895.

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Na volta a Botucatu, Américo Veiga foi lecionar no Grupo Escolar Cardoso de Almeida. Foto: Acervo Museu Histórico e Pedagógico Francisco Blasi

No livro, “No Velho Botucatu”, Dr. Sebastião de Almeida Pinto, assim escreve:

O prof. Américo, que eu conheci bem, pois fui seu aluno, era um bom mestre. Tinha cultura e gostava de ensinar. Mas era um tanto boêmio. Levava vida irregular. E por isso, era censurado pelos catões da cidade. Gostava muito de música. Fundou uma banda de meninos, que fez época. Quando faleceu, repentinamente, andava afastado da sociedade.

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Sebastião de Almeida Pinto foi aluno do
professor Américo Veiga: “culto e boêmio”. Foto: Reprodução

Dotes musicais

Em 1897, quando o professor Arthur Goulart chegou a Botucatu para assumir a direção do Grupo Escolar, logo firmaram forte amizade que resultaria em reconhecido trabalho musical.  Essa amizade foi além do tempo em que o professor Goulart ficou aqui. Em 9 de maio de 1897, o jornal O Botucatuense estampou:.

Arte Musical. O professor Américo Veiga, bem conhecido como artista musical vae apresentar no Conselho Superior de Instrução Pública, um seu excellente méthodo de música, adaptado ao ensino moderno. Prefaciará a útil obra o nosso amigo Arthur Goulart. Desejamos que a obra do illustre normalista colha os louros que merece.

Artista gabaritado, Américo Veiga compunha a orquestra regida pelo maestro Manoel Theodoro que, na Semana Santa de 1899, conduziu a execução das missas, ladainhas e cânticos compostos pelo maestro André Rocha.

O primeiro professor botucatuense faleceu em 28 de julho de 1917, aos 51 anos, sendo sepultado no Cemitério Portal das Cruzes. Como forma de homenageá-lo, o município deu seu nome à praça onde estava localizado o antigo Horto Florestal. O local hoje abriga o Espaço Cultural, na Avenida Dom Lúcio.

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Túmulo do professor Américo Veiga, no cemitério Portal das Cruzes. Foto: Carlos Pessoa

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