Neste dia 15 de agosto completam-se exatos 12 anos da morte de Dom Vicente Ângelo José Marchetti Zioni, primeiro bispo da Diocese de Bauru e 2º arcebispo da Arquidiocese de Botucatu.

Homem culto e figura de destaque junto a alta cúpula da Igreja Católica, foi um exemplo vivo de que a convivência diária é capaz de apagar impressões equivocadas produzidas por julgamentos precipitados.

Dom Zioni nasceu na cidade de São Paulo (SP), no dia 14 de dezembro de 1911. Foi ordenado sacerdote na Basílica de São João de Latrão, em Roma. Em 1955, o Papa Pio XII o nomeia bispo auxiliar de São Paulo, e sua ordenação episcopal aconteceu em 29 de junho de 1955, em São Paulo. Tornou-se o primeiro bispo de Bauru em 25 de março de 1964.

Dom Zioni foi o primeiro bispo da Diocese de Bauru
Foto: reprodução

Em abril de 1968, tendo dom Henrique Golland Trindade renunciado ao cargo de arcebispo metropolitano de Botucatu, a escolha, para sucedê-lo, recaiu sobre Dom Zioni. Foi nomeado pelo Papa Paulo VI, em 18 de abril de 1968, mas sua posse aconteceria apenas um ano depois.

A crise dos padres rebeldes

É que a decisão do Vaticano abriu na Arquidiocese de Botucatu a maior crise já registrada na história do clero brasileiro. Um grupo de 24 padres se insurgiu e ameaçou deixar suas paróquias, sob alegação de que os religiosos não haviam sido consultados sobre a indicação e que por se tratar de uma figura conservadora, Dom Zioni não estaria preparado para enfrentar os desafios que a Arquidiocese enfrentava à época.

Capa do jornal Folha de S.Paulo destaca a posse de Dom Zioni
Foto: reprodução

O caso ganhou grande repercussão e mobilizou as maiores autoridades da Igreja. Apenas em 12 de abril de 1969, o novo arcebispo seria empossado. E o temor sofre o futuro da igreja na região foi substituído por admiração do clero e dos fieis. No trato diário e na condução de seu trabalho pastoral, Dom Zioni revelou-se um líder correto, sábio, afável e sereno.

Ao longo de pouco mais de 20 anos construiu um legado que inclui a criação do Seminário Maior de Filosofia e Teologia “João Paulo II”, o curso de Teologia para leigos e um grande número de paróquias. Foi grande incentivador dos movimentos TLC e Cursilho. Criou a primeira paróquia hospitalar do Brasil (São Lucas).

Dom Zioni foi o primeiro bispo da Diocese de Bauru
Foto: divulgação/Tiago José Paixão Soares
No período em que comandou arquidiocese, Dom Zioni criou grande número de paróquias
Foto: divulgação/Tiago José Paixão Soares

Renunciou ao governo da Arquidiocese em 28 de junho de 1989. Faleceu em 15 de agosto de 2007, na Vila dos Meninos “Sagrada Família”, onde passou seus últimos dias. Seu corpo está sepultado na Capela da Ressurreição na Catedral Sant’Ana.

Arcebispo viveu seus últimos dias na Vila dos Meninos, onde veio a falecer
Foto: divulgação/Tiago José Paixão Soares

Um líder humilde

Luiz Augusto Felippe (Tutão), uma das principais lideranças no Movimento TLC, lembra com carinho da convivência com o arcebispo. “Foi um homem santo. As pessoas poderiam achar que por ele ter aquela pompa de bispo, aquela postura austera, poderia ser de difícil acesso. Mas era justamente o contrário. De uma humildade enorme. Fazia pelos menos favorecidos muito mais do que as pessoas poderiam imaginar”.

E se recorda de uma passagem vivida com o Dom Zioni em 1987.“Fui escolhido para coordenar um TLC Mariano. Procurei por Dom Zioni. Ele parou tudo que estava fazendo para me atender, dando-me a honra de conversarmos sobre Nossa Senhora por quatro horas. E uma frase que ele costumava usar me marcou para sempre. Que era preciso fazer bem, o bem”.

Tutão destaca o lado humilde do arcebispo: “Foi um homem santo”
Foto: arquivo pessoal

Obra e convívio

Em 2013, encerrando as comemorações do centenário de nascimento de Dom Zioni, a comunidade católica lançou o livro “Um Homem”, que trazia relatos de pessoas que conviveram com o arcebispo.

Responsável pela organização da obra, a jornalista Adriana Ribeiro Fontes diz ter sido gratificante o contato com depoimentos de um grande número de pessoas que tiveram relação com Dom Zioni nos mais diferentes momentos e situações de vida. “Esse trabalho me mostrou que cada um levava um aprendizado e revelava uma faceta de Dom Vicente”, ressalta.

Ao mesmo tempo, ela não esconde a admiração e o carinho que marcou a amizade que construiu com o arcebispo e se solidificou por 35 anos, em razão de sua participação, desde muito jovem, no Movimento TLC.

“Eu amava esse homem que foi a alma do TLC. Dom Vicente, de fato, era tudo aquilo que as pessoas enxergavam nele. Era mesmo uma figura conservadora, que enfrentou uma greve dos padres e não se abateu. Tinha uma teimosia irritante, como ele mesmo dizia. Através de sua obra foi disseminando uma visão de igreja mais tradicional, mas muito próxima das pessoas. Era sisudo, por vezes bravo, mas também tinha momentos de delicadeza e ternura. Dom Vicente foi igreja na vida de muitas pessoas. E muito amado, principalmente pelos jovens”.

“Dom Vicente foi igreja na vida de muitas pessoas”, diz Adriana Ribeiro
Foto: arquivo pessoal

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