A primeira coisa que vem na cabeça do boituvense quando perguntam sobre Boituva é o Centro Nacional de Paraquedismo. A cidade é famosa por ser a capital nacional do paraquedismo e ter a maior área para a prática do esporte na América Latina. Mas poucas pessoas sabem como o paraquedismo pousou em Boituva. A Solutudo resolveu ir atrás e encontrou um histórico impressionante sobre o local.

Para entender melhor esta história, precisamos voltar há nove décadas quando Boituva iniciou sua relação com os bons ares vindos do céu. O primeiro pouso registrado em Boituva foi no ano de 1930, quando um avião Pirajá pilotado pelo Comandante Hammer e proprietário da viação Condor no Brasil fez um pouso de emergência em um local plano da cidade, próximo ao Hospital São Luiz. Ele foi recebido por grandes nomes da época que hoje são vistos, ruas, escolas e memórias da cidade, foram eles: Ricieri Primo, Rodrigo Holtz, Humberto Primo, Antonio Rosa Santos, Manoel dos Santos Freire e Prof. Roque Vieira Dias.


O Comandante Hammer com seu Pirajá estava inaugurando uma linha comercial que iria de São Paulo para Cuiabá. A pista foi limpa e no dia seguinte ele pôde cumprir a missão do seu voo inaugural. A Viação Condor é conhecida por ser a precursora da grandiosa Varig, que operou no Brasil por muitos anos.

Avião Comandante Harmmer sendo recebdido por: Ricieri e Humberto Primo, Antônio R.Santos, Rodrigo Holtz, Roque V. Dias e Manoel S. Freire – Foto/reprodução: amigospqd.com.br/Diversos/cnp-boituva2.html

No ano de 1942, é expedido o primeiro brevê de piloto para um boituvense, o Sr. Gabriel Assumpção Netto. Até o ano de 1967, Boituva não possuía um aeródromo oficial. É neste ano que tudo começa a mudar em Boituva. O Estado de São Paulo estava investindo em infraestrutura rodoviária com a construção da rodovia Castello Branco e precisava transportar seus funcionários com mais mobilidade. Então, a empreiteira responsável resolveu construir um campo de pouso e decolagens.  O terreno do local foi cedido pela Sra. Desdêmona Primo Pinezi, onde hoje se localiza o Centro Nacional de Paraquedismo (CNP).

Até o ano de 1968, a cidade não estava nos mapas rodoviários do estado, mas já aparecia em uma publicação técnica da Aeronáutica sobre as especificações da pista. Em 1969, a área da pista é vendida para o senhor Alfredo Sartorelli. 

Até o ano de 1971, aos aviões eram os únicos que pousavam em Boituva, mas a cidade estava prestes a dar um salto que mudaria sua história para sempre. O Advogado Dr Newton Raul Faria de Almeida, que frequentava a Corporação Musical Sagrado Coração de Jesus, notou a situação difícil pela qual a organização cultural passava e resolveu criar uma apresentação de paraquedismo com o intuito de arrecadar fundos para a instituição.

Como as apresentações aeronáuticas não podem ter fins lucrativos, a Sra Zélia Franco de Mello produziu algumas flores de pano moldadas com parafina e ficou na entrada do local com suas flores. Cada espectador que oferecesse uma contribuição para a banda, recebia de brinde uma flor. O evento ocorreu na chácara Laureano que se localizava no final da rua 16 de Outubro. O evento foi bem aceito pelo público que lotou o lugar para ver a apresentação de paraquedistas. Um avião Cessna  decolou da cidade de Americana, lançando sobre um alvo improvisado nas terras boituvenses os primeiros três paraquedistas a saltarem na cidade, eram eles:  Bié, Salti e Ademir.

Apesar da grande quantidade de pessoas, o público se manteve bem organizado, respeitando as cordas de contenção e sem nenhuma ocorrência registrada. A organização musical conseguiu arrecadar uma quantidade significativa de fundos. No momento em que os paraquedistas tocaram o solo, presentearam Boituva com a ideia do que hoje destaca a cidade no país e no exterior. 

Primeiro salto de paraquedas realizado em Boituva, ao fundo da imagem pode se notar a multidão. Estão presentes na foto: Décio F. Almeida, Bié, Tancredo Primo, Eurico Ferriello, Salt, Lelo, Ademir e Roberto Faria de Almeida – Foto/reprodução: amigospqd.com.br/Diversos/cnp-boituva2.html

O quase não paraquedismo 

No mesmo ano, em 1971, surgiu a ideia pela União Brasileira de Pára-quedismo para a criação de um centro nacional de paraquedismo. Onde todos os atletas pudessem se reunir para a prática do esporte. A organização, que era presidida por Décio Almeida, irmão de Newton Faria, cotou a cidade de Limeira para a implantação do Centro Nacional de Paraquedismo. Porém, iluminado pelas ideias de Newton sobre os benefícios da cidade de Boituva, Décio decide que a primeira cidade que doasse a área para a construção seria o Centro Nacional de Paraquedismo. 

É iniciada a competição pela sediadora do grandioso projeto. De um lado Boituva e do outro Limeira. O Sr. Newton foi encarregado de uma grande missão de “implantar o CNP em até 90 dias”, estas atribuições eram oficiais da união. 

Muitos contratempos foram vencidos neste meio tempo, problemas com a oficialização do local, tamanho das terras, a corrida incansável entre Boituva e Limeira, problemas de todos os tipos surgiram. Mas no dia 13 de outubro de 1971 tudo ocorreu com perfeição e Boituva acabava de conquistar o Centro Nacional de Paraquedismo, sendo este o primeiro da América Latina. 

Area cedida em comodato para a instalação do CNP – Imagem/reprodução: amigospqd.com.br/Diversos/cnp-boituva.html

No mesmo ano, em 21 de novembro, foi fundado o extinto “Clube de Paraquedismo de Boituva”, em 21 de dezembro o Rotary Clube de Boituva parabeniza o Sr. Newton e Alfredo por uma notícia de um jornal de Limeira que reconhecia a pequena cidade de Boituva com apenas seis mil habitantes pelo mérito da conquista do Centro Nacional de Paraquedismo. Essa era a prova mais clara que Boituva havia ganhado a disputa. 

No dia 26 de dezembro, com a energia de um final de ano magnífico para a cidade, o Centro Nacional de Paraquedismo realiza seu primeiro salto oficial. Os primeiros paraquedistas foram lançados a uma altura de 750m, por um avião Cessna 170 prefixo PT- AFU, pilotado pelo comandante Avelino Alves de Camargo. Os atletas saltaram na seguinte ordem: Pedro Carlos Dalmazzo, seguido de José Carlos de Camargo, Zezito Rosa e Antonio Carlos Nogueira. 

Sr. Newton no alvo da area em 1971 – Foto/reprodução:amigospqd.com.br/Diversos/cnp-boituva2.html

No segundo lançamento, saltaram: José Olimpio de Barros, Roberto Pegorelli e José Carlos de Camargo.

No ano seguinte, em 1972, foi realizado o Campeonato Brasileiro de paraquedismo destacando ainda mais a cidade de Boituva.

Campeonato Brasileiro de Paraquedismo 1972 Boituva – Foto/reprodução: amigospqd.com.br/album221/Niquelson-a-x4.html

Para quem pensava que o Centro Nacional de Paraquedismo chegou por acaso em Boituva, conseguiu reconhecer por meio dos fatos que existiu muita luta, conquistas e pessoas engajadas para que este sonho se tornasse realidade. Um sonho que, além de se realizar, mudou o destino da cidade para sempre com o desenvolvimento e o turismo que impacta até hoje na economia do município. 

Uma curiosidade sobre a pista do Paraquedismo é que ela está localizada no mesmo meridiano, grau e minuto da cidade de Brasília, sendo uma linha reta para a capital do país.


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Paraquedismo em 1979

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2 COMENTÁRIOS

  1. Meu nome é Sílvio Rey de Almeida…..
    Avô paterno . Roberto Faria de Almeida….
    Tios … Newton Faria de Almeida
    E Décio Faria de Almeida
    Pai …Nelson Faria de Almeida….
    Conheço a história…e tenho o maior orgulho disso …tenho 71 anos e ainda vou fazer uma visita….

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