As vivências em uma universidade vão muito além das experimentadas nas salas de aulas, nós sabemos. Entre a rotina de estudo e perrengues inerentes à esta fase, também se encontram boas descobertas, aprendizados e possibilidades. Para cinco estudantes do interior de São Paulo, por exemplo, a graduação resultou em uma banda e novos rumos. Faz pouco tempo, aliás, que esta mesma banda, a Zandare, está em uma nova etapa: com diplomas e instrumentos em mãos, acabam de lançar o seu primeiro trabalho autoral. O EP, Batizado de Pétalas Solares, é fruto de muito trabalho e experimentação. Nos próximos parágrafos, você irá conhecer um pouco sobre a trajetória da banda até aqui.

Composta por Sol (vocais), Vitinho Zangerolamo (guitarra), Vini Iared (teclado e sintetizador), Léo Diman (baixo) e Felipe Cassiola (bateria), a Zandare surgiu a partir de uma república de alunos da Unesp de Bauru, no interior de São Paulo. As experiências musicais vieram ainda em 2015, quando Vini e Vitinho começaram a desenvolver as primeiras canções autorais da banda. Aos poucos, os demais membros foram somando e o projeto tomou formas mais concretas.

Zandare, da esquerda para direita, é composta por Vini Iared, Léo Diman, Sol, Vitinho e  Felipe Cassiola : (Foto: Christiano Cavlak/Reprodução)
Zandare, da esquerda para direita, é composta por Vini Iared, Léo Diman, Sol, Vitinho e  Felipe Cassiola (Foto: Christiano Cavlak/Reprodução)

Os próximos anos foram de idas e vindas de integrantes e tantos outros desafios. Com um repertório consolidado, no início de 2018 a banda decidiu que era hora de mostrar a que veio e subir aos palcos. O primeiro show, no entanto, aconteceu de forma inusitada: o quinteto se apresentou em um evento social para crianças promovido por um centro espírita da cidade. “Era um projeto de vários estilos musicais, e nós fomos no dia do rock. Mostramos os instrumentos, falamos sobre o estilo e tocamos”, conta Vini.

Desde então, a Zandare não parou mais. Vieram as festas universitárias, festivais e, por fim, uma turnê por diversas cidades do estado. Tudo organizado por conta própria, batendo de porta em porta e mostrando o seu trabalho em bares e casas noturnas, como reza a cartilha de uma banda independente. Os desafios, segundo eles, sempre estiveram presentes nesta jornada artística. Para o quinteto, no entanto, ouvir um “não” ou tocar para poucas pessoas em uma noite faz parte do processo de um aprendizado muito maior e inevitável. “Se uma criança quer aprender a andar, ela tem que engatinhar primeiro, e ela cai no começo. Não tem jeito. Se a gente não tivesse subido esses degraus ontem, a gente teria que subir hoje ou amanhã”, explica Vitinho.

Zandare?

Eis um nome com muitos significados e possibilidades para quem se depara. Entre elas, movimento, transformação, ressignificação. O nome surgiu como uma espécie de neologismo, uma brincadeira com a estrutura de uma palavra muito específica. “Tudo o que se transforma está em movimento, tudo está andando. No meio da palavra Zandare tem o “andar”. Só que ela inicia no “z” e não no “a”, que é o ponto comum de onde as pessoas começam. O “e” no final é um acréscimo, que é o que você soma com as mutações da vida”, explica Vitinho.

Zandare em show ao vivo. (Foto: Christiano Cavlak/Reprodução)
Zandare em show ao vivo.(Foto: Christiano Cavlak/Reprodução)

A música no interior

Distante 330 quilômetros da capital paulista, fazer música em Bauru, longe dos holofotes do cenário artístico de São Paulo pode ser um tanto desafiador. Durante a entrevista, essa questão foi bastante discutida entre os integrantes da banda. Felipe, por exemplo, vê essa distância dos grandes centros como algo difícil e gratificante. Léo garante que “o negócio é ‘meter’ a cara e tocar. Seja num pub famoso em São Paulo ou aqui, do lado de casa. “Não tem diferença tocar aqui ou em outro lugar se não for pra fazer acontecer”, complementa Vitinho.

Por fim, Vini falou um pouco sobre este processo de consolidar uma carreira musical no interior. “A gente tem que ir em busca do inesperado. Em Bauru, estamos criando um círculo que vai crescendo. A gente vai expandir esse círculo para ver aonde o nosso som consegue chegar, em outros lugares.”

Pétalas Solares

Lançado em 20 de abril, o EP traz cinco canções autorais que demonstram a pluralidade de estilos e referências da Zandare. A tônica de rock progressivo salta aos ouvidos logo no primeiro contato, especialmente através dos riffs marcantes entoados pela guitarra, mas não demora a se perceber as outras fontes pelas quais a banda verte a sua musicalidade.

Tempestade é a faixa de abertura e chama a atenção pelos seus quase 10 minutos de duração. O vocal poderoso e marcante de Sol dá as caras nos primeiros segundos, seguido por uma ambientação, ora leve e macia, ora intensa e envolvente.

Capa do EP Pétalas Solares. (Foto: Reprodução/Zandare)
Capa do EP Pétalas Solares, feita por Pedro Andrade. (Foto: Reprodução/Zandare)

As faixas que dão sequência ao EP demonstram toda a dinâmica da banda enquanto grupo. Sente-se a unidade em meio à diversidade. Desculpa pra Si Mesmo surge com um embalo dançante, conduzido pelo jogo de pergunta e resposta entre teclado e guitarra, enquanto a bateria e o baixo demonstram toda virtuosidade e condução.

A Trilha, próxima canção, já é uma velha conhecida dos ouvintes da banda e conta inclusive com um clipe lançado previamente. Trata-se de uma balada cadenciada, mas que não abandona a sua dose de rock n’ roll, como a própria letra sugere.

“Mas que pecado é esse, Deus? Amar um semelhante meu? Se somos até mais iguais que os casais tradicionais”. A quarta faixa de Pétalas Solares,Rendenção, marca o momento mais militante de todo o EP. A letra faz críticas à hipocrisia religiosa e homofobia. Os riffs da guitarra saltam ao longo da música e reforçam o já evidente manifesto de insatisfação e busca por mudanças.

A sensação ao ouvir a última canção do EP, Mundo Afora, é de que ela está em seu preciso lugar. Com uma atmosfera amena, porém pulsante, a faixa parece flutuar entre os ouvidos e transmite a ideia de fluidez, leveza e transformação – a essência da própria banda. A letra complementa ainda mais essa experiência: Não se vá, eu vou atrás do que sou e me satisfaz. Não se vá, eu vou agora, pois viver não tem hora. Pra onde ir? Por todo canto! Ver as belezas e seus espantos. Eu quero crer que o mundo afora irá sorrir pra quem o explora”.

Pétalas Solares está disponível em todas as plataformas digitais. Você pode conhecer o trabalho da banda também na playlist abaixo.


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