Para comemorar o Dia Mundial da Natação, nós fomos bater um papo muito legal com o Sr. Norival Agnelli, que nos contou um pouco da sua história com o esporte.

Prof. Agnelli, como é conhecido por amigos e alunos, é doutor em engenharia civil e deu aulas durante 35 anos na Faculdade de Engenharia da UNESP de Bauru. Após se aposentar não conseguiu ficar longe das salas de aula e hoje leciona nos cursos de engenharia da USC e UNIP.

Para início da história, nós somos levados para a década de 50, quando Agnelli era criança e morava com a família no bairro Bela Vista, próximo da piscina Recreio, que hoje dá lugar a Avenida Nuno de Assis.

A piscina foi construída por uma família entusiasta do esporte, que disponibilizava o espaço para a população e se tornou o ponto de encontro dos bauruenses nos finais de semana.

Como era a única piscina em Bauru com tamanho certo para a realização de campeonatos oficiais, era comum ver atletas treinando no local, inclusive seus irmãos mais velhos.

Ele aprendeu a nadar aos 7 anos com a ajuda do pai que fez uma espécie de boia improvisada utilizando latas vazias de óleo de cozinha e uma cinta de calça, que era presa em suas costas e o fazia boiar: “Meu pai, embora não fosse engenheiro, era muito engenhoso”, completa sorrindo.

Campeonatos

Com 10 anos, ele participou do seu primeiro campeonato infanto juvenil e ganhou sua primeira medalha. Sr. Agnelli se lembra com muito carinho do seu primeiro treinador, o Sr. Jesus Arena, que hoje está com 92 anos: “Foi ele quem me preparou para que aos 15 anos de idade, eu me tornasse campeão Sul-Americano de natação”.

Aos 19 já havia conquistado 340 medalhas: “Com 21 anos fui parando de competir e pendurei a sunga”, brinca. Na década de 60 era comum os atletas pararem de competir nessa idade, visto que ainda não existia a categoria Máster de natação, destinada para maiores de 25 anos.

No final de 1989, um de seus “pupilos”, da época em que atuou como treinador, comentou sobre a categoria Máster e em 1990 voltou para as competições.

Logo no seu primeiro campeonato mundial na categoria Máster ele se inscreveu em 3 provas ficando em 6º, 7º e 8º lugares: “Fiquei muito feliz, por ser uma competição em nível mundial, ficar entre os 10 melhores foi muito motivador” completa.

Mil medalhas

Em 2010 já com 500 medalhas conquistadas ele fez uma projeção, usando os números de competições e de vitórias, para calcular quando conquistaria a sua medalha de número mil. Em suas contas ele concluiu que chegaria ao número em 2017, porém em 2015 já havia conquistado 990 medalhas.

Faltando apenas 10 para chegar ao número tão esperado, ele participou de um campeonato Pan-americano em Medellín, Colômbia onde se inscreveu em 10 provas e ganhou medalhas em todas.

“Quando subi no bloco de partida da décima prova, a organização me surpreendeu e anunciou que o competidor do bloco 4, no caso eu, estaria nadando pela milésima medalha”.

Agnelli mostra com orgulho a sua milésima medalha

Sr. Agnelli conta que ficou muito emocionado e suas pernas tremeram, mas mesmo assim ele ganhou sua milésima medalha ao conquistar o segundo lugar.

Tocha Olímpica

Toda sua trajetória como nadador, engenheiro e professor universitário fizeram com que ele fosse um dos escolhidos para carregar a tocha Olímpica na passagem por Bauru. Foram mais de 30 recomendações feitas por alunos, ex alunos e colegas.

A emoção que já era grande se tornou ainda maior quando na noite anterior do evento ele foi informado pelo Comitê Olímpico de que iria acender a Pira Olímpica. “Foi uma surpresa, pois eu estava escalado para outro percurso. Então me ligaram no sábado a noite e me falaram da troca”, completa.

Sr. Agnelli já competiu por diversas cidades, como Limeira, Botucatu, Campinas e Santos onde nadou pela maior equipe do Brasil na categoria Máster com mais 100 integrantes. Hoje aos 70 anos representa o Bauru Tênis Clube com mais 6 atletas.

“Ministrar aulas, ser engenheiro e praticar a natação competitiva, são 3 grandes vetores que me levam para frente”, finaliza.

Curiosidades:

Nº de Troféus: 63

Nº de Medalhas: 1172

Já nadou a quilometragem suficiente para dar a volta ao mundo (aproximadamente 40.000 km).

Já recebeu 3 homenagens da Câmara municipal de Bauru, sendo a primeira aos 15 anos pela conquista do campeonato Sul-Americano.

Provavelmente o número de medalhas e de quilômetros já aumentou, pois essa entrevista foi feita antes da sua última competição.


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