E se o seu sonho de infância se tornasse sua profissão? Foi o que aconteceu com Daniel Ferreira do Nascimento, atleta da Associação Bauruense de Desportos Aquáticos (ABDA).

Natural de Paraguaçu Paulista, deixou a casa da mãe aos 14 anos para seguir seu grande sonho: tornar-se atleta profissional.

Hoje, aos 21, tem na bagagem títulos como a Copa Brasil de Cross Country, Meia Maratona Internacional de São Paulo e melhor brasileiro na São Silvestre em 2019, além de diversos recordes nacionais e internacionais.

ABDA
Daniel Nascimento correndo pela ABDA. Foto: Reprodução/Facebook

Quase jogador de futebol

Quem vê Daniel correndo, nem imagina, mas por pouco ele não foi parar em outra modalidade.

“Eu sempre fui fissurado por esportes e lá na minha cidade jogava muito futebol quando criança, era volante lateral. Um dia, o técnico me viu correndo e falou que me daria bem no atletismo”, relembra.

Seguindo o conselho do técnico, em 2013, começou a treinar com o casal Evandro e Regiane Teixeira em Paraguaçu.

Em apenas 3 meses de treinamento, o atleta quebrou recordes Pan-Americanos e teve certeza de que precisava continuar correndo.

No mesmo ano fui para os Jogos Sul-Americanos da Juventude em Lima, no Peru e venci nos três mil metros rasos. Eu tinha só 14 anos! Quando falaram que a competição era em outro país fiquei pensando: a gente vai de ônibus?? Nunca havia viajado na vida! Também já fui duas vezes pra China e isso me marcou muito porque nunca imaginei que veria pessoalmente aqueles lugares que passavam na televisão.

relembra com carinho.
ABDA
Daniel já conhecia a ABDA por reconhecer a camiseta verde limão que hoje utiliza nas provas ao redor do mundo todo. Foto: Reprodução/Facebook

Olá, Bauru!

Desde o início da carreira em Paraguaçu, Neto Gonçalves, atual técnico de Daniel, já estava de olho na nova promessa do atletismo.

Antes de mudar-se para Bauru, o atleta morou em Campinas, onde treinava na escola Orcampi, com Alex Sandro como técnico.

Depois de anos de dedicação e treinos em Campinas, aos 18, tornou-se um atleta de alto rendimento e foi participar de sua primeira São Silvestre.

Porém, a corrida que em 2019 lhe fez brilhar, em 2018 lhe rendeu uma lesão no tendão de aquiles.

Eu estava no ponto alto da minha carreira quando me machuquei e precisei parar. Voltei para Paraguaçu e trabalhei um tempo com corte de cana. O pessoal da roça falava que aquilo não era pra mim, mas eu tinha desistido do esporte

relembra emocionado
ABDA
Daniel sonha em ser exemplo para as crianças que treinam na ABDA e também querem ser atletas. Foto: Reprodução/Facebook

Motivado pela família e amigos, depois de recuperar-se, resolveu mandar um pedido para treinar com a ABDA em Bauru. Depois de 4 meses, veio a resposta: sim!

Vim pra Bauru em junho de 2019 e fui muito bem recebido. Antes só via a cidade pela televisão. Sempre quis conhecer o estádio do Noroeste, o Panela de Pressão, aproveito os fins de semana para conhecer a cidade. O pessoal na rua me reconhece e é muito carinhoso!

Treinar, treinar e treinar!

“Acordo 6h, fazemos o aquecimento e vou pra pista. Almoço no restaurante que a ABDA proporciona, descanso lendo algum livro e volto pra pista. Ao todo corro 20 quilômetros por dia“, explica.

Além do treinamento físico, Daniel também é acompanhado por nutricionista e psicóloga.

Em 2019, o atleta largou junto com os quenianos na São Silvestre e foi o brasileiro mais bem classificado na prova. “Quando subi a Brigadeiro já sabia que era o primeiro do Brasil ali”, conta emocionado.

Eram 35 mil corredores inscritos para completar a prova de 15 quilômetros e, pela primeira vez, Daniel largou entre os atletas de elite, em sua maioria, estrangeiros.

Ele terminou a São Silvestre em 11º lugar com tempo de 46 minutos e 32 segundos. Uau!

Próxima parada: Polônia

De Paraguaçu para o mundo, o próximo destino é a Polônia! Por conta do primeiro lugar na Meia Maratona Internacional de São Paulo com tempo de 1h04min e 34segundos, Daniel conquistou o índice necessário para o Mundial de Meia Maratona em Gdynia, na Polônia, no final de março.

Antes eu tacava pedra, hoje sou a vidraça. Tenho que continuar focado e me esforçando para ser cada vez melhor. No futuro, quero competir a Olimpíada, levar minha mãe pra viajar de avião… Mais pra frente, pretendo também estudar Educação Física e trabalhar na ABDA para formar outros atletas, assim como fizeram comigo

finaliza esperançoso

Bora torcer muito pelo Daniel da ABDA e apoiar nossos atletas locais!


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