Certa vez Caetano Veloso levantou um questionamento em uma de suas canções: “existirmos, a que será que se destina?”

Difícil responder, né? Há quem diga mesmo ser impossível. No entanto, para muitas pessoas, a leitura oferece ao menos a possibilidade de refletir sobre essa questão e, além, vivenciar uma infinidade de emoções e sentimentos, descobertas e aprendizados, aventuras e refúgios. Pois é, a literatura, como diria Carlos Drummond de Andrade, compreende um “vasto mundo”.

Hoje, 25 de julho, data em que se celebra o Dia do Escritor, decidimos unir duas de nossas paixões para produzir esta matéria: Bauru e a escrita.

Nas próximas linhas você irá conhecer um pouco sobre alguns escritores de nossa cidade e os seus trabalhos! Bora conferir?

Carolina Bataier – O pôr do sol dos astronautas

A relação entre a escritora e Bauru começou quando ela veio estudar Jornalismo na Unesp. Já a vivência com a leitura e a escrita, essa é mais antiga. Surgiu ainda na infância e daria início a um processo que resultaria na publicação de seu primeiro livro, muitos anos depois. “Quando eu era criança, minha mãe levava a gente para escola onde ela dava aula e deixava a gente na biblioteca. Eu passava tardes inteiras lendo. Comecei a me encantar muito com as histórias. Uma coisa foi puxando a outra e eu tive um despertar de também inventar histórias. Depois, conforme eu fui crescendo, eu fui entendendo que isso era ser escritora.”

A escritora Carolina Bataier (à esquerda). (Foto: Acervo Pessoal)

Lançado em dezembro de 2018, O pôr do sol dos astronautas marcou o religar da jornalista com sua essência criativa. “Este livro nasceu há 11 anos, quando publiquei na internet meus primeiros textos. Desisti e retomei a escrita muitas vezes até decidir, em 2017, juntar os arquivos do antigo blog a outros textos engavetados e dar a eles existência prolongada. Aqui, você encontra crônicas, com um pouco de ficção e outro tanto de poesia. Este livro é, então, a materialização dos meus espantos.”

Guilherme Mantovani – As lendas de Tyrondir

Entre a graduação em Jornalismo e a paixão por História, o jovem bauruense concretizou um sonho de adolescente. Apaixonado pelo gênero fantasia, Guilherme iniciou sua jornada literária ainda criança lendo os livros da série Harry Potter e não parou mais. “Eu sempre achei surpreendente a capacidade das palavras em emocionar. Não só fazer alguém chorar, mas despertar qualquer tipo de emoção. Você tem um livro em suas mãos e tem acesso à um mundo novo, um ponto de vista novo, ideias novas. Eu comecei a escrever por hobby, mas, a cada dia, o que me motiva é a ideia de ter uma história pra contar e saber que ela pode despertar emoções nas pessoas.”

O primeiro livro da saga As Lendas de Tyrondir. (Foto:Acervo Pessoal)

Composta por cinco livros (Os ventos de tempestade, A canção dos mortos, O anel de cristal, O rugido do rei e a As duas espadas), A saga As Lendas de Tyrondir foi escrita entre os 15 e 19 anos de idade. No entanto, segundo Guilherme, a obra passou por um aprofundamento muito grande durante sua graduação, onde teve contato com novos autores e estilos. O primeiro livro foi lançado no começo de 2019 e os escritor explica que a continuação não tarda a estrear. “ideia é que a saga vá amadurecendo aos poucos, a medida em que os livros vão sendo publicado, junto com o público.”

Lucas Melara – Velhas Lembranças, Memórias de Vida

Designer de formação, Lucas decidiu dar um passo inovador em sua carreira ao reencontrar antigas poesias escritas durante a infância. Uniu essa nova-velha paixão com a vivência junto aos idosos da Vila Vicentina e escreveu o seu livro, que tem como objetivo proporcionar maior visibilidade para histórias do contexto social bauruense, cidade onde viveu toda a sua vida. “No Velhas Lembranças, Memórias de Vida foram retratadas 17 histórias de vida que, em conjunto, contam sobre os 80 anos da Vila Vicentina em Bauru, a fim de trazer a discussão sobre o cuidado ao idoso no município”, nos conta o escritor.

Lucas Melara. (Foto: Acervo Pessoal)

O livro, aliás, será lançado hoje, às 19h na Jalovi dos Altos da Cidade.

Lucas Dias – Gradus Editora

Além de escritor, Lucas também é o fundador de uma editora independente em Bauru, a Gradus. No entanto, o foco do trabalho do bauruense é um pouco diferente dos outros escritores apresentados aqui: ele produz conteúdos acadêmicos voltados para a temática de políticas públicas e ações afirmativas. Já o trabalho de sua editora tem um propósito de democratizar o alcance desse tipo de literatura que, apesar de tão rica e importante, é quase inacessível para a maioria das pessoas. “A editora se preocupa em transformar o conteúdo acadêmico – grosseiro, rebuscado e dentro de normativas bem técnicas – e trazê-lo para uma linguagem mais fácil de compreensão. Nós retiramos da bolha universitária as ideias promovidas na universidade e colocamos num livro para acesso de pessoas comuns.”

Lucas Dias. (Foto: Acervo Pessoal)

Jonas Gabriel – A curva de um sorriso

Ao contrário do que o senso comum prega a respeito de um escritor, Jonas não era um apaixonado por literatura até se tornar ele próprio um autor de tantas. “Eu adquiri essa vontade de escrever por conta da minha avó. Ela tinha uma agenda onde escrevia alguns pensamentos e me falava que eu só poderia ver os textos quando ela falecesse. Isso aconteceu em 2008 e no meio das coisas dela eu reencontrei essa agenda. No final dela estava escrito ‘termine este caderno’. Aí comecei a desenvolver a minha escrita, buscar escritores para ter inspiração e comecei a postar nas minhas redes sociais.”

O primeiro livro de Jonas Gabriel A curva de um sorriso. (Foto: Acervo Pessoal)

E foi justamente a partir das redes sociais, que hoje contam com mais de 100 mil seguidores (Jonas prefere chamá-los de leitores), que nasceu o seu livro. “A Curva de um Sorriso, é um livo de frases e pequenos textos onde falo do cotidiano, amor, amizade, perdão, saudade. É um livro bem amplo.” Atualmente o escritor trabalha em sua segunda obra, batizada Amar Ela, que está em fase gráfica e será lançada ainda este ano.


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