Você já quis ajudar alguém mas não sabia como?

Há mais de 20 anos, Paulo Cesar Pereira de Souza, doou sangue pela primeira vez para ajudar o pai de uma amiga, que enfrentava problemas de saúde na época.

“Depois dessa, fiquei alguns anos sem doar, até que outro acontecimento envolvendo enfermidade me abalou muito e me fez repensar como e se eu estava ajudando as pessoas ao meu redor”, relembra.

Aos 4 anos de idade, André, um dos filhos de Paulo, enfrentava uma pneumonia grave que resultou em água nos pulmões.

Achei que perderia meu filho para a doença. Essa situação mudou minha visão sobre tudo. Não parava de pensar que queria ajudar cada criança, cada pessoa que precisasse. Mas, ao mesmo tempo, ficava me perguntando: como? Não sabia mesmo o que fazer

Algum tempo depois, com o filho curado, o paulista mudou-se para Bauru com a família. Aqui, diante da paz do interior, voltou a refletir sobre como poderia ajudar pessoas enfermas e sentiu-se inspirado a voltar para as doações.

E põe doação nisso! Foram 59 doações em menos de 10 anos. “Uma curiosidade: eu nunca apresentei nenhum atestado!”, brinca Paulo.

Se fizermos as contas, cada doação de sangue comum dura em torno de 10 minutos. Portanto, ele já dedicou quase 10 horas somente à doar sangue comum.

Paulo fazendo doação de plaquetas. Foto: arquivo pessoal

Outras formas de ajudar

“Comecei fazendo doação de sangue comum. Depois, me inscrevi no REDOME para doação de medula óssea e também faço doação de plaquetas a cada 40 ou 50 dias intercalando com doações de sangue”, explica.

A decisão de ajudar com outras formas de doação se intensificou quando Domingos, pai de Paulo, precisou ficar internado durante 15 dias no Hospital de Base.

Acompanhando mais uma vez a rotina hospitalar e o sofrimento de diversos pacientes, o doador sentiu-se motivado a colaborar com tudo que estava ao seu alcance.

Em cada doação de sangue comum, também são separadas as plaquetas, que são muito úteis. Se as pessoas soubessem a necessidade de alguém que faz quimioterapia e radioterapia tem em relação a isso, acredito que muita gente passaria a doar. É simples, as pessoas deveriam se colocar mais no lugar das outras e pensar nas necessidades alheias. Praticar a empatia!

Preconceito como barreira

Uma única doação de sangue pode salvar até 4 vidas. Ou seja, Paulo, que doou 59 vezes, ajudou a salvar em torno de 230 pessoas! Uau!

Porém, ainda existem obstáculos para muitas pessoas que gostariam de tornar-se doadoras, como grupos LGBT+.

“Esse tipo de proibição é retrógrado e não faz sentido. É algo que precisa ser discutido e mudado o mais rápido possível”, comenta Paulo.

A discussão sobre a doação de sangue, principalmente para homens homossexuais, voltou à tona em outubro de 2019 e voltará a ser debatida pelo Supremo Tribunal Federal no dia 11 de março.

Foto: Reprodução/Superinteressante

Essa decisão foi tomada baseada no comportamento sexual de determinado grupo de homossexuais, que, supostamente, teriam mais chance adquirir HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis.

Porém, esta medida desconsidera uma série de fatores e, segundo dados de 2016 da revista Superinteressante, nosso país desperdiça 18 milhões de litros de sangue anualmente por conta desse preconceito que impede doações desse grupo.

Fazer o bem sem olhar a quem

Apesar do preconceito, ainda existem motivos de sobra para se tornar um doador e ajudar a salvar vidas.

“Gostaria muito que as pessoas não esperassem um amigo, parente ou conhecido ficar doente e precisar de sangue para doar. Não precisa ser assim. Muitas pessoas dizem também não ter tempo, mas é uma questão de se organizar”, comenta Paulo.

O doador já tentou atrair outras pessoas ao Hemonúcleo de Bauru postando fotos com folhas de sulfite lançando um “desafio” aos amigos para doarem. Porém, só obteve algumas curtidas no Facebook e não o que realmente queria: atrair doadores.

Eu acho que a mudança tem que vir de dentro. Algo tem que atingir seu emocional de verdade para que você repense o quanto está se doando aos que estão ao redor. As pessoas precisam parar de olhar só pra si e agir! Sair um pouco do sofá, desligar a televisão, sair de casa… Precisamos ver o que anda acontecendo ao nosso redor e ajudar! O tempo passa tão rápido!

Ficou inspirado com a história do Paulo e quer ser doador? O Hemonúcleo do Hospital de Base funciona de segunda à sexta-feira das 7h às 11h30 e das 13h às 15h30!

E aí, vamos doar?


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3 COMENTÁRIOS

  1. Sou irmão deste “herói” e me orgulho muito disso. Cada vez que ele viaja pra São Paulo o abraço apertado e cheio de saudade sempre acontece, pois o “Paulinho” é um exemplo de ser humano dedicado, de olhar atento, esperto com tudo ao redor e sempre solícito e disposto a ajudar quem quer que seja. Meu mano, que orgulho de você, parabéns!

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