Sabe aquelas pessoas da cidade que estão todos os dias, naquele mesmo local, naquela mesma hora? Essas pessoas são quase como coadjuvantes, mesmo que ora ou outra sejam desconhecidas. São como se representassem uma parte da cidade.

Em meio aos passageiros que embarcam e desembarcam dos ônibus no Terminal Rodoviário de Araçatuba, a empreendedora Eliane de Souza Lima, de 45 anos, carinhosamente apelidada de “Negona” pelos amigos e familiares, vende geladões de mais de 40 sabores.

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Os geladões são produzidos com leite, morango e chocolate (Foto: Ana Maria Jurca)

Escondida atrás de um pilar azul do Terminal para se proteger do sol, Eliane conta, emocionada, que, hoje em dia, os clientes tornaram-se amigos fieis. “Eu chego até a atrapalhar. Eles sentam aqui e esquecem o ônibus. Conversamos sobre a vida, as coisas da rotina. Eles são a minha segunda família.”

O amor pelo trabalho tornou a tarefa uma terapia. “Sempre que estou estressada, eu faço geladão. Não importa com quem estou chateada. Para mim, funciona como um calmante”, conta Eliane, ao deixar escapar o ingrediente secreto da sobremesa. “Eu amo o que faço e produzo com muita força de vontade.”

A rotina da comerciante inicia no domingo. Eliane utiliza o dia inteiro para produzir e vende os geladões de segunda a sábado, das 12h às 18h, no Terminal. “Assim que eu termino o expediente no sábado, eu vou para o mercado Rondon e compro as coisas. Na semana, eu também faço geladão. Fico até 01h.”

Do geladinho ao GELADÃO!

A ideia de criar o Geladão da Negona surgiu em 2014, quando a Eliane ainda coletava reciclagem com o marido José Roberto, de 42. Na época, em um almoço com a sobrinha, a empreendedora viu um saquinho grande, diferente dos tradicionalmente utilizados pelas comerciantes que produzem a sobremesa.

“Eu vi e falei: vou fazer geladinho nesse saquinho. Eu nunca tinha visto um geladinho desse tamanho. Há pessoas que utilizam essa embalagem também, mas elas fazem apenas até a metade”, narra Eliane, que comemora o sucesso.

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Eliane vende os geladões por R$ 3 cada (Foto: Flávio Duca)


E deu muito certo. Comecei no calçadão e vim para o Terminal. E aqui fiquei. Graças a Deus. Vendo até no frio.

Com o dinheiro, que utiliza para ajudar a pagar as contas de casa, Eliane já comprou até um carro. “Tenho o automóvel, mas não sei dirigir. Porém, eu tenho um motorista: o meu marido. Será a primeira vez que eu, ele e meus filhos viajaremos juntos”, comenta ao falar dos planos de fim de ano com a família.

A Eliane pretende, nos próximos meses, expandir o Geladão da Negona. “Comecei com um isopor; agora, tenho um carrinho e, mais para frente, quero ter uma frota.”

Histórias que nos mostram aqueles detalhes que encantam!


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